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Livro

A Coragem de não agradar

Fenômeno japonês com mais de 3 milhões de livros vendidos mostra que é preciso se desvencilhar do passado para ser feliz


    • São José do Rio Preto
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O reconhecimento alheio é algo que deve causar satisfação. O problema está em achar que ser reconhecido é absolutamente necessário. Antes de tudo, para que alguém busca reconhecimento? Ou, por que alguém quer ser elogiado pelos outros? Porque é sendo reconhecido que você sente que tem valor e é pelo reconhecimento dos outros que você se torna capaz de eliminar os sentimentos de inferioridade e aprende a ter autoconfiança, certo? Errado. Pelo menos na visão dos escritores japoneses, o filósofo japonês Ichiro Kishimi e o psicólogo Fumitake Koga. Segundo eles, a verdade é que, quando você busca o reconhecimento alheio e só se preocupa com o julgamento que vão fazer de você, acaba vivendo a vida das outras pessoas. Ai está a causa da sua infelicidade.

A chave para encontrar a coragem necessária para mudar é o tema de um livro - que já vendeu mais de 3 milhões de exemplares pelo mundo - "A Coragem de Não Agradar", que acaba de ser lançado pela editora Sextante e mostra que é preciso se desvencilhar do passado para ser feliz.

A obra traz um diálogo entre um filósofo feliz e um jovem com sérios problemas de autoestima durante cinco noites de conversas transformadoras. Segundo o filósofo, a felicidade está ao alcance de todos e o ser humano é guiado pela teleologia, doutrina segundo a qual todas as nossas ações miram ações futuras e afirma que as pessoas optam por não mudar o que causa infelicidade. Para eles, as pessoas se escolhem se apegar ao que aconteceu e trazer o passado para o presente, pois de alguma forma estão satisfeitas com o estado atual das coisas. Os autores mostram que é preciso assumir essa responsabilidade e agir e ensinam como fazer isso. A cada explicação do filósofo fica claro que, se você faz parte desse grupo que vive em função de agradar aos outros, a chave que vai te libertar dessa prisão e encontrar a coragem para mudar está em libertar-se do passado, das expectativas alheias e das dúvidas que te paralisam.

1 - "O 'eunão é determinado por nossas experiências mas pelo sentido que damos a elas. Isso não significa que a experiência de uma calamidade ou violência durante a infância - ou outros incidentes do gênero - não tenham influência na formação da personalidade. Na verdade, a influência é forte. Mas a verdade é que nada é determinado de fato por essas influências. Somos nós que determinamos nossa vida de acordo com o sentido que damos às experiências passadas. Sua vida não é algo que alguém dá a você, mas algo que você próprio escolhe e é você quem decide como viver. Não podemos retornar ao passado em uma máquina do tempo. Não podemos voltar os ponteiros do relógio."

2 - "Quando você deseja muito ser reconhecido, acaba vivendo para satisfazer as expectativas das pessoas que querem que você seja isso ou aquilo. Em ou­ tras palavras, você joga fora quem realmente é e vive a vida alheia. E lembre-se: você não vive para satisfazer as expectativas dos outros, as pessoas não vivem para satisfazer as suas. Alguém pode não agir do modo que você gostaria, mas você não deve se irritar com isso. É natural."

3 - "As pessoas que conquistam status social se sentem verdadeiramente felizes? Não. Ao tentarem obter o reconhecimento dos outros, quase todos enxergam o ato de satisfazer as expectativas alheias como um meio para esse fim. E isso corresponde à corrente de pensamento da educação por recompensa e punição, que prega que a pessoa deve ser elogiada caso realize a ação apropriada. Se, por exemplo, no trabalho seu objetivo principal é satisfazer as expectativas dos outros, esse trabalho será bem difícil, porque você viverá com medo que as pessoas estejam observando e terá medo do julgamento delas. Com isso, vai reprimir a sua individualidade."

4 - "Talvez seja mais fácil viver satisfazendo as expectativas alheias porque, assim você confia a sua própria vida a elas. Se você escolhe viver de acordo com o direcionamento dos outros, está sempre tentando avaliar os sentimentos das outras pessoas e preocupado com a visão que elas têm de você. Você vive para realizar os desejos alheios. Sim, pode haver sinais guiando você pelo caminho, mas essa não é uma forma livre de viver. Entenda: se alguém vive para satisfazer as expectativas alheias e confia a vida aos outros, está mentindo para si e estendendo a mentira para incluir as pessoas à sua volta."

5 - "Se alguém me detesta ou não, isso é tarefa dele. Não estou aqui para agradá-lo. Se uma pessoa não simpatiza comigo, não posso intervir. Claro que você faz a sua parte, mas se o outro não faz a parte dele ou não, isso não diz respeito a você. A coragem de ser feliz também inclui a coragem de ser detestado e de agir sem se preocupar em satisfazer as expectativas dos outros. Quando você adquire essa coragem, seus relacionamentos ganham uma nova leveza."

6 - "Ser elogiado significa essencialmente ser julgado como bom por outra pessoa. E nesse caso, a medida do que é bom ou ruim é critério dessa pessoa. Se você está atrás de elogios, precisa adaptar-se aos critérios de outra pessoa e tolher a sua própria liberdade. Se alguém sente que tem valor, pode se aceitar como é e ter coragem de enfrentar suas tarefas da vida."

7 - "Como alguém pode passar a sentir que tem valor? É bem simples. Quando alguém é capaz de sentir que é benéfico para a comunidade e sentir que tem utilidade para alguém, consegue ter uma sensação real do seu valor. Em vez de ser julgado por outra pessoa como bom, você sente através do seu ponto de vista subjetivo, que pode dar contribuição a outras pessoas."