Diário da Região

04/03/2018 - 00h30min / Atualizado 03/03/2018 - 20h10min

TRÂNSITO

O eterno duelo entre pedestre e carro

Disputa por espaços, pressa e imprudência deixam a relação entre pedestres, carros e motos cheia de conflitos, algumas vezes fatais

Pixabay A faixa de pedestres é o local ideal para quem vai atravessar a pé uma via pública e deve ser respeitada pelos veículos
A faixa de pedestres é o local ideal para quem vai atravessar a pé uma via pública e deve ser respeitada pelos veículos

A relação entre pedestres, carros e motos é marcada por vários momentos de conflito no dia a dia de Rio Preto. A disputa por espaços, a pressa e a imprudência elevam o estresse que pode ser medido pelo número de vítimas registradas. Em 2017 foram 17 mortes de pedestres nas vias de Rio Preto, segundo dados do Infosiga, banco de dados que reúne informações sobre acidentes em todos os municípios do Estado de São Paulo.

Nos últimos três anos, 56 pessoas perderam a vida em Rio Preto vítimas dessas ocorrências. Em 2016 foram 20 mortes e em 2015, outras 19.

O Corpo de Bombeiros da cidade atendeu cerca de 3.315 ocorrências de acidente de trânsito em 2017. Segundo a corporação, atropelamento está nas cinco primeiras posições do ranking. "Grande parte das ocorrências acontece em locais em que o pedestre não usa a faixa e a passarela. Outro caso comum é quando a pessoa também não utiliza a calçada para se locomover", diz o tenente Alexandre Neto. São atendidos diversos casos também que envolvem crianças. "Os pais devem manter o controle da criança sempre por perto, porque elas saem correndo, se separam dos pais e acabam sendo atropeladas", acrescenta.

"Via de regra é a conduta das pessoas no trânsito e a falta de observação do que está acontecendo ao seu redor que causam os problemas", comenta Marcos Apóstolo, secretário de Trânsito, Transportes e Segurança de Rio Preto.

O problema tem mão dupla. Se motoristas e motociclistas não respeitam a sinalização e causam acidentes com pedestres, estes atravessam em locais proibidos, não procuram a faixa e também não respeitam a sinalização destinada a eles. "É uma relação conflituosa e o pedestre é sempre o maior prejudicado", explica Marcos Sigrist, pós-graduado em Gestão, Engenharia e Operação de Tráfego. "Ocorre a falta de respeito. Um não respeita o outro e ambos não respeitam a legislação, principalmente os motoristas, pois a legislação é bem maior para eles."

Se comparada a outras cidades de porte semelhante no período de três anos, Rio Preto tem mais mortes por acidentes com pedestres do que Bauru (32) e Assis (10). menos do que Ribeirão (68) e Campinas (175) e o mesmo número de Santos (56).

Dos óbitos registrados na cidade entre 2015 e 2017, praticamente um terço (18 casos, ou 32,14%) aconteceu no período das 18 horas à meia-noite, quando há menos luz e maior dificuldade de visibilidade. "A iluminação não é o problema e sim o descuido. É você entrar na via sem prestar atenção, não observar as faixas e acessar as vias olhando de um lado só", afirma Apóstolo.

Com maior fluxo de trânsito, as vias urbanas são os principais locais de acidentes envolvendo motoristas e pedestres. Nestas vias ocorrem 46 dos 56 óbitos registrados nos últimos três anos e os outros dez em rodovias que passam pela cidade.

De acordo com dados contabilizados pela Associação Preventiva de Acidentes e de Assistências às Vítimas de Trânsito (Apatru), das 17 mortes do ano passado, 14 foram dentro da cidade. Os casos fatais foram registrados nas avenidas Bady Bassit, Fortunato Ernesto Vetorasso, Cenobelino de Barros Serra, Danilo Galeazi, Marginal Um e Alberto Andaló, bem como na rua Independência (cruzamento com Bernardino de Campos). Na rua Delegado Pinto de Toledo ocorreram duas mortes. Os outros óbitos não tiveram local identificado ou aconteceram em rodovias.

"As ocorrências são mais frequentes em locais com grande circulação de pedestres e veículos", afirmou o tenente. Ele recomenda que o pedestre sempre caminhe pela calçada e utilize as passarelas quando houver em avenidas e rodovias.

Lombofaixas

Criadas para proteger pedestres e evitar complicações, Rio Preto possui atualmente 23 lombofaixas (espécie de lombada larga, sobre a qual é instalada uma faixa para pedestre) espalhadas pela cidade. Elas obrigam os motoristas a diminuir a velocidade e facilita a vida dos pedestres.

"A função é facilitar a acessibilidade para os pedestres e também conscientizar os motoristas que eles têm que respeitá-los", afirma Amaury Hernandes, coordenador de Mobilidade Urbana. "Quem tem prioridade na via são os pedestres, depois os veículos. O maior tem que estar sempre respeitando o menor."

