Diário da Região

09/03/2018 - 13h12min / Atualizado 09/03/2018 - 13h12min

SUSPEITA DE LATROCÍNIO

Rio Preto registra terceiro latrocínio em 15 dias

Desta vez a vítima foi um comerciante do bairro Parque Industrial

Mara Sousa Local onde o homem de 50 anos foi encontrado
Local onde o homem de 50 anos foi encontrado

A Polícia Civil de Rio Preto irá investigar o terceiro latrocínio, roubo seguido de morte, registrado em Rio Preto neste ano. O crime, ocorrido 15 dias depois do primeiro caso, foi registrado nesta sexta-feira, 9, em uma casa nos fundos de uma loja de móveis usados, na rua Osvaldo Aranha, no bairro Parque Industrial. No local, região movimentada da cidade, vizinhos encontraram, às 10h, o comerciante Márcio Antonio Galhardo, de 50 anos, morto e amarrado. Uma moto e um notebook foram levados do local. Segundo familiares, circuito de câmeras de estabelecimentos vizinhos flagraram a ação de ao menos dois suspeitos. O caso está sendo investigado pela Delegacia de Investigações Gerais (DIG). 

Depois de desconfiarem do portão aberto e encontrarem o corpo do comerciante, testemunhas acionaram uma viatura da Guarda Municipal que fazia ronda pelo bairro. Já no local, segundo o coordenador da GCM Vitor Cornachioni, os guardas encontraram Galhardo com as mãos amarradas com fios elétricos, os pés amarrados com um cinto, com a cabeça coberta e um lençol envolvido no pescoço da vítima. "De pronto acionamos o Samu, mas era visível o óbito ainda na madrugada", afirmou o coordenador. Ainda segundo os GCMs, no local não havia sinais de arrombamento na casa. "A chave do estabelecimento estava jogada no quintal da casa, sem nenhum sinal", disse Cornachioni. 

Dentro da residência, no local onde o comerciante foi encontrado, a Guarda Municipal também deparou com objetos caídos e sangue da vítima no chão. "Alguns móveis derrubados próximos ao corpo. Isso explica o fato que eles possam ter entrado em luta corporal", afirmou o coordenador. "Havia bastante sangue também e hematomas na cabeça", complementou. Versão confirmada pelo delegado que registrou o caso, Marcelo Goulart da Silva. "Corpo não tinha sinais de facadas ou tiro, mas ele foi muito agredido, mas a causa só vai ser esclarecida com o exame necroscópico", disse. O corpo foi encaminhado para o Instituto Médico Legal (IML). 

Dinheiro

Aos investigadores, familiares do comerciante contaram que um dia antes do crime, Galhardo teria negociado um carro. O dinheiro resultado da venda do veículo pode ser uma das pista para a causa do roubo seguido de morte. Suspeita que a Polícia Civil irá investigar. "Possivelmente os autores teriam ido lá buscar e teriam batido bastante nele para entregar o dinheiro. Mas não temos certeza dessa hipótese", disse o delegado. Do local, os autores do crime levaram também uma moto Honda 300R, preta, ano 2011, com placa BYS 2140, de Rio Preto e um notebook.

Testemunhas

Testemunhas que trabalham próximo ao comércio afirmaram a reportagem que a vítima sempre foi uma pessoa tranquila e que nunca teve problemas com a vizinhança. "Ele era conhecido da gente, muito humilde, não brigava com ninguém", disse o mecânico Roberto Stopa, de 59 anos. "Ontem mesmo ele me pediu um carregador de bateria, depois me entregou, tudo normal", complementou. 

Câmeras

Segundo relato do filho do comerciante, Rafael Galhardo, as imagens das câmeras de monitoramento de estabelecimentos vizinhos ao comerciante flagraram dois suspeitos brancos e altos chegando na casa por volta das 2h30 da madrugada desta sexta-feira, 9. De acordo com o rapaz, os homens, ainda não identificados pela polícia, chegaram na residência da vítima, chamaram o comerciante no portão e entraram na casa com autorização do pai. Pelas imagens, a hipótese da família é de que o homem conhecia os suspeitos. "Faz 20 anos que eu moro aqui e eu nunca tinha vistos os caras. Eu não conhecia, mas pelo jeito meu pai conhecia, porque ele abriu o portão para eles entrarem", relatou. "Depois eles desceram a rua na contramão empurrando a moto", finalizou. O circuito já está com o delegado da DIG, Wander Luciano Solgon.

