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IRÃ

Derrubando preconceitos

Ao contrário do que muitos pensam, o Irã é, sim, um país aberto aos turistas, com um povo simpático e prestativo


    • São José do Rio Preto
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Pouco a pouco, a imagem do Irã tem mudado. A eleição do presidente Hassan Rouhani em 2013, o acordo nuclear de 2015 firmado junto a EUA, China e Alemanha, e a consequente redução de sanções econômicas contribuíram enormemente. Desde então, várias empresas aéreas voltaram a voar pra lá, e o processo para obtenção de visto foi simplificado.

Ainda que esteja se abrindo, por ser uma república islâmica, o Irã estabelece algumas limitações também para o turista. As mulheres devem usar um véu que cubra grande parte dos cabelos, além de roupas para tapar braços, pernas e curvas do corpo. Os homens devem cobrir as pernas e usar ao menos camisetas de manga curta. Eventos esportivos masculinos são proibidos para o público feminino. Assim como o consumo de bebida alcoólica e a ilegalidade da dança. Mas conforme se visita o país, observa-se que existem "proibições e proibições". E muito depende de onde você estiver.

A chegada a Teerã é relativamente fácil. O visto pode ser obtido semanas antes no Brasil, mas também há opção de tirar visto na chegada. Além de visitar pontos tradicionais como o Grand Bazaar, o Golestan Palace e as torres Azadi (o majestoso Arco do Triunfo local) e Milad, não perca o bairro de Darband. Lá há vários restaurantes e casas de chá na beira de um rio.

A comunicação é relativamente tranquila. Muitos falam inglês. Quando não falam, usam mímica: os iranianos são um dos povos mais simpáticos e prestativos que já vi.

Depois de Teerã, veio Kerman, a uma hora e meia de avião. A meta era visitar a antiga cidade de Rayen, toda construída em barro, e os shahdad kalouts - grandes e incríveis formações de terra, de dezenas de metros, que ficam no deserto de Lut.

Andar de ônibus no Irã é confortável e barato (tarifa em ônibus VIP numa viagem de 9 horas custou cerca de R$ 30). Tive a sorte de chegar em Shiraz no dia da celebração do nascimento do redentor Imam Mahdi que, segundo os xiitas, livrará o mundo do erro, da injustiça e da tirania. Houve à noite, na Mesquita Shah-e Cheragh, uma fantástica cerimônia.

Visitamos também a famosa Persépolis (ou Takht-e Jamshid). lugar datado do século VI a.C. Perto dali fica Naqsh-e Rustam, sítio arqueológico com gigantescas tumbas, escavadas nas pedras. Depois, fui-me embora pra Pasárgada... E vi a tumba de Ciro, o criador do Império Persa.

De Shiraz, fomos de avião para Isfahan. Também nesse caso, recomenda-se fazer reservas em hotéis ou agências de viagem. Foram três dias na cidade. Embora seja um dos principais destinos turísticos do país, Isfahan é mais conservadora e, para mim, foi mais difícil de gostar. Mas não se engane.

Após 5 horas de ônibus, chega-se a Yazd, uma cidade antiga, com inúmeras vielas bem estreitas formando quase um labirinto. A cidade fica imprensada entre os dois grandes desertos do País (Lut e Kavir). Estava tão quente que defini uma nova classificação de calor: o yazadiano. No verão, passa dos 50°C.

Depois, foi a vez de Kashan, a três horas de Teerã. Dali, partimos para o deserto de Maranjab. Por conta de exercícios militares na região, nossa rota foi um pouco alterada, o que nos levou ao lindo templo religioso Mohammed Helal, em Aran. Também visitamos um deserto de sal.

De volta pra Teerã, fiz questão de ir novamente à Torre Azadi. Afinal, foi dela a primeira imagem do Irã que vi na vid. E esse, sim, foi o final perfeito.