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Editorial

O ranking da vergonha


    • São José do Rio Preto
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Deu a lógica no levantamento atualizado pela organização não-governamental Transparência Internacional, que anualmente mede o índice de percepção de corrupção e divulga o ranking dos países considerados mais corruptos do mundo. O Brasil caiu 17 posições e ficou em 96º lugar entre 180 nações avaliadas. Quanto mais próximo do 1º (que neste ano é a Nova Zelândia), menos corrupto, ou seja, o Brasil é mais corrupto que 95 países. Em 2016, era 79º colocado. A nova posição é a pior dos últimos cinco anos.

O ranking é elaborado com base na observação de especialistas, executivos de empresas, e em dados de instituições mundialmente reconhecidas. São analisados aspectos relacionados ao pagamento de propina, desvio de recursos públicos, excesso de burocracia, nepotismo e disposição dos próprios governos em conter a corrupção, além de se considerar os reflexos do trabalho de investigação, como ocorre na Operação Lava Jato por meio do Ministério Público, Judiciário e Polícia Federal, com acompanhamento da imprensa.

A revelação das mazelas no transcurso da Lava Jato, a propósito, é apontada pela ONG como uma das possíveis causas da piora do Brasil no ranking. Num primeiro momento, o efeito é exatamente esse. Obviamente contra a vontade dos agentes corruptos, em especial os investigados, os presos e os condenados à espera da prisão, a operação em curso no País está tirando a sujeira debaixo do tapete de forma exemplar. Se lá na frente o desfecho não premiar a impunidade, a tendência é o País melhorar sua colocação no ranking e se mostrar ao mundo e ao mercado internacional como uma nação confiável.

Grandes empreendedores brasileiros, inclusive os destroçados pelo envolvimento com a corrupção do setor público, têm adotado a prática denominada "compilance" como única fonte de salvação. Consiste na implantação de metodologias de atuação em conformidade com as leis e a ética. Trata-se da elaboração de um conjunto de procedimentos, nos controles internos e externos do negócio, na qualidade dos produtos e serviços, nas normas de conduta geral e nos processos de manutenção e melhoria contínua no cotidiano do ambiente corporativo.

Não se observa essa mesma disposição no setor público, embora de vez em quando apareça algum projeto demagogo. Nesse caso, torna-se ainda mais importante e decisiva a participação do eleitor, a quem cabe pesquisar a vida pregressa do candidato. Usado com sabedoria, o voto é o melhor desinfetante.