Diário da Região

06/03/2018 - 10h25min / Atualizado 06/03/2018 - 10h25min

Feminicídio boliviana

Júri popular de réu é adiado para junho

O julgamento foi cancelado por conta de um atestado médico da advogada de defesa Gisele de Oliveira Lima. Jurados e sete testemunhas foram liberadas

Reprodução A enfermeira boliviana Maribel Nina, morta em 2015 pelo companheiro, William Egri
A enfermeira boliviana Maribel Nina, morta em 2015 pelo companheiro, William Egri

O júri popular do réu Diego Ferreira Egri, 29 anos, acusado de feminicidio pela morte da enfermeira boliviana Maribel Nina foi adiado para o dia 12 de junho. O julgamento que estava previsto para às 13h30 desta terça-feira, 6, foi cancelado por conta de um pedido de adiamento com atestado médico da defesa do reú, a advogada Gisele de Oliveira Lima. O juiz auxiliar da 5ª Vara Criminal, Cristiano Mikail, presidiria o júri. O crime aconteceu no dia 21 de junho de 2015, na casa dos pais do rapaz, no bairro Solo Sagrado. 

Com o anúncio do adiamento, civis que seriam sorteados para a bancada dos sete jurados e outras sete testemunhas intimadas para depor foram liberados. O réu que está preso no Centro de Detenção Provisória (CDP) desde o crime também aguardava o julgamento no primeiro andar do Fórum Central. Para o promotor responsável pela acusação, Marco Antônio Lelis Moreira, o adiamento não deve interferir no julgamento. "Infelizmente adiou, já tinha estudado o caso, mas de qualquer jeito não muda nada porque ele já está preso", afirmou.

Para a mãe do acusado, Rosimeire Ferreira Egri a família também não esperava pelo cancelamento. "É angustiante, mas temos que esperar a vontade de Deus". Já familiares da vítima, assassinada com golpes de canivete no pescoço, não compareceu ao Fórum. Isso porque desde que os avós maternos, Teodócio Tancada Nina e Reynalda Nina Ramos, conseguiram a guarda provisória da filha do casal, uma garota de três anos, a família voltou para a Bolívia.

Para os pais de Egri, reú no caso e pai da criança, a família não poderia ter saído do país com a criança. "Há dois anos e pouco que não sei onde ela (criança) está", disse Rosimeire. "Ninguém tem notícia", complementou o avô paterno, Jair Egri. 

Procurado pela reportagem, o juíz da Vara da Infância e Juventude, Evandro Pelarin, informou que o processo sobre a guarda da garota está arquivado. Segundo o juiz, na época do crime a criança ficou na responsabilidade dos avós paternos. Depois da avó desaparecer com a criança, o juíz concedeu a guarda provisória para os avós maternos. 

Em maio de 2016, depois dos pais de Maribel ter voltado para a Bolívia e os pais de Egri ter voltado a requerer a guarda da criança, Pelarin expediu um mandado de busca e apreensão. "A justiça confiou a a guarda provisória e aparentemente houve uma quebra dessa confiança", disse Pelarin. Apesar do impasse, o processo foi arquivado em março de 2017, por conta da falta de comunicação da defesa da família dos pai da menina. "Ficou a cargo deles entrar em contato com as autoridades bolivianas, foram intimados, mas não houve comunicação", disse o juiz. 

Para o caso voltar em andamento os avós paternos precisam propor uma nova ação para que o processo seja reaberto. 

Crime

Maribel morreu depois que o companheiro a atingiu no pescoço com golpes de canivete. Preso pela Polícia Militar, o acusado aguarda o júri no Centro de Detenção Provisória (CDP). No dia em que foi detido, ele disse à polícia que a briga com a mulher começou porque a vítima ameaçava a voltar para a Bolívia com a filha.

Segundo informações do boletim de ocorrência, Maribel foi golpeada depois de tentar atingir Egri com a arma, enquanto o rapaz estava deitado. Afirmação refutada hoje pelo Ministério Público, responsável pela acusação. No dia do crime, Maribel chegou a ser socorrida com vida pelo Corpo de Bombeiros, mas morreu na Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) da Zona Norte.

Violado

Um dia depois do sepultamento do corpo da enfermeira, o túmulo foi violado no cemitério São João Batista. O corpo da boliviana foi encontrado nú ao lado do caixão, com alguns alimentos e uma garrafinha de água com o rótulo "tratamento espiritual". A violação foi investigada pela Polícia Civil como suposto ritual religioso.

Na Bolívia, onde Maribel nasceu, parte da população é descendente dos incas - povo ancestral que tinha como ritual sepultar os mortos com comida e bebida. Na época, a família de Maribel negou ser adepta da crença. 

Denúncia 

Para o Ministério Público, William Egri deve ser condenado por feminicidio, crime hediondo contra mulher em razão do sexo. O promotor ainda sustenta duas qualificadoras contra o acusado, motivo torpe (fútil) e impossibilidade de defesa (surpresa). Desta forma Lelis, pede uma pena entre 12 e 30 anos. "Apesar dele alegar que foi atacado, o laudo necroscópico mostra que a vítima sofreu vários golpes no pescoço. No mínimo 12 anos de prisão", afirmou o promotor.

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