Hernandes informou que outras 15 lombofaixas serão instaladas até o final do ano na cidade.

(colaborou Victor Stok)

'Peço para ter paz no trânsito'

Guilherme Baffi 2/3/2018 Jose Leandro Seixas perdeu sua mãe, Ernestina, vítima de atropelamento em outubro de 2016
Jose Leandro Seixas perdeu sua mãe, Ernestina, vítima de atropelamento em outubro de 2016

Era outubro de 2016 quando José Leandro Seixas perdeu a mãe Ernestina, 68, atropelada na lombofaixa em frente à unidade de Pronto Atendimento (UPA) Tangará. "Minha mãe foi até a UPA para perguntar sobre alguns remédios e na volta, na lombofaixa, os carros pararam para ela atravessar, mas o motoqueiro não parou e a atropelou", disse José Leandro. "Peço para ter paz no trânsito. São necessárias educação e leis mais severas, já que ao infrator nada aconteceu", afirmou.

Para homenagear e fazer um manifesto contra a impunidade, Seixas fez uma camiseta com a foto da mãe. "Queria homenageá-la todos os dias, mas falta apoio." Para ele, muitas pessoas reclamam dos políticos pela corrupção, mas a pessoa infratora, que não respeita um sinal de pare, é também corrupta. "Precisamos de algo a mais, punições mais severas. Pensam em cadeias, mas cadeia é escola do crime. Quando falo em punição, penso em lavar banheiro de escola, pintar sarjetas e carpir canteiros no bairro onde mora, onde todos o conhecem", afirmou Seixas.

Partes mais frágeis do trânsito, pedestres e ciclistas são os que mais sofrem com as consequências dos impactos em acidentes. "Dependendo da velocidade do veículo, o pedestre tem risco cinco vezes maior de ter lesões em órgãos internos, fraturas, traumatismo cranioencefálico do que em outros tipos de acidentes", disse Rogério Yukiu, cirurgião geral do Hospital de Base

Enquanto em outros tipos de acidentes o próprio carro funciona como defesa, aos pedestres e ciclistas a única proteção que dispõem é o próprio corpo. "São comuns fraturas dos ossos longos, como o fêmur e úmero, porque são de sustentação e dão suporte ao tronco", acrescentou o médico. O úmero é o osso do braço, utilizado como proteção no momento da queda ou como reflexo para evitar o choque.

"Dependendo do impacto o risco de morte existe. O paciente pode ser submetido a cirurgia e precisar de dois a três meses para se recuperar e voltar à sua rotina normal. Há casos de traumatismo craniano e a recuperação pode chegar a um ano", disse Yukiu.

(colaborou Victor Stok)

 

FIQUE ESPERTO

Código de Trânsito Brasileiro (CTB) proíbe os pedestres de

Permanecer ou andar nas pistas de rolamento, exceto para cruzá-las onde for permitido

Cruzar pistas de rolamento nos viadutos, pontes ou túneis, salvo onde exista permissão

Atravessar a via dentro das áreas de cruzamento, salvo quando houver sinalização para esse fim

Utilizar-se da via em agrupamentos capazes de perturbar o trânsito, ou para a prática de qualquer folguedo, esporte, desfiles e similares, salvo em casos especiais e com a devida licença da autoridade competente

Andar fora da faixa própria, passarela, passagem aérea ou subterrânea

Desobedecer à sinalização de trânsito específica

Pedestre também vai ser multado

A partir de abril deste ano, ciclistas e pedestres poderão ser multados caso cometam infrações no trânsito. É o que define a Resolução 706/2017 do Conselho Nacional de Trânsito (Conatran) publicada em outubro do ano passado. A medida já estava prevista no Código de Trânsito Brasileiro (CTB) nos artigos 254 e 255, mas não tinham sido regulamentadas até então.

"Há sim o interesse em fiscalizar, estamos verificando a disponibilidade e como vai funcionar em outros municípios para termos parâmetros. Tem que ser uma lei que consiga fiscalizar e ter utilidade", diz o secretário Apóstolo.

Para os pedestres, as multas podem ser aplicadas caso fiquem no meio da rua, atravessem fora de faixa, passarela ou passagem subterrânea ou utilizem a rua sem autorização para festas, práticas esportivas, desfiles ou atividades que prejudiquem o trânsito. O valor da multa está previsto em R$ 44,19.

Os agentes de trânsito ou autoridades que constatarem a infração deverão preencher o auto de infração com nome, documento de identificação, CPF e endereço do infrator.

Também poderão ser autuados ciclistas que conduzam suas bicicletas por onde não seja permitida a circulação ou guiem de forma agressiva. A multa neste caso é de R$ 130,16. (VS)

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