Diário da Região

04/03/2018 - 00h30min / Atualizado 03/03/2018 - 19h21min

NOTINHA BÁSICA

Estudantes de escola estadual só aprendem o básico

Maioria dos alunos do 9o ano do ensino fundamental e do 3o do ensino médio de Rio Preto não sabe o que deveria em português e matemática

Reprodução Simulado
Simulado

A maioria dos estudantes das escolas estaduais de Rio Preto não atingiu o nível adequado de aprendizagem em língua portuguesa e matemática no 9º ano do ensino fundamental e no 3º ano do ensino médio, justamente quando os alunos estão começando um novo ciclo escolar ou saindo para a faculdade e mercado de trabalho. Em grande parte dos casos, o nível do conhecimento ficou no básico, o que para a Secretaria de Educação é considerado suficiente, mas os alunos não demonstram domínio pleno do que foi ensinado. O levantamento foi feito pelo Diário com base nos boletins do Sistema de Avaliação de Rendimento Escolar do Estado de São Paulo (Saresp) de 2017 e apontou que em algumas escolas os alunos não aprenderam nem o mínimo exigido.

Em 31 escolas, os alunos de 9º ano fizeram a prova. Em 90,3% delas os estudantes não atingiram o nível adequado de aprendizagem de língua portuguesa, ficando no básico. Em apenas três os alunos demonstraram domínio pleno dos conteúdos. Em matemática, 96,7% ficaram no básico e apenas uma atingiu o nível adequado.

Vinte e oito escolas tiveram alunos do ensino médio prestando o Saresp. A porcentagem de estudantes que atingiram apenas o nível básico é de 82,1% para português e 85,7% em matemática. Em português, quatro ficaram no adequado; em matemática, nenhum.

Em algumas unidades de ensino, o quadro é ainda pior e os alunos ficaram abaixo do básico, nível tido como insuficiente pela secretaria de Educação. Isso significa que eles não dominam o mínimo dos conteúdos, competências e habilidades desejáveis para o ano em que se encontram. O problema não foi detectado no ano final do ensino fundamental, apenas no ensino médio.

Na média, os alunos da escola Oscar de Barros Serra Doria tiraram 247,5 em português, quando o mínimo para se estar no nível básico seria 250. Já as unidades Professor Antônio de Barros Serra, Professor João Deoclécio da Silva Ramos, Professor Octacílio Alves de Almeida e Professora Sônia Maria Venturelli não obtiveram pontuação suficiente em matemática.

Raquel Lazzari Leite Barbosa, professora do Departamento de Educação da Unesp de Assis, lembra que quando se fala em português e matemática trata-se da formação de leitores e da organização do pensamento e do raciocínio. “Certamente crianças com dificuldades nesses aspectos terão sérios problemas em uma sociedade letrada. Rouba-se um direito vital do cidadão ao não oferecer condições adequadas de acesso ao conhecimento.”

Em nenhuma escola a maioria dos alunos atingiu o nível avançado de proficiência nas duas disciplinas. De acordo com os dados do Saresp, no 9º ano do ensino fundamental 15,6% dos estudantes da diretoria de ensino ficaram abaixo do básico em língua portuguesa, 52,9% atingiram o nível básico; 26,1% o básico e 5,4% o avançado. Em matemática, os números são de 18% abaixo do básico; 61,3% no básico; 17,9% no adequado e 2,9% no avançado.

No ensino médio, em língua portuguesa, 23,1% tiveram aprendizado suficiente; 35,2% ficaram no básico, 40,1% alcançaram o adequado e 1,6% chegaram ao avançado. De matemática, 35,9% dos alunos não sabem o básico, 55,3% dominam o mínimo; 8,3% estão no nível adequado e 0,5% no avançado. 

De acordo com a Secretaria de Educação, os alunos com notas abaixo do básico devem passar por recuperação intensiva. Os que estiverem no básico devem ter recuperação contínua; no adequado, aprofundamento. Quem tiver o maior conhecimento deve ser desafiado.

Ana (nome fictício para preservar a identidade da entrevistada) cursa agronomia e concluiu o 3º ano do ensino médio na escola Professor Antônio de Barros Serra em 2017. Ela elogia os professores e diz que alguns colegas não estavam interessados em aprender. A estudante aponta que existem jeitos diferentes de ensinar e cita problemas.

“O substituto não ensinava a mesma coisa. Aula de história a gente não teve praticamente, mas português e matemática foram excelentes. Por conta de falta de professores e muitas coisas ano passado a gente não teve tanta aula, mas o pouco que teve a gente aprendeu demais. Muitas vezes ninguém queria saber de nada (alunos), faltaram muitos professores”, afirma. “O ensino nosso foi um pouco fraquinho. Em duas semanas que estou na faculdade estou sofrendo. Tive que fazer uma paráfrase e não sabia o que era.”

Problemas

Raquel Lazzari Leite Barbosa, professora do Departamento de Educação da Unesp de Assis avalia que os motivos que levam a um rendimento abaixo do esperado são a falta de investimento em educação, a desvalorização do professor, a falta de condições de trabalho para os docentes. “O Saresp é importante, mas essa avaliação está de acordo com a própria organização do currículo e nem assim estão conseguindo atingir os objetivos em grande parte das escolas, então acho que existe uma falta de ênfase na pesquisa pedagógica para ver o que está acontecendo com essa proposta.”

Raquel pondera que é preciso investir na área. “Condições de trabalho para os docentes, escola com infraestrutura, organização dos cursos de licenciatura”, enumera. “Se há desinteresse por parte dos alunos é porque a escola está muito desinteressante mesmo, muitas vezes o aluno não se sente pertencente a ela, que exclui, rotula, não traz coisas que tenham sentido para o aprendizado.

Clique aqui para ver o resultado do Saresp de 2017.

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