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Cão espera dono que morreu há quatro meses em porta de hospital

O animal chegou a ser levado para um canil, mas ele fugiu e voltou para o hospital


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Novo Horizonte

Um cãozinho de Novo Horizonte está chamando a atenção por conta de sua fidelidade. Todos os dias é possível vê-lo em frente ao prédio da Santa Casa da cidade. Ele está lá há cerca de quatro meses à espera de seu dono que estava internado, mas já morreu.

A história do cão viralizou nas redes sociais após a advogada Cristine Sardella, de 45 anos, postar uma foto contando a história. Em questão de minutos foram inúmeras curtidas e compartilhamentos. “Eu me sensibilizo muito com a situação de cachorros de rua. No mês passado, eu fui no hospital aguardar pelo meu médico que estava em cirurgia. Fiquei cerca de duas horas aguardando e o cachorrinho ficou me olhando”, diz a advogada.

“O que me chamou a atenção foi que as pessoas passavam e ele dava espaço. Fiquei reparando isso. Passou uma pessoa numa cadeira de rodas e ele saiu. Foi quando perguntei para uma recepcionista porque que ele ficava ali, e ela me disse que ele era de um morador de rua que havia sido esfaqueado,” conta Cristine.

O dono do cão morreu no dia 31 de outubro de 2017, após uma briga de rua. O crime foi em uma praça da cidade. Na época, após uma discussão, um homem desferiu golpes de faca contra o dono do animal, que foi socorrido, mas não resistiu aos ferimentos. De acordo com a equipe, ele acompanhou os bombeiros, continuando na portaria mesmo após o seu dono morrer. “Eu olhei para ele e ele olhava com um olhar tão triste”.

A advogada conta que a ideia de postar nas redes sociais surgiu com o intuito de ajudar o animal. “Como eu não posso levá-lo para casa, eu postei para saber se alguém poderia cuidar dele. Eu gosto muito de animal, e tenho dois cachorros adotados."

O cão chegou a ser levado para uma canil da cidade, mas o amor falou mais alto e ele fugiu. O animal caminhou mais de três quilômetros até chegar novamente ao hospital. “Eu me senti feliz em saber que agora as pessoas da cidade estão ajudando. Os animais não podem falar, mas nós podemos ser tradutores dos sentimentos deles”, conclui Cristine.

Luto animal

O veterinário André Luiz Baptista Galvão diz que é recomendável que o animal passe por atendimento com um veterinário caso fique por muito tempo abatido após a perda do dono. “Uma maior atenção deve ser dada a este animal, com atividades de enriquecimento ambiental, com brincadeiras, e opções em petiscos e atividades prazerosas que o cão já gostava de realizar.”

Segundo André, informações sobre as fases do luto em animais são escassas, e os poucos estudos indicam que devido ao comportamento em grupo de algumas espécies, o animal pode apresentar mudanças comportamentais. “As alterações podem ser uivos, micção e defecação fora do lugar determinado, destruição de objetos, desconforto, tristeza, podendo também até perder o apetite.”

Para evitar que o cão sinta a perda de forma significativa de outro cão companheiro ou do tutor, é indicado que desde filhote os cães sejam bastante estimulados e socializados com todos os membros da casa, sejam humanos ou outros cães e outros animais.

(Colaborou Rone Carvalho)