Diário da Região

14/02/2018 - 00h30min / Atualizado 14/02/2018 - 00h30min

Painel de Ideias

Folião de sofá

A novidade do ano passado foi a infeliz tentativa de rever a letra de marchinhas com temas politicamente incorretos. Iniciativa que não logrou êxito já que neste ano continua tudo igual como sempre foi

Divulgação Toufic Anbar Neto | mantenedor@faceres.com.br
Toufic Anbar Neto | mantenedor@faceres.com.br

O carnaval, independente do dia em que vai cair, é o maior feriado existente no Brasil. Talvez no mundo. Não vale contar a semana entre o natal e o ano novo, pois tem muita gente que trabalha neste período. Vai do sábado até a terça-feira e em muitos lugares dão a quarta-feira de cinzas pela manhã.

A diferença é que você abre o jornal ou liga a TV e é bombardeado por uma cobertura extensa sobre a história do carnaval e os flashes ao vivo da folia. O problema disso tudo é que eu gosto... Sim, estou na fase em que prefiro assistir a pular.

Creio que os mais velhos já notaram as mudanças drásticas que o carnaval sofreu nas últimas décadas. Não gastarei o tempo do leitor tecendo loas à folia de antigamente, quando se limitava ao carnaval de clubes, onde só se tocavam marchinhas clássicas e sambas-enredos imortais, ao carnaval dos sambódromos e as coberturas feitas de forma isolada como as do carnaval de rua, dos blocos e a cobertura dos grandes bailes. Estes formatos trazem nostalgia porque eram previsíveis, todos sabiam o que esperar da festa. Até as notícias eram manjadas. Algumas continuam sendo. Tanto que a temporada começa sempre com o famoso "aqui na Bahia já é carnaval" e termina com o "aqui na Bahia ainda é carnaval".

Falar de carnaval sertanejo ou carnafunk não é novidade. Esta invenção da região noroeste pegou. Tem cidade que dobra ou triplica de tamanho durante a festa. Isso é bom para o comércio. Detona a cidade, mas o saldo ainda é positivo.

De inédito tem a aversão de celebridades a tirar fotos com políticos. Os artistas acreditam que pega mal para a carreira. Os blocos de rua ostentam nomes e temas cada vez mais irreverentes. Ganharam a preferência do público e hoje tem milhões de seguidores. O desfile dos sambódromos está cada vez mais pobre. Milhares de ingressos encalhados. Culpa da crise.

A novidade do ano passado foi a infeliz tentativa de rever a letra de marchinhas com temas politicamente incorretos. Iniciativa que não logrou êxito já que neste ano continua tudo igual como sempre foi: todos cantando as marchinhas com suas letras originais.

A tentativa de inovação deste ano fica por conta de grupelhos que tentam agora proibir fantasias alegando apropriação cultural. Só índios podem usar fantasias de índios. Só ciganos podem usar fantasias de ciganos. Que tédio. É difícil de acreditar que tenha gente que se ocupe do assunto. Desse jeito ficam proibidas as fantasias de praticamente tudo. Árabe, espanhola, pirata, unicórnio, zorro, anjo, etc. Na cabeça dos recalcados todo mundo tem que se ofender por nada. Querem botar ordem numa festa essencialmente anárquica que é o carnaval. Sorte que ninguém presta atenção neles porque as fantasias continuam as mesmas. Que vazio interno! Haja carência afetiva! Eita povinho chato!

 

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