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Editorial

A agonia da Cidade da Criança


    • São José do Rio Preto
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Reportagem publicada nesta semana pelo Diário da Região mostrando o estado de abandono e o sucateamento de parte dos brinquedos da Cidade da Criança, em Rio Preto, ganhou repercussão na internet e levou internautas a resgatar um outro texto do jornal: o do discurso de posse do prefeito Edinho Araújo, em 1º de janeiro de 2017, quando ele anunciou ter conseguido junto ao governo federal a liberação de R$ 1 milhão para a reforma justamente da Cidade da Criança, conhecido parque de lazer inaugurado nos anos 80 pelo ex-prefeito Manoel Antunes e, desde sempre, muito procurado pelas famílias.

A falta de manutenção daquele local se acentuou nos dois primeiros mandatos de Edinho e manteve o mesmo nível de negligência nos dois mandatos do governo de Valdomiro Lopes. Passados mais 13 meses do terceiro mandato de Edinho, agora são 17 anos de descaso, entrando no ano 18. Muitas crianças que se frustraram ao tentar usar esse equipamento lá no comecinho dos anos 2000 hoje estão chegando à maioridade e observando que, nesse ritmo, nem os filhos deles poderão usufruir aquele espaço.

Alguns dos brinquedos, de tão sucateados, se tornaram irrecuperáveis, entre eles um belíssimo teleférico que um dia quebrou e de tanto ficar parado à espera de conserto, ou de alguma verba anunciada, acabou consumido pela ferrugem. O local é um perigo. Em outubro de 2016, a propósito, um menino sofreu fratura da face e teve de passar por cirurgias plásticas reparatórias. A base da estrutura de metal de um brinquedo ruiu e o equipamento caiu em cima do rosto da criança.

A Cidade da Criança tem ficado tão em segundo ou terceiro plano que perdeu a vez até mesmo para o Trem Caipira. E olha que o tal trem, projeto que consumiu mais de R$ 1 milhão, só agora está fazendo os primeiros passeios, nove anos depois de sua inauguração, com capacidade para 50 passageiros uma única vez por mês, e viagem só de ida ou só de volta entre Rio Preto e Engenheiro Schmitt.

Enquanto isso, o máximo que a famigerada Secretaria Municipal de Esportes consegue responder, burocraticamente, é que os brinquedos estragados "devem ser removidos, o que requer a contratação de serviço especializado". Nem parece mera coincidência, e é quase autoexplicativo, que a administração desidiosa da Cidade da Criança esteja sob a responsabilidade da mesma secretaria do escândalo do auxílio-atleta, aquele que transbordou dinheiro público para um bando de fantasmas e cabos eleitorais.