Diário da Região

06/02/2018 - 00h30min / Atualizado 05/02/2018 - 18h44min

Painel de Ideias

Hora de dar tchau

Sonhos podem camuflar pesadelos. Se uma meta já não traz recompensa material ou espiritual, pelo contrário, traz gastos exagerados e dor de cabeça contínua, aprendamos a pular fora do martírio

Arquivo Washington Paracatu | washingtonparacatu@gmail.com
Washington Paracatu | washingtonparacatu@gmail.com

Somos doutrinados para persistir. "Quem espera sempre alcança. Sou brasileiro e não desisto nunca. O que a vida quer da gente é coragem. Se cair, levante-se e recomece tudo de novo." Apenas algumas frases forjadas com o intuito de nos convencer da necessidade de insistir em um projeto, de buscar um sonho, de manter um emprego, uma amizade, um casamento, certos valores e certas concepções.

Indubitavelmente, devemos assumir as responsabilidades advindas de nossos atos e de nossas decisões. Ainda assim, aprendi pela dor que a desistência, o abandono e a fuga podem representar, em contextos específicos, uma solução para o que já não tem conserto, nem nunca terá. Às vezes, insistimos em algo por acreditarmos em dias melhores. Por nobreza de caráter. Por determinação. Outros dizem: é um guerreiro, um corajoso, um destemido. Acreditamos no personagem e perpetuamos um erro. Que bobagem.

Sonhos podem camuflar pesadelos. Se uma meta já não traz recompensa material ou espiritual, pelo contrário, traz gastos exagerados e dor de cabeça contínua, aprendamos a pular fora do martírio. Um conhecido persistiu no sonho de empreender. Pediu demissão, vendeu bens e abriu um negócio. Ele não se transformou em um novo Steve Jobs. Ele perdeu tudo: bens, saúde, casamento. Poderia ter desistido ao final do segundo ano ruim, retomar a carreira, voltar à estabilidade. Não fez nada disso. Perdeu tudo.

O afeto pode escravizar uma pessoa a uma relação doentia e desleal. Acreditamos no amor, lutamos pelo amor, passamos a aceitar situações desfavoráveis e constrangedoras porque nos iludimos e pensamos: meu afeto mudará esta pessoa para melhor. Uma conhecida persistiu no casamento. Teve um, dois, três filhos ao longo de uma década. Tudo começou com ofensas, que se transformaram em tapas, surras, xingamentos. Ouviu de seus pais, da igreja, dos vizinhos: "Seu marido é um bom homem, um bom pai, recupere seu casamento." Ironia: ele foi embora para escravizar outra esposa. Por fim, emprego e amizades. Salário paga as contas, mas tem um preço também. Levantar-se para encarar o local de trabalho como quem vai para o sacrifício não é saudável. Antes chutar o balde e recomeçar em outro lugar. E os amigos? Quantos Judas espalhados por aí. Gente falsa, interesseira, mesquinha, que usa os outros como escada, pede constantemente e se transforma em um fardo? Temos de conferir a conta de nossas amizades: se o custo financeiro ou existencial se torna impeditivo, saibamos espantar o chupim, o traidor, o ingrato.

Em tempo: colocar um fim ao que já terminou, nem começou ou nem deveria existir. Isso não se mostra covardia sempre. Pode ser um necessário ato de coragem. Já disse antes, e repito: é preferível um final horroroso a um horror sem fim. De minha parte, vou mudar a letra da canção: se cair, levanto-me e recomeço a andar, mas posso fazer isso em outras direções.

 

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