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Diário da Região

20/02/2018 - 00h30min / Atualizado 19/02/2018 - 18h36min

Painel de Ideias

Cadência mórbida

No Rio de Janeiro, janela do país, muitos condenam o crime praticado pelo cidadão marginalizado, mas perpetuam a compra de drogas e de objetos roubados, o ataque aos cofres públicos, a sonegação, os auxílios criminosos

Arquivo Washington Paracatu | washingtonparacatu@gmail.com
Washington Paracatu | washingtonparacatu@gmail.com

O Rio de Janeiro continua lindo e assustador. Do Leblon à Maré, a violência saqueia, atira e mata. Arrastões na praia, guerra pelo controle da venda de droga no morro, assalto no centro histórico, estupro, combate entre traficantes e milicianos. A população e os turistas sofrem, e o prefeito fez o quê? Viajou. Foi visitar centros de combate à violência na Europa. Na realidade, abandonou a cidade que deveria governar porque não aprova o carnaval. Cadê o Estado Laico? Quanto cinismo.

Nas praias, ecoa a felicidade peculiar dos cariocas e dos turistas, entrecortada pelos vendedores ambulantes que oferecem biscoitos, açaí, salgados, castanhas. Paradoxalmente, também se oferecem cocaína, sexo casual, celulares, pulseiras e colares roubados. Uma turista estava feliz por comprar corrente furtada, mas o pingente não tinha seu nome. Ela disse: "Não tem problema, falo que é o nome de minha mãe". Onde está a empatia?

No Rio de Janeiro, janela do país, muitos condenam o crime praticado pelo cidadão marginalizado, mas perpetuam a compra de drogas e de objetos roubados, o ataque aos cofres públicos, a sonegação, os auxílios criminosos. No Rio, vivemos sem saber o calibre do perigo, sem saber de onde vem o tiro: do traficante, do miliciano, do garoto franzino do semáforo, do soldado, do PM, do cidadão de bem que comprou uma arma para afagar sua virilidade e a disparou contra um grupo de jovens indefesos. No Rio, o barulho surdo do estampido do revólver se confunde com a bateria nota 10, num samba cadenciado pelo tom mórbido do malandro.

Para combater a violência, o Rio receberá intervenção estatal. Nos últimos anos, o exército já faz parte da paisagem: Jornada Mundial da Juventude, Copa, Olimpíadas. O crime muda de lugar ao sabor da locomoção dos blindados, das patrulhas e das ações midiáticas. Se o tanque está em Ipanema, crimes em Copacabana. Se a polícia sobe uma favela, o crime se intensifica na outra. Acho até que os bandidos contam com algum aplicativo de celular para acompanhar as ações.

Cadê os investimentos sociais? Políticas públicas de controle de natalidade? Por que combater as drogas pela repressão inútil? Onde estão os homens públicos? O resultado? A população quer armas, uma polícia que mata, pena de morte. Tudo isso já existe. Temos de repensar investimentos, ações, valores, foco. Pela manhã, a elite se manifesta contra o crime, mas cheira cocaína e compra corpos madrugada afora, compra celulares e bicicletas roubados, alimentando o mercado do crime. Que paradoxal sistema de valores.

Gostaria de me empolgar com a intervenção. Gostaria de escrever um novo texto e exaltar a ação militar. Receio, contudo, que seja uma manobra midiática, eleitoreira, espetacularizada para parecer enfrentamento real. E você? Acredita na militarização?

 

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