Diário da Região

06/03/2018 - 23h10min / Atualizado 06/03/2018 - 23h10min

SAÚDE

Estado deixa faltar insumos para diabéticos

Contra a situação, que é recorrente, grupo organiza protesto no sábado

Guilherme Baffi 6/3/2018 Júlia, 17 anos, não consegue pegar nenhum dos itens com regularidade e fica insegura por sua vida
Júlia, 17 anos, não consegue pegar nenhum dos itens com regularidade e fica insegura por sua vida

Diabéticos de Rio Preto estão sofrendo com a falta de insumos no Departamento Regional de Saúde (DRS) para tratamento da doença. Faltam insulina, cateter, reservatório, sensor e tiras para medição capilar e sanguínea do nível de glicose no sangue. Os itens são utilizados por quem tem a bomba de insulina, que administra doses automaticamente.

Por isso, um grupo de diabéticos vai se reunir na frente da Prefeitura no próximo sábado, 10, para protestar e pedir apoio do poder público municipal. Uma pessoa ligada ao grupo estima que pelo menos 80 pacientes estejam sendo prejudicados. Boa parte deles tem o direito de receber os produtos garantido por meio de decisão judicial, inclusive com pena de multa em caso de atraso. Não há condições de comprar os itens quando estão em falta, pois manter uma bomba de insulina custa cerca de R$ 5 mil por mês.

Alessandra Batista, psicóloga de 43 anos, é mãe de Gabriel, de 8 anos. O menino não responde ao tratamento com caneta e a bomba está inutilizada por falta dos insumos. "Ontem (segunda-feira, 5), ele passou mal na escola porque só está usando a caneta. Já teve três convulsões, duas internações porque não está tendo cateter, nenhum dos insumos, nada que precise para a bomba desde junho. É uma humilhação", afirma a mãe.

Júlia Araújo Borges, estudante de 17 anos, sofre com o desabastecimento. Ela não consegue pegar nenhum dos itens com regularidade. "Nós pagamos os impostos para serem revertidos na saúde, e isso não tem acontecido. Os diabéticos não têm garantia de vida. O sentimento que fica é a insegurança de não ter certeza sobre receber algo que me deixa viva. Esse mês entregaram insulina só."

Mateus Henrique de Oliveira, 13 anos, teve a qualidade de vida melhorada com a bomba, mas não consegue os insumos. "A situação para nós está tão complicada que tenho que trocar cateter e reservatórios a cada três dias, mas troco a cada dez", desabafa a mãe, Isabel Cristina Jordão, 46 anos.

A acupunturista Taiama Terra Beisahatt Anderson Nery, de 29 anos, relata que utiliza a bomba desde 2015 e sempre falta alguma coisa. Ela ficou sem receber o sensor por mais de um ano.

O endocrinologista Victor Gustavo Othero Vidal, 30 anos, tem diabetes desde os 12. Ele explica que os problemas com abastecimento não são recentes e que é importante manter o controle glicêmico para evitar complicações, como cegueira, problemas nos rins e perda da sensibilidade dos pés e mãos.

"O risco de ficar mais de três dias sem a troca do cateter é principalmente infecção local. A partir do quarto dia fica mais difícil manter o controle glicêmico, sendo que tem que realizar uma dose maior de insulinas." O médico orienta os pacientes a guardarem os produtos que sobram para compartilhar com outros diabéticos quando há falta. "E que sempre guardem um dinheiro para eventual emergência."

Problema com fornecedor

Em nota, a Secretaria de Estado da Saúde alegou que realiza planejamento rotineiro da demanda de insulinas e itens para diabéticos. "Porém, algumas situações, como atraso por parte de fornecedores na entrega dos produtos, podem impactar no atendimento. Os insumos e insulinas utilizados pelos pacientes citados já foram adquiridos e o fornecedor será cobrado para que entregue os itens o quanto antes", afirmou.

Ainda conforme o texto, o SUS disponibiliza gratuitamente, por meio dos municípios, as insulinas NPH e regular aos diabéticos. "As insulinas especiais não fazem parte da lista de produtos definida pelo Ministério da Saúde para distribuição na rede pública, e não há evidências científicas de que elas tenham eficácia superior às já disponíveis no SUS", justificou.

Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde garantiu que todos os pacientes que recebem as insulinas NPH e regular estão sendo prontamente atendidos. (MG)

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