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Editorial

Jeitinho de político


    • São José do Rio Preto
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Com a proibição do financiamento empresarial de campanhas eleitorais no País, esperava-se que a gastança desenfreada de políticos e partidos, enfim, passasse a ter um pouco de moderação. Mas não demorou muito para o esculacho. O impedimento determinado pelo Supremo Tribunal Federal entrou em vigor nas eleições municipais de 2016, e as raposas de Brasília já arrumaram soluções para compensar a ausência do dinheiro de empresários amigos, muitos dos quais encrencados na Lava Jato e outras operações do gênero da polícia e do Ministério Público Brasil afora.

A primeira providência foi criar um fundo eleitoral financiado com o dinheiro do contribuinte. Aprovado em outubro do ano passado, vai garfar R$ 1,7 bilhão para que MDB, PT, PSDB e companhia possam custear suas campanhas nas eleições que se aproximam. E nesta semana, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) traz mais duas benfazejas notícias para nossa dispendiosa classe política, uma das mais caras do mundo, apesar da absurda desigualdade de renda e da incapacidade do Estado em atenuá-la.

Para se somar aos R$ 1,7 bilhão do fundo eleitoral, o TSE decidiu permitir que mais R$ 888 milhões de outro fundo, o partidário, destