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Diário da Região

21/02/2018 - 00h30min / Atualizado 20/02/2018 - 19h00min

Painel de Ideias

O cumprimento das formigas

Mesmo em bares cheios, ninguém conversa com quem está presente fisicamente

Divulgação Anna Claudia Magalhães | annamagalhaesc@gmail.com
Anna Claudia Magalhães | annamagalhaesc@gmail.com

Desde criança eu observo as formigas se cumprimentarem. Elas vêm em fila, umas indo, outras voltando, e quando se encontram fazem uma espécie de cumprimento, talvez com as antenas, não sei ao certo. Eu cresci, e mesmo assim podia passar horas vendo as formigas andarem e se cumprimentarem. Isso sempre me intrigou, já que eu não entendia como um animal tão insignificante diante da minha grandeza, tivesse uma atitude considerada por mim tão evoluída no que diz respeito a relações. O cumprimento me parecida tão humano, ou seja, tão inteligente.

Quando eu era criança não existia o Google, e, infelizmente, não pude saber o que descobri por esses dias, quando pesquisei o porquê das formigas se cumprimentarem. O que descobri foi que não existe um porquê, existem vários. As formigas formam uma sociedade muito parecida com a nossa, e pelo que encontrei, se cumprimentam para registrar o caminho da busca de comida até o formigueiro, para reconhecer as formigas de sua comunidade (as formigas não convivem com formigas de outros formigueiros), para reconhecer as funções de cada formiga (elas têm formigas que formam um tipo de exército que protege a comunidade), para reconhecer formigas infectadas (as formigas infectadas são excluídas dos formigueiros e morrem, pois formigas são incapazes de viver sozinhas), entre outras variações.

Já peço perdão de antemão aos biólogos, porque sabemos que, assim como nós, o Google sabe de tudo, mas não sabe de nada, então, não sei até que ponto essas informações são verdadeiras, mas gostaria muito que fossem porque me fizeram refletir muito. Primeiro em como nós, seres vivos, compartilhamos instintos que envolvem a convivência. A base de nossas vidas são as relações e dentro delas criamos regras coletivas que nos afetam individualmente. Ou seja, o nosso bem-estar depende diretamente de como nos relacionamos com o outro. Pode ser bem ou mal, interagir é o que determina como vamos continuar vivendo.

A questão é que não nos relacionamos com o outro mais, primeiro porque individualizamos nossa existência para fora dos limites aceitáveis, nossas relações já são quase estritamente virtuais, ou seja, as trocas reais e sensoriais são raras. Mesmo em bares cheios, ninguém conversa com quem está presente fisicamente. Não trocamos mais sentidos, as vozes já não nos atingem a queima-roupa, as mãos não se tocam, os olhares não se trocam. Depois disso, temos nos voltado extremamente para dentro de nós mesmos alimentando nossas vaidades, somos tão melhores que o outro, tão superiores em nossas opiniões, status social, acadêmico, econômico, que eliminamos pessoas de nosso convívio sem pensar que isso pode limitar a nossa sobrevivência.

Nas coisas mais simples, percebo o nosso retrocesso. Trabalho com atendimento ao público e cada vez menos as pessoas me dão uma "boa tarde", agradecem ou tem um nível básico de comunicação para que eu atenda seus pedidos. Estão sempre com pressa, dispersas ou simplesmente não fazem questão ou não conseguem desenvolver uma linguagem amigável ou razoável para nos relacionarmos naquele momento. A gente tem cada vez mais dificuldade de sabermos lidar com o outro porque nos consideramos ou aprendemos que somos autossuficientes. A espécie mais avançada do planeta caminha para uma ilusão de independência e soberba. As formigas, como disse o Google, também excluem, segregam, brigam, mas pelo menos, ainda se cumprimentam...

 

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