Diário da Região

03/03/2018 - 19h45min / Atualizado 04/03/2018 - 09h37min

MAIS UM PASSO

Processo para beatificar padre Angioni entra na fase final

Hoje é celebrado o término dos trabalhos diocesanos para a beatificação de Monsenhor Ângelo Angioni; processo segue, agora, para o Vaticano

Sergio Isso MONSENHOR ANGELO AnGIONI Foto Reprodução
MONSENHOR ANGELO AnGIONI Foto Reprodução

O processo de beatificação do Monsenhor Ângelo Angioni, religioso que viveu a maior parte de sua vida em José Bonifácio, dá mais um passo neste domingo, 4.

Na Paróquia São João Batista, em José Bonifácio, foi celebrada a missa de encerramento da fase diocesana do processo de beatificação. Postulares de Roma estão desde segunda-feira na cidade para acertar os últimos detalhes antes de o processo seguir para o Vaticano.

Segundo o padre Cesarino Pietra, que está à frente da comissão que preparou a documentação do processo de beatificação de Angioni, serão apresentados mais de 400 livros com documentos ao papa Francisco.

"O papa vai avaliar se vale a pena continuar com o processo. Se ele falar 'prossegue', já alcança o título de venerável. Mas daí para frente serão mais cinco, dez, ou até doze comissões," disse o padre.

Se peritos do Vaticanos comprovarem um milagre, o Monsenhor receberá o título de beato. Após a beatificação, se for comprovado mais um milagre, será canonizado e receberá o título de santo. O processo é longo e pode durar décadas, já que depende de fiéis para relatar e comprovar sobre os possíveis milagres.

Coração

A Congregação para a Causa dos Santos, no Vaticano, deu a autorização para iniciar processo canônico para a beatificação e canonização do padre em 2015. Um dos primeiros passos, a exumação do corpo, revelou uma grande surpresa e Monsenhor Ângelo Angioni ficou ainda mais conhecido.

Postuladores de Roma - responsáveis por recolher informações para beatificações - perceberam que o coração estava intacto e não se deteriorou mesmo após sete anos de sua morte. O caso ganhou grande repercussão nacional e internacional, já que normalmente em até dois anos os corpos enterrados estão totalmente decompostos, principalmente os órgãos, pois o processo de decomposição do corpo humano começa de dentro para fora. A preservação do coração não é considerado um milagre pelos postuladores, mas pode ajudar indiretamente ao atrair mais devotos para o padre. O coração está em uma caixa lacrada dentro da igreja de Bonifácio.

Angioni foi muito mais do que um padre

Além das atividades religiosas, Ângelo Angioni foi responsável por grande parte do desenvolvimento do município. Ajudou a construir escolas, capelas, um instituo missionário para a formação de padres e freiras. Angioni também foi um autor sacro, com alguns livros já publicados.

"Era muito dedicado, atendia os fiéis que vinham fazer confissões até tarde da noite. Quando morreu, não tinha nada, só a batina que ele levou junto no caixão', disse o padre Mario Ziati Pereira Pereira.

De acordo com relatos de moradores de José Bonifácio, o monsenhor Ângelo era considerado um apóstolo de Maria. Sua devoção sustentava-se no oferecimento da sua vida à Maria Santíssima, se espelhando na santa como exemplo de humildade e simplicidade.

De acordo com o dentista Renato Lopes, morador de José Bonifácio, o monsenhor foi apelidado carinhosamente pelos moradores de Padre Anjo, fazendo uma analogia ao nome do sacerdote. "Consideramos ele como uma anjo na nossa cidade, já que grande parte da história de José Bonifácio foi escrita com a ajuda dele. Ele não foi só um padre da cidade, foi uma figura além do padre. Todos respeitavam muito ele, inclusive pessoas de outras religiões" disse o morador. (IM)

Mais de 300 milagres

Arquivo pessoal Advogado José Ricardo (no meio) ao lado do local onde estão os restos mortais do padre; ele e a família viajaram de Recife para Bonifácio
Advogado José Ricardo (no meio) ao lado do local onde estão os restos mortais do padre; ele e a família viajaram de Recife para Bonifácio

De acordo com o atual padre da paróquia de José Bonifácio, Mario Ziati Pereira, existem mais de 300 milagres atribuídos a Monsenhor Ângelo Angioni, mas nem todos são comprovados da forma imposta pelo Vaticano. Entre os mais consistentes estão o de uma criança que foi curada de uma leucemia.

Outro milagre atribuído a Angione é o do advogado José Ricardo dos Santos, de Recife. Ele foi diagnosticado com isquemia moderada transitória no coração, ou seja, falta de sangue no coração quando se faz esforço.

Na véspera da realização de novos exames, José Ricardo viu na televisão uma reportagem sobre a exumação do corpo do monsenhor. "Na mesma hora que vi, eu rezei para ele, 'Padre, quem entende de coração é o senhor. Depois de sete anos do seu coração ser enterrado, ele ainda esta intacto'. Aí fiz uma promessa, pedindo que se meu exame desse zerado, sem nenhuma alteração, sairia daqui de Recife e iria até Bonifácio levar os dois exames, o que deu problema e o que não deu nada".

O advogado fez os exames no dia seguinte e, nos resultados o coração de José Ricardo não deu nenhuma obstrução.

"Em outubro do mesmo ano, fui até José Bonifácio, assisti a missa, relatei o caso para eles, mostrei os exames e minha família ficou devota dele", completou o advogado.

Se tudo ocorrer como previsto, o Monsenhor será o terceiro beato da Diocese de Rio Preto, que conta ainda com o Beato Mariano de La Mata, de Engenheiro Schmitt, e Madre Assunta Marchetti, que trabalhou em Mirassol. Está em trâmite também no Vaticano o processo de beatificação de padre Albino, da Diocese de Catanduva. (IM)

Data da morte virou feriado

Angioni nasceu em Bortigali, Itália, no dia 14 de janeiro de 1915. Foi ordenado padre aos 23 anos e chegou a José Bonifácio em 1951, onde atuou por quase 60 anos. O título de Monsenhor foi uma honra conferida pelo papa João XXIII em reconhecimento aos serviços prestados à igreja.

Em 2000, sofreu um AVC, ficando quatro anos na cadeira de rodas, mas continuou atendendo a população até 2004, quando sofreu o segundo AVC, o levando ao coma até a data de sua morte, em 15 de setembro de 2008 em José Bonifácio.

Após a morte do monsenhor, o dia 15 de setembro se tornou um feriado municipal em José Bonifácio. "Para celebrar o 'Dia da fraternidade e da ação em favor ao próximo', fazemos várias ações na cidade, como celebração de casamentos comunitários, plantio de árvores, exames de médicos, além de vários ações em volta da praça central para arrecadar fundos para a causa de beatificação", contou o dentista Renato Lopes. (IM)

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