Diário da Região

05/03/2018 - 22h43min / Atualizado 05/03/2018 - 22h43min

SINAL DE ALERTA

Dez acidentes de trabalho por dia

Essa é a média de ocorrências em empresas rio-pretenses, segundo dados do Ministério Público do Trabalho. Hospitais, comércio e construção pesada são onde trabalhadores mais sofrem acidentes

Em 2017, foram registrados 3.646 acidentes de trabalho em Rio Preto. Os números correspondem a dez registros a cada dia. Os trabalhadores do atendimento hospitalar, do comércio varejista (mais especificamente de hipermercados e supermercados) e a construção de rodovias e ferrovias são os que mais sofrem acidentes de trabalho. Entre 2012 e 2017, foram 25.814 ocorrências no município, e os três setores corresponderam juntos por 25,2% delas. Os dados são do Observatório Digital de Saúde e Segurança do Trabalho, do Ministério Público do Trabalho.

De acordo com Reinaldo Dalur, presidente do Sindicato da Saúde de Rio Preto, as ocorrências mais frequentes são as de trajeto, acidentes com materiais perfuro-cortantes, contato com material biológico (como sangue, urina, fezes, secreções e pruridos), excesso de esforço físico com pacientes e quedas em mesmo nível ou de algum desnível.

"Esses acidentes acontecem em maior número nas mudanças de turno. A incidência à noite cai consideravelmente por conta da diminuição do fluxo e da administração de medicações e atendimentos", afirmou.

Uma enfermeira rio-pretense relata que em fevereiro de 2017 estava em atendimento e torceu o pé quando foi devolver os prontuários. "Fiquei com muito receio de ser demitida pois em três anos de trabalho não tinha pegado atestado, foi descuido por parte da empresa que deixou um buraco aberto no meio do local onde guarda os prontuários e, mesmo com o calçado adequado, a torção foi inevitável", relata.

Em 2016, de acordo com a Secretaria Municipal da Saúde, foram contabilizados 429 acidentes em hospitais - 361 deles foram no estabelecimento e 68 no trajeto. Nas unidades de saúde, foram 115 registros, sendo 87 no interior e 28 no caminho.

 

Clique na imagem para ampliar  (Foto: Reprodução)

Para os sindicatos dos comerciários, tanto o patronal quanto dos trabalhadores, o maior número de acidentes acontece quando o funcionário está em trânsito para o trabalho ou voltando para casa. Já Nelson Ioca, do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Construção Civil, acredita que a maior parte dos acidentes seja causada por cortes, pancadas de ferramentas ou queda de pequenas alturas.

João (nome fictício), 34 anos, trabalha em uma fábrica de artefatos de metal. É necessário polir essas peças em uma máquina. Segundo o empregado, o equipamento não tinha a proteção correta e estava em um local apertado. Em 12 de janeiro a correia da máquina provocou um acidente."É um minuto de bobeira. Levou minha mão direita, enroscou a luva, tentei tirar a mão. Deu fratura nos terceiro e quarto dedos, no terceiro fratura exposta. A sorte é que eu estava com a luva, se estivesse sem tinha arrancado o dedo", lembra. Ele não está com a carteira assinada. "Dá um desespero. No começo fiquei meio apreensivo, não tenho estabilidade. Não tinha como dar entrada no INSS", afirma ele, que voltou a trabalhar no último mês.

Em 2017, foram registradas quatro mortes por acidentes de trabalho em Rio Preto, número 50% inferior às oito registradas em 2016. Uma dessas vítimas foi o eletricista Florisvaldo Aparecido de Oliveira, conhecido como Branco. Em 11 de fevereiro, ocorreu um vazamento na cobertura do shopping onde ele trabalhava. Um bombeiro e Florisvaldo começaram a isolar o local. Foi quando o eletricista disse que iria verificar de onde a água estava saindo. Ele foi encontrado 40 minutos depois, caído sobre o para-raios.

Legislação

O Ministério do Trabalho determina que as empresas que possuírem empregados contratados pela CLT devem manter serviços especializados em engenharia de segurança e medicina do trabalho com o objetivo de promover a saúde e proteger a integridade do trabalhador. O empregado que sofrer acidente de trabalho e precisar de afastamento deverá receber seu salário durante esse período. Após retornar, ele tem estabilidade garantida por pelo menos 12 meses.

Vinte por cento são afastados

No ano passado, 20% dos trabalhadores que sofreram algum acidente em serviço precisaram ser afastados, o que gerou uma despesa de R$ 2,7 milhões - os primeiros 15 dias da licença são pagos pelo empregador; o restante necessário, pelo INSS. Precisaram se ausentar 732 dos 3.646 empregados que tiveram algum problema.

De acordo com o Ministério Público do Trabalho, desde 2012 funcionários rio-pretenses perderam 635,6 mil dias de serviço por conta de acidentes. Em seis anos, as despesas dessas ausências chegam a R$ 32 milhões.

Os setores que provocaram maior número de afastamentos são atividades de atendimento hospitalar; comércio varejista de mercadorias em geral, com predominância de produtos alimentícios; transporte rodoviário de carga; comércio de peças e acessórios para veículos automotores e restaurantes e outros estabelecimentos de serviços de alimentação e bebidas.

Os acidentes mais comuns são fratura no nível do punho e da mão; fratura da perna e pé, incluindo tornozelo; fratura do antebraço e traumatismo de região não especificada do corpo.

Segundo o MPT, a maior parte dos acidentes foi causada por máquinas e equipamentos (15%), atividade em que as amputações são 15 vezes mais frequentes e que gera três vezes mais vítimas fatais que a média geral. Para o procurador Luis Fabiano de Assis, "os dados demonstram a carência de medidas de proteção coletiva e de políticas de prevenção específicas para máquinas e equipamentos". (MG)

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