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Diário da Região

26/03/2018 - 15h30min

MEIO AMBIENTE

Lagarto ferido com piche retorna à natureza

Um lagarto que havia sido encontrado dentro de uma máquina de piche de uma usina de asfalto, em Catanduva, recebeu alta e foi solto em uma mata da região nesta segunda-feira, dia 26

Mara Sousa 26/3/2018 Lagarto Teiu
Lagarto Teiu

Após 18 dias de internação, um lagarto que havia sido encontrado dentro de uma máquina de piche de uma usina de asfalto, em Catanduva, recebeu alta e foi solto em uma mata da região nesta segunda-feira, dia 26. Outros dois lagartos, resgatados juntos no último dia 8, morreram durante o tratamento no Hospital Veterinário da Unirp, em Rio Preto. Desde 2003, o Hospital da Unirp já atendeu 3,1 mil animais silvestres vítimas de maus tratos ou atropelamentos. A maioria dos animais feridos são aves.

O médico veterinário e diretor da instituição, Halim Atique Neto, contou que os três animais chegaram bastante debilitados, desidratados e estressados. Um deles teve uma fratura em um dígito, equivalente a um dedo humano. "Foi preciso desentupir orifícios, como boca, nariz e ouvido, além de lavagens estomacais e intestinais. Eles estavam todos cobertos pelo piche e também estavam debilitados por conta de ingestão dessa substância", disse.

Os lagartos da espécie Teiú têm cerca de dois anos. Considerado comum no Brasil, o teiú pode medir até 1,5 metro e vive aproximadamente 15 anos. "São répteis que não vivem juntos. Eles vivem isolados. Eles estavam juntos por causa da fase reprodutiva, estavam atrás da fêmea, inclusive disputando a cópula. Ela entrou na máquina de piche e eles entraram atrás ", afirmou o médico veterinário.

Ainda de acordo com Atique acrescentando que a fêmea morreu logo nos primeiros dias de internação porque não conseguiu expelir o piche. Na necrópsia foi constatada presença de piche em todo trato gastrointestinal. "Essa substância acabou gerando uma intoxicação, ausência de trânsito e desnutrição, que não havia como tratarmos, e ela acabou vindo a óbito."

Já o segundo animal, um macho, morreu no último sábado, dia 24. A suspeita é de que a causa da morte tenha sido intoxicação, embora, segundo Atique, não havia mais piche no trato gastrointestinal. "Como o metabolismo desses animais é extremamente lento, basal, eles demoram, então a ter reação, demoram para ter suas atividades metabólicas e essas substâncias vão se acumulando no organismo e num período prolongado provocando uma falência múltipla dos órgãos. No caso deles, provavelmente, um problema associado hepatorrenal".

A equipe de veterinária demorou seis horas para remover todo o piche do corpo dos lagartos, utilizando-se diluentes e óleo mineral. Durante o tratamento, os animais receberam analgésicos e antibióticos, além de líquidos e soro, para hidratação.

Antes de ser solto, o lagarto passou por uma bateria de exames de raio X, ultrassom, que atestaram a boa saúde dele e condições de sobrevivência na natureza.

Animais Resgatados

Animais feridos em atropelamentos, queimadas ou maus tratos são resgatados pela Polícia Ambiental, Ibama e Corpo de Bombeiros, e levados para o hospital veterinário da Unirp. O trabalho realizado pela faculdade já atendeu 3,1 mil animais silvestres desde 2003, quando foi firmada a parceria. Atualmente, o hospital trata dois animais: um macaco sagui e um cachorro do mato.

O sagui está cego e passando por tratamento com acupuntura. Ele foi resgatado pela Polícia Ambiental, na Estância Cavalari, em Rio Preto, e encaminhado para o hospital veterinário em janeiro. Ele sofreu um trauma no sistema nertvoso central. Não se sabe se foi vítima de maus tratos ou atropelamento. Já o cachorro do mato está internado desde setrembro do ano passado quando foi resgatado na região de José Bonifácio ao ser atropelado por uma colheitadeira de cana-de-açucar. Os dois animais estão estáveis, mas não há previsão de alta médica.

Do total de animais silvestres atendidos no local, cerca de 80% sofreram traumas e são vítimas de maus-tratos. "A maior frequência são os atropelamentos e filhotes de aves que enroscam os pezinhos em fios, eles crescem e acabam, muitas vezes, até tendo que amputar", disse Tatiana Cruvinel, médica veterinária do setor de atendimento de animais silvestres.

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