Diário da Região

10/03/2018 - 18h52min / Atualizado 10/03/2018 - 18h52min

ANGÚSTIA DA PROCURA

Saiba como agir em caso de pessoa desaparecida

Aflição é comum entre os que aguardam por notícia

Mara Sousa 9/3/2018 Marcia Ferioli Nunes, com a foto do pai, José Jerônimo Ferioli, desaparecido desde 2014
Marcia Ferioli Nunes, com a foto do pai, José Jerônimo Ferioli, desaparecido desde 2014

Imagina você não saber o paradeiro de um ente querido, pai ou mãe, e ele desaparecer do dia para noite e não voltar mais para casa. Essa é a situação que cerca de 25 mil famílias vivenciaram em 2017. De acordo com dados da Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo, apenas no passado foram registrados 25.200 desaparecimentos. Do total, 23.726 tiveram finais felizes.

Marcia Ferioli Nunes, de 50 anos, vive isso na pele há aproximadamente quatro anos. Contudo, ela continua a esperar por este final feliz desde 2014. O pai dela, José Jerônimo Ferioli, desapareceu no começo da noite do dia 14 de março, no Jardim Mugnaini, zona norte de Rio Preto, e desde então não voltou para casa.

"Eu tinha comprado uma televisão um dia antes dele desaparecer e, infelizmente, ele nem pôde usar. Lembro que coloquei uma roupa bonitinha no guarda-roupa dele e vim embora, aí no começo da noite, por volta das 20h, fiquei sabendo que ele não tinha chegado na casa da namorada", conta Marcia.

Depois que ficou sabendo do desaparecimento começaram as buscas pela cidade. A família procurou até de madrugada e depois durante dias, mas nenhuma informação levou até o seu paradeiro. José tinha Alzheimer e para a filha, o pai pode ter se esquecido do caminho de casa e se perdido.

Na sala grande e espaçosa da casa, onde fotos de familiares dão lugar a imagem de Cristo, uma mesa com santos católicos mostram a devoção da filha para reencontrar o pai. Marcia diz que continua imaginando como o pai está, e que não tem um dia que não lembra dele.

Ao ser questionada sobre o que faria caso ele voltasse, ela diz emocionada. "Eu acho que largava todo mundo que estivesse em casa e daria um abraço bem apertado nele."

A saudade é constante. "Eu fico lembrando do rostinho dele, será que ele nunca mais vou ver. Quando frequento o mercado, lembro daqueles bolos que ele gostava. Ele adorava churrasco também."

A filha continua com a esperança de conseguir encontrar o pai, e deixa um recado: "Muitos filhos não valorizam os pais. Apenas quando perdem é que ficam com a sensação de arrependimento e de que poderiam ter feito diferente. Família é tudo na vida da gente."

Mãe desaparecida

A aposentada Berenice Fernandes da Silva, 85 anos, é mais uma na lista de pessoas desaparecidas. A idosa participou de uma excursão no final do ano passado para o Santuário Nacional de Aparecida e não voltou. Em certo momento da viagem, após o almoço, a idosa ficou no ônibus. Enquanto a filha foi comprar um guarda-chuva, Berenice sumiu.

O paradeiro de "Berê", como é apelidada no bairro onde mora, em Penápolis, é desconhecido há quase três meses. Para Aparecida Fernanda da Silva, de 47 anos, uma das filhas de Berenice, a esperança que fica é a de reencontrar a mãe. "Ela gostava de acolher as pessoas, lia jornal e revista, e dava verdura para a vizinhança", diz a filha.

Berenice desapareceu no dia 23 de dezembro, e desde então começou a procura incansável dos familiares. "É horrível, a gente procura trabalhar para tentar se sentir melhor, é muito ruim e triste, não saber como que está, se a pessoa está com fome ou dormindo. Já voltamos lá em Aparecida e rodamos toda a cidade, mas nada."

Investigação

A crença difundida pela desinformação de que existe um prazo de 24 horas para a pessoa registrar um boletim de ocorrência por desaparecimento não passa de mito. O delegado de polícia Raymundo Cortizo Sobrinho, do Deinter-5 (Departamento de Polícia Judiciária), esclarece: "O que a gente às vezes aconselha é que a pessoa aguarde algumas horas para ver se o familiar volta, mas se ela quiser pode registrar o boletim de desaparecimento, normalmente, no plantão policial", diz.

"A polícia trabalha com as informações que os familiares passam. Quando a pessoa vai à delegacia, deve levar o máximo de informações - se o desaparecido é usuário de drogas, tem companheiro, e foto."

Depois colher as informações, a polícia passa a investigar indo em hospitais e checando dados. Os jovens e pessoas mais idosas, que têm algum distúrbio mental são as que mais desaparecem.

Em relação aos dados, o delegado revela que muitas investigações são comprometidas pelo fato de boletins de ocorrências estarem abertos, mesmo com a pessoa já encontrada. "Muitas pessoas registram a ocorrência e a polícia começa a fazer a investigação, quando em alguns casos, o desaparecido volta, muitos familiares não comunicam a polícia" completa o delegado.

(Colaborou Rone Carvalho)

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