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Diário da Região

27/02/2018 - 00h30min / Atualizado 26/02/2018 - 19h11min

Painel de Ideias

Tolice hereditária

Digo sectariamente, porque, de fato, sempre existiram pontuais tolices na música brasileira (e mundial). Desde a origem dos discos no Brasil há sandice, estupidez e non sense de todas as espécies para a veiculação pública

Divulgação Alaor Ignácio | alaorig@uol.com.br
Alaor Ignácio | alaorig@uol.com.br

Quando a gente pensa que já viu tudo nessa vida, depois de bandidos dominarem o Brasil legal e politicamente, de um coreanozinho de um metro e setenta ameaçar o mundo e de a Coca-Cola temer pelo seu futuro como produto refrigerante numa sociedade cada vez mais light e vegana, surgem "coisas" ainda mais inimagináveis no Youtube. Sim amadas e amados leitores; surge Mc Loma e as Gêmeas Lacração, Thiago Brava com Jorge e a catuaba, e elas, poderosissímas: Pablo Vittar e Anitta!

Bom, tem também Jojo Todynho (e seu clássico Que tiro foi esse?), Mc Neguinho (com a hiberbólica Popotão grandão), etc.

Nos cérebros em que ainda resta uma pontinha de senso crítico, surge a indignação. Nas redes sociais, aparecem eventuais posts atônitos, sectariamente estabelecendo uma comparação entre aquilo que foi a música popular brasileira e o que ela seria hoje. Digo sectariamente, porque, de fato, sempre existiram pontuais tolices na música brasileira (e mundial). Desde a origem dos discos no Brasil há sandice, estupidez e non sense de todas as espécies para a veiculação pública.

Só para ilustrar, em 1904 a polca-choro de Casemiro Rocha e Claudino Costa, Rato, Rato, Rato arrasou no carnaval carioca, e foi gravada em 1910, por Orestes de Mattos. Na época, no Rio de Janeiro, Oswaldo Cruz (o mesmo homem que venceu o Aedes) lançou uma campanha para que o Estado comprasse os ratos que os moradores encontrassem em suas casas e nas ruas, a fim de extinguir a peste bubônica. Um esquadrão com 50 "homens da corneta" passava pelas ruas, tocando-as, reproduzindo algumas notas que anunciavam a chegada do comprador de ratos (anúncio parecido com o da musiquinha do caminhão de gás atualmente), pagando cem réis por bicho morto. Pois bem, aproveitando o mote do pregão, o músico compôs a paródia (acredita-se que o povo criou dezenas de outras versões), e colocou letra na música, que virou: "Rato, rato, rato; vou provar-te que sou mau; meu tostão é garantido; não te solto nem a pau". Estima-se que 10 milhões de ratos tenham sido abatidos, mas há quem garanta que muitos malandros passaram a criar os ratos, para vendê-los às autoridades.

Enfim minha gente, "sento, sento, sento, sento, sento e quico devagar" (versos de Mc Loma), "Me perdoe o traje de maloqueiro de camisa larga e boné pra trás, bem na hora da novela que a senhora gosta mais (...) Dona Maria deixa eu namorar a sua filha" (de Thiago Brava) ou "Que tiro foi esse que tá um arraso?" (de Jojo Maronttini), dialogam com "Aonde a vaca vai o boi vai atrás" (de João da Praia), que poderia ser a avó de Anitta e de Pablo Vittar. Enquanto "Desce mais, desce devagarinho, vai saindo da boquinha da garrafa" (da Cia. Do Pagode), poderia ser o hit da mãe da Mc Loma. Ou vocês imaginam que os ancestrais dos atuais gênios do Youtube ouviam o quê? Villa-Lobos?

 

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