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Diário da Região

07/02/2018 - 00h30min / Atualizado 06/02/2018 - 18h32min

Painel de Ideias

Certo ou errado?

A pior droga da humanidade tem sido o preconceito. Nós nos sentirmos superior ao outro, ou sentir que o outro seja inferior e não tenha direito a qualquer de tipo de humanidade e dignidade, nos entorpece, nos aliena e nos leva a lugares sombrios

Divulgação Anna Claudia Magalhães | annamagalhaesc@gmail.com
Anna Claudia Magalhães | [email protected]

Ouvi uma declaração que me levou a refletir, "Agora o errado virou o certo". Em todas as gerações existiram aqueles que desaprovaram pessoas que não se encaixavam em comportamentos ditos certos ou aceitáveis. Nós já tivemos em nossa história todo tipo de reação às ações "erradas", e o que me é curioso é que essas reações que estariam do lado "certo", sempre pareceram muito mais agressivas do que transformadoras. Aquele que comete o "erro" em nossa cultura é excluído, punido, preso, linchado, queimado, esquecido, silenciado, invisibilizado, poucas vezes ouvi uma outra solução para quem erra, ou um caminho em que o errado seja não somente pontuado ou exposto, mas levado a outra direção.

Um dos maiores pensadores brasileiros, o educador Paulo Freire, comentava que "pensar certo é fazer certo" e que não faz sentido nutrir um ódio maior do que a própria razão da discordância por aquele que erra. Rejeitar não significa, para ele, discriminar, e pensar certo exige humildade e bom senso. Paulo Freire discorre sobre o fazer certo de forma que nos leva a pensar não em ideias a serem pregadas (pois de falsos discursos já estamos cheios), mas em práticas entendidas e aprendidas juntos. Se o outro não nos entende, não partilha das nossas ideias e comportamentos e isso nos incomoda, o caminho seria partilhar e trocar nossos entendimentos, ou seja, nos comunicar, ao invés de impor com violência o nosso certo, a nossa verdade. Segundo o filósofo, o pensar certo é dialógico e não polêmico.

Pois também concordo que o errado virou certo, estamos caminhando para uma forma complicada de lidar com o que não nos é aceitável, e indo em direção, inclusive, a políticas violentas de punição e exclusão. Algo interessante de destacar para essas políticas e para o comportamento social é que o "errado" que precisa do "certo" tem também características definidas. O que define o errado no Brasil e no mundo, antes de qualquer ação do sujeito, é sua classe social, sua raça, seu gênero.

O resultado triste de uma dessas políticas do "certo", da conservação da família e da paz do cidadão de bem foi a história de Mary Jane, uma mãe viúva sem direção para criar seus dois filhos. Ela perdeu seu marido, um servidor público, que foi morto e teve os filhos feridos pelo Governo das Filipinas por apoiar programas de reabilitação. O presidente eleito, Duterte, aplica uma política antidrogas no país que consiste em simplesmente matar traficantes, usuários ou, agora, qualquer pessoa que veja humanidade dentro desse contexto. Famílias choram a perda de cerca de 10 mil pessoas. Seguindo a lógica discriminatória carregada por tal bondade, os atingidos são, principalmente, pobres e pessoas em situação de rua.

A pior droga da humanidade tem sido o preconceito. Nós nos sentirmos superior ao outro, ou sentir que o outro seja inferior e não tenha direito a qualquer de tipo de humanidade e dignidade, nos entorpece, nos aliena e nos leva a lugares sombrios. Ensinar o certo a alguém, exige autocrítica.

 

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