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Diário da Região

01/04/2018 - 00h30min

LANÇAMENTO

Orlandeli está no livro Viver, de Artur de Carvalhos, adaptadas para quadrinhos

Livro Viver: Manual de Instrução traz obras do cronista Artur de Carvalho adaptadas para quadrinhos

Divulgação Capa do livro Viver: Manual de Instruções
Capa do livro Viver: Manual de Instruções

A rotina, o dia a dia, as notícias e o viver ganhavam contornos mágicos pelas mãos do cronista, escritor, jornalista, ilustrador e caricaturista Artur de Carvalho, que viveu grande parte de sua vida em Votuporanga. Foi assim durante sua carreira e especialmente em sua passagem pelo Diário da Votuporanga, jornal onde publicava crônicas acompanhadas de uma ilustração dia sim dia não de 1996 a 2012, quando faleceu.

Estima-se que Artur tinha mais de 2,5 mil crônicas publicações em que o cotidiano se tornava protagonista, envolvido pelas roupas da fantasia vinda de sua mente. Além disso, o escritor publicou dois livros: O Incrível Homem de Quatro Olhos e E Quando Você Menos Espera... Pah !. E uma terceira obra estava nos planos de Artur. Seria uma adaptação de suas crônicas para o mundo dos quadrinhos.

O projeto, interrompido na época por sua morte, foi retomado recentemente e ganhou vida agora com a publicação de Viver: Manual de Instrução, livro que contou com a edição do cartunista, escritor e roteirista Custódio Rosa, organização de Gabriela Carvalho, filha do escritor, e ilustrações de oitos cartunistas amigos de Artur.

"Sim, fui o editor, embora não goste muito desse termo. Era um projeto meu e do Artur enquanto ele estava lutando contra a doença, então gosto de imaginar que ele era o editor. Ele escolheu algumas crônicas e os amigos cartunistas e ilustradores que participariam do livro", recorda Custódio.

Os cartunistas participantes são Orlando Pedroso, Walmir Orlandeli, Érico San Juan, Spacca, Custódio, Fernandes, Gilmar e Vinícius Cineli, que é o único que não teve uma história pessoal com Artur, mas que foi convidado por Gabriela para integrar o time.

Cada um dos cartunistas recebeu uma crônica escolhida a dedo por Artur levando em conta as características de traço e narrativa deles, conta Telma Carvalho, mulher do cronista. "Ele mandava a crônica e fazia o convite/desafio de transformar aquele trabalho em quadrinhos. E cada um tinha total liberdade de 'viajar' como quisesse. O formato do livro também ficou interessante, pois tem a HQ seguida pela crônica original."

A escolha foi tão bem pensada por Artur e Custódio que os próprios cartunistas se espantaram por não ser uma escolha deles mesmos, diz Gabriela, filha do cronista e organizadora do livro. "No dia de autógrafos, muitos deles nem se lembrava de que havia ocorrido dessa maneira. Se identificaram tanto com as crônicas destinadas a eles que pensavam que eram eles que haviam decidido."

E para Gabriela, o livro serve como uma excelente homenagem a seu pai e ao trabalho realizado por ele durante toda a sua vida. "Os textos do meu pai já haviam sido transformadas em TV e teatro, a adaptação para os quadrinhos foi muito especial, já que ele era um admirador desse tipo de arte. O acervo de quadrinhos dele é enorme e muito rico, uma herança inestimável que recebi. Além disso, meu pai era escritor e também desenhava muito bem. O livro mostra a fusão destas duas paixões dele."

Projeto pessoal

Além de unir as paixões de Artur, o livro Viver é um projeto extremamente pessoal por ter sido construído por amigos, afirma Telma. "Todos os autores que estão no livro fizeram parte da vida do Artur de alguma maneira, construíram uma história com ele, então posso dizer que esse livro é um projeto absolutamente pessoal. O que me encantou muito foi ter a comprovação de uma relação totalmente verdadeira, sincera e eterna, pois a fala de cada um de seus amigos cartunistas guarda a presença 'viva' do Artur."

