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Diário da Região

08/03/2018 - 00h30min / Atualizado 07/03/2018 - 23h16min

O DIA DELAS

As várias faces da mulher Rio-pretense

Elas são muitas e ao mesmo tempo unem-se pelas mesmas causas. Para celebrar o dia internacional delas, Diário ouviu dezenas delas sobre as alegrias e desafios de ser mulher

Guilherme Baffi 7/3/2018 Regiane da Silva enfrenta com bom humor a rotina puxada.
Regiane da Silva enfrenta com bom humor a rotina puxada. "A maior guerreira é aquela que sai de casa e deixa seus filhos para trabalhar"

Ela é muitas. Mãe, amiga, namorada, esposa, amante, vaidosa, desleixada, trabalhadora, dona de casa. Sofre enquanto sorri e vice-versa, porque o mundo não pode parar só porque está cansada. Enquanto isso o despertador já tocou às 6h para que faxine a casa da patroa. Faz o café, bota a roupa para lavar, alimenta os pequenos, separa os livros da faculdade, para onde vai à noite. Tudo ao mesmo tempo e agora. Põe a sandália de salto de quinze centímetros e sai.

Ou calça o tênis, porque ninguém é obrigado a nada e desde 1960 ela já conquistou muitas liberdades e o calçado é a menor das preocupações - ou a maior delas, vai saber. Deixa o filho na creche e sai com um punhado de currículos embaixo do braço. A mulher também pode ficar em casa, cuidando das crianças e cozinhando para o marido, se foi isso que escolheu. A mulher rio-pretense é assim: mil faces. Elas são muitas, a maioria da população.

As brigas não são poucas. Mercado de trabalho, desigualdade salarial, assédio, malabarismo entre casa, filhos e trabalho, manter a feminilidade, atender às expectativas. Ser mulher dá trabalho, mas com a capacidade de acreditar que podem, que tudo vai dar certo, com delicadeza e determinação - isso sem nunca deixar de pensar nos outros -, elas são invencíveis e orgulhosas de serem mulheres. Para o Dia Internacional da Mulher, o Diário foi às ruas e ouviu dezenas delas.

Uma das cerca de 225 mil mulheres de Rio Preto é a vendedora Regiane Nascimento, 44 anos. Batom nos lábios e sombra no rosto, é assim que aborda os clientes convidando-os para entrar na loja. Ela trabalha desde os 13 e conta que o comércio anda com o movimento fraco. "Meu desafio é sair de casa com a cara e a coragem em um ônibus lotado, homens que ficam mexendo com a gente, para trabalhar. Deixar filho em casa para chegar no serviço. Isso é ser guerreira. A maior guerreira é aquela que sai de casa e deixa seus filhos para trabalhar", acredita.

 

Clique na imagem para ampliar  (Foto: Reprodução)

A encarregada administrativa e bacharel em direito Márcia da Silva, de 46 anos, tem orgulho em ser mulher e acha que isso é motivo para agradecer a Deus. "Porque temos o maravilhoso milagre de dar continuidade ao mundo. Temos o privilégio de amar incondicionalmente e poder manifestar isso sem nenhum problema. Somos inteligentes, conscientes, não gostamos muito de descanso, queremos aprender mais, mas somos frágeis e delicadas e adoramos ser paparicadas e amadas", afirma.

A fotógrafa Regiane Pavan, de 32 anos, é especialista em clicar imagens de famílias, sobretudo de gestantes. "A maior alegria em ser mulher é ter o poder de gerar outra vida, em nenhum outro momento vive-se essa plenitude", acredita. Não é só isso, porém. O brilho dela vem quando se aceita como é, independente de padrões impostos. "Nenhuma mulher é menos mulher por não ser alta, magra e rica. Somos o que desejamos ser, podemos conquistar o mundo através da nossa inteligência e trabalho."

Elizete de Barros Souza, dona de casa de 47 anos, trabalhava na área administrativa e financeira, mas hoje está desempregada e fazendo bicos. "O desafio é esse. Sou só eu e minha filha, sou divorciada. Você tem que se virar para conseguir o ganha pão."

Rafaela Fernanda Ferreira, de 26 anos, é gerente de uma pizzaria e diz que os clientes às vezes se surpreendem ao encontrá-la no posto. "Ficam desconfiados, mas quando veem que temos conhecimento e capacidade de resolver os problemas, ficam confortáveis com a situação".

A aposentada Ivone Varalda, de 71 anos, lembra que em sua juventude não havia tanta liberdade. "A gente era muito podado, era bem ruim. Uma mulher que separava do marido era feio, tinha que dar muita satisfação à sociedade. A gente nunca podia ser a gente mesmo, e isso melhorou muito."

Já a professora Bruna Giorjiani de Arruda, de 32 anos, acredita que as mulheres ainda são cerceadas. "Cobradas. Eu acho que ser uma mulher que enxerga essa situação e luta para transformá-la é algo que me faz alegre."

De olho no futuro

Josi Dias Pacheco, caixa de 32 anos, está grávida de Lívia, sua primeira filha. Ela relata que é assediada por clientes, mesmo gestante, e deseja um futuro diferente para a pequena. "Eu espero muito mais respeito, que não seja julgada pela roupa ou aparência e que a educação nas escolas melhore muito", sonha.

(Colaborou Tatiana Pires)

Desigualdade no mercado

Embora as mulheres sejam maioria no ensino superior, na média ainda ganham menos que os homens. É o que mostra o estudo "Estatísticas de Gênero: Indicadores das Mulheres no Brasil", divulgado nesta quarta-feira, 7, pelo IBGE.

