Pressionado, general interventor procura fugir dos holofotesÍcone de fechar Fechar
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O general de Exército Walter Souza Braga Netto, comandante militar do Leste, assumiu um cargo que lhe impôs um novo desafio pessoal, prestes a completar 61 anos. Avesso à exposição, ele foi escolhido pelo presidente Michel Temer como chefe da intervenção federal do Rio, uma medida inédita, que lhe concedeu poderes de governador do Estado na área da Segurança Pública, e o alçou ao centro de uma crise que atrai atenção internacional.

Convocado às pressas, Braga Netto falou pouco até agora. Disse haver "muita mídia" na situação da segurança fluminense, classificada por ele como "grave", mas não "fora de controle". A primeira aparição como interventor, fora dos muros do quartel, confirma o que dizem seus colegas oficiais e subordinados mais próximos: o general não gosta de holofotes e tem dificuldade em lidar com a imprensa. Seus auxiliares no CML citam que, mesmo à frente de operações durante a Olimpíada, esquivou-se de entrevistas. Costumava queixar-se de ser fotografado.

O interventor aborreceu-se na semana passada pela retomada de um caso que abalou sua família. Nos anos 1980, o irmão Ricardo Braga Netto, ainda tenente da Marinha, foi assassinado quando tentou intervir em um assalto na Ponte Rio-Niterói. O caso reavivou na família uma dor esquecida.