Por isso ter os livros em suas mãos foi tão emocionante, diz Telma. "É a realização de um desejo que foi dele. E efetivamente para mim foi um momento de muita emoção, como se trouxesse ele de volta. Ele está inteiramente nesse livro, não só pelas crônicas, mas porque foi efetivamente um projeto dele, ele escolheu os amigos que iriam desenhar, escolheu as crônicas que queria ver ilustradas. E ver o projeto se concretizar foi, para mim, como se estivesse entregando um presente a ele. Na dimensão que ele se encontra, acredito que está muito feliz e dando uma enorme gargalhada que era sua marca registrada."

análise

O fantástico que habita o cotidiano

A realidade cotidiana ganhou contornos fantásticos nas letras e traços do cronista e ilustrador Artur de Carvalho, que marcou a cena cultural de Votuporanga nos anos 1990 com histórias que rompiam os limites da ficção.

Por meio de suas crônicas, que eram publicadas no Diário de Votuporanga, sempre acompanhadas de uma ilustração, ele conseguia fazer muitos acreditarem em seres exóticos como um homem de quatro olhos e um monstro que povoa um dos rios da região. O poder de suas 'fake news' era tamanho que chegou a mobilizar um novato repórter da cidade sedento por uma reportagem exclusiva com o tal ser de quatro olhos.

Transgredindo com a realidade, Artur conquistou uma legião de leitores, que se compadeceram com seu estado mental ao se depararem com uma crônica escrita por sua filha, Gabriela, em que relatava que o pai havia sido internado em um manicômio, com direito a uma imagem do próprio cronista imobilizado por uma camisa de força - mais uma do Artur.

Artista inquieto, também movimentava a cena cultural da cidade, seja causando polêmica com inscrições de obras ousadas em salões de arte da cidade ou à frente de eventos, como o inesquecível Votu Riso, oportunidade em que Votuporanga reuniu os grandes nomes do traço do País.

Artur também peregrinava com seus livros e histórias pelas escolas da cidade, lugares em que sua obra era usada nas aulas. Tive a grata oportunidade de acompanha-lo em muitas dessas incursões. Com a cara pintada de clown, fazia mimicas da história que ele lia para uma plateia de crianças curiosas.

Depois da história, ele era sabatinado pela criançada, e essa é a imagem mais forte de Artur que carrego em minha lembrança. Sua risada rasgada e gostosa e seu jeito simples de falar de coisas grandiosas estavam manifestadas naqueles momentos, revelando a verdadeira essência de seu grandioso artista.

Harlen Félix, repórter do Diário da Região

Orlandeli participa da obra

Divulgação Uma das páginas ilustradas por Orlandeli para a crônica Testador de Colchões
Uma das páginas ilustradas por Orlandeli para a crônica Testador de Colchões

O cartunista e ilustrador rio-pretense Walmir Orlandeli, que é colaborador do Diário da Região, integra o time de cartunistas amigos de Artur de Carvalho convidados para o livro. "Quando me perguntaram se eu topava, aceitei na hora. Adoro os textos do Artur e sabia que seria algo bem divertido de se fazer", conta.

Orlandeli ilustrou a crônica Testador de Colchões, uma divertida abordagem de Artur aos anúncios de emprego que casa perfeitamente com o estilo do cartunista. "Essa crônica, como a maioria dos textos do Artur, é carregada de humor e ironia. Combina demais com o meu tipo de trabalho. Apenas adaptei o texto pensando na estrutura narrativa dos quadrinhos. Pegar a essência e fazer com que ela funcione usando ferramentas de HQ."

Para o cartunista, pegar o texto de outra pessoa e transpô-lo para uma nova linguagem é um excelente exercício narrativo. "Se é um texto que você gosta, escrito por alguém que você admira, é bem prazeroso. O foco fica em passar as sensações que teve na leitura original, utilizando as ferramentas de outra linguagem."

E ele não poderia ter ficado mais satisfeito com sua participação. "Foi um trabalho que fiz com um prazer enorme e que acabou virando uma homenagem a uma pessoa muito querida. Também acho sensacional o fato de ver os textos do Artur serem lidos por mais pessoas." (BC)

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