Levando-se em consideração a população com 25 anos de idade ou mais que tinha ensino superior completo em 2016, as mulheres eram 23,5% e os homens 20,7%. Entre 2012 e 2016, as mulheres ganharam 25% menos que eles, na média. Foram R$ 1.764 ante R$ 2.306.

Em Rio Preto, em todas as faculdades que informaram o número de alunos ao Diário, as mulheres são maioria cursando graduação.

A psicóloga Melina Rodrigues Viscardi, de 33 anos, acha que a inserção no mercado de trabalho é o maior desafio e sentiu a discriminação que afeta os rendimentos na própria vida. "Preferem mais o homem do que uma mulher por causa de gravidez, cuidar de filhos. Apesar de eu não ter sentido essa diferença."

Fernanda da Costa Fernandes, estudante de física de 19 anos, relata que enfrenta preconceito até por parte de professores. "Que exatas não é lugar de mulher", diz. Mãe de um filho, enfrenta mais dificuldades por isso. "Acho que o maior desafio é mostrar que você realmente é capaz mesmo sendo mulher, tendo filho, sendo jovem."

A enfermeira Sueli Kaiser acredita que a melhor coisa de ser mulher é a maternidade. "Depois ter o carinho, ter que cuidar da sua família, do seu marido, dos seus filhos, é uma alegria é uma dádiva." Ela aponta que o desafio é a equidade de gênero e os direitos iguais entre homens e mulheres.

De acordo com a pesquisa do IBGE, elas dedicam mais tempo que eles às tarefas domésticas. As mulheres trabalham por 18,1 horas por semana, enquanto eles ficam com 10,5.

A vendedora Rossemaire Ribeiro, 59 anos, resolveu deixar o marido porque ele não a ajudava. Mãe de dois filhos adultos, ensinou aos meninos as tarefas domésticas. "Se você é casado ou mora junto, um sozinho não funciona", acredita.

Franciele da Silva, vendedora de 26 anos, é mãe de duas crianças. Ela acredita que as tarefas da casa ficam mais por conta da mulher. "Acaba sobrando mais para a gente que é mãe. O marido é mais trabalhar, chegar em casa e já está tudo feito." (MG)

As meninas da Cooperlagos

Mara Sousa 7/3/2018 Laiane, Beatriz, Karoline e Silmara Monteiro, na Cooperlagos
Laiane, Beatriz, Karoline e Silmara Monteiro, na Cooperlagos

As mulheres também são destaque na Cooperlagos, que acolhe e emprega vítimas de violência doméstica, imigrantes e outros grupos vulneráveis.

Beatriz Augusta, de 38 anos, não nasceu como pertencente ao gênero feminino, mas é assim que se identifica. Transexual, encontrou dificuldades no mercado de trabalho. "Acham que uma trans não tem capacidade, mas temos como qualquer ser humano."

Para Silmara Monteiro Lima, catadora de 35 anos, a mulher é uma pessoa batalhadora e guerreira. Ela foi vítima de violência doméstica - atualmente, não está mais com o companheiro que a agrediu e tem um conselho para quem vive situação parecida. "Se não der certo, é cada um para si e ser feliz, não ficar passando violência."

Laiane Vieira da Silva, catadora de 34 anos, diz que não encontra dificuldades em ser mulher. "Hoje em dia está se superando em tudo, se esforça no trabalho." O mesmo ponto de vista tem Karoline Fernanda Delfino Miola, que tem orgulho de ser mulher. "Hoje a gente é bem vista, antigamente tinha preconceito, não pode isso, não pode aquilo. Estamos conquistando nosso espaço." (MG)

análise

Em defesa do jeito feminino de ser e viver

Eu penso que o que é feminino é poder realizar as coisas com mais doçura, mais tranquilidade, mais intuição. Acho que a maternidade é uma coisa extremamente feminina, a mulher que se realiza com a maternidade é muito mais feliz do que aquela que vê a maternidade como uma sobrecarga, duas jornadas, acho que ela não é aproveitada direito. A mulher é mais feliz quando aproveita bem o que é feminino.

Não significa que quem não for mãe não vai ser feliz. Eu penso que tem muitas coisas que realizam a mulher, por exemplo, o trabalho, desde que ela faça aquilo que faça bem, que corresponda ao que ela é, ao que ela gosta.

Os desafios são manter de uma forma feminina as conquistas que a mulher teve nas áreas de trabalho, nas áreas de viver fora da casa. Eu vejo que muitas vezes as pessoas imaginam que o mundo do trabalho é masculino, então quando uma mulher vai para o trabalho ela acaba querendo fazer isso de uma maneira masculina, e isso não realiza a mulher.

Qualquer área que ela estiver e quiser é importante que pergunte se está vivendo isso como o que é de verdade, se está podendo se realizar como mulher no que faz. Mesmo no namoro, na vida amorosa, a mulher tem um jeito de ser que é um jeito de cuidar da casa, um jeito de se arrumar bem para estar junto com o outro, de ser carinhosa, que acho que é um jeito feminino de fazer isso.

A mulher é romântica, eu penso que se ela abandona um pouco do seu jeito de ser, do que eu observo em geral, ela não fica realizada. Eu acho que a mulher precisa conquistar tudo que ela conquistou e mais do que ela vem conquistando, não esquecendo que tem o jeito feminino. Quando isso é feito acho que ela fica muito mais realizada no seu namoro, no seu casamento, na sua vida. Eu acho que a mulher luta muito por si e pelo outro.

Mari Terra Verdy, psicóloga

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