Três latrocínios em 15 dias

O primeiro caso de latrocínio de 2018, em Rio Preto, foi registrado no dia 22 de fevereiro, quando o mototaxista Sidnei Aparecido de Oliveira, de 60 anos, morreu depois de ter a moto que usava para trabalhar furtada. O crime aconteceu em uma avenida entre os bairros Vila Toninho e Brejo Alegre. 

O mototaxistas foi esfaqueado no pescoço e agredido na cabeça com uma pedrada durante uma corrida com o assassino. O suspeito, de 25 anos, foi preso pela investigação da Delegacia de Investigações Gerais (DIG). Um segundo suspeito foi identificado e está sendo procurado pelos policiais. "Provamos a autoria do crime, estamos com o suspeito preso e agora estamos atrás do segundo envolvido", afirmou o delegado titular da DIG, Fernando Augusto Tedde.

Quatro dias depois, o designer gráfico Guilherme Queiroz Gazola, de 24 anos, foi encontrado morto pela mãe, dentro da própria casa, no bairro Dom Lafayete. O corpo do jovem também foi encontrado amarrado e com marcas de asfixia. Um carro que estava na garagem foi levado depois do assassinato, com objeto da casa. O veículo foi abandonado um dia depois do crime. "Deste caso estamos aguardando os resultados dos laudos necroscópicos para para identificar a autoria", afirmou Tedde.

Terceiro caso foi registrado nesta sexta-feira, 9, com a morte do comerciante, no Parque Industrial. "Começamos a investigar. Vamos respeitar a dor da família para colher mais depoimentos e mais provas", disse o delegado. Investigação que, à princípio, fica a cargo do delegado assistente Wander Luciano Salgon.

"A beira do caos", diz jurista

Para o professor de processo penal e promotor de Justiça aposentado, Antônio Baldim, a onda de violência, com requintes de crueldade, que atingiu Rio Preto nos últimos dias denunciam a beira do caos que as cidades brasileiras vivem em relação a segurança pública. De 1º de janeiro deste ano até nesta sexta-feira, 9, a cidade registrou dez homicídios, entre eles, os três latrocínios. 

Quando comparado com as estatísticas da Secretaria de Segurança Pública (SSP), a cidade já registrou metade dos crimes de roubo seguido de morte ocorridos no ano passado. Em 2017, foram seis crimes do tipo. Já no total, durante todo o ano passado, Rio Preto registrou 31 assassinatos em 2017. 

Estatísticas que para Baldim é um reflexo da própria "desestruturação" da polícia de combate ao crime. "Os índices de violência vão atingindo proporções absurdas. Temos o Rio de Janeiro sob intervenção, estamos vivendo o caos. Momento de muita preocupação", afirmou Baldim.

Para o jurista, este aumento da crueldade das ações criminosas revelam uma tendência da violência também no interior dos estados. "O crime torna uma profissão. É rendoso hoje a profissão chamada ladrão porque só 2% dos casos são esclarecidos", disse. "A polícia também está deficitária e a sociedade amedrontada", finalizou. 

Polícia Civil 

Para a Polícia Civil a onda de crimes contra a vida que vem sendo registrada no município atinge todas as cidades do pais. A afirmação é do delegado titular da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), Fernando Augusto Tedde. "Esses crimes contra o patrimônio são só um momento. Mas também estão relacionados à crise. Muita gente sem condição financeira", complementou o delegado.

Polícia Civil 

Já a Polícia Militar apenas afirmou por nota que cada caso tem motivações próprias. "O que se denota em comum é a audácia, ousadia e brutalidade dos criminosos, que almejam subtrair o patrimônio alheio mesmo ao custo de vidas humanas. Nesse ponto, a Polícia Militar envida todos seus esforços para a captura desses criminosos", afirmou a resposta oficial da comunicação do Comando de Policiamento do Interior, o CPI5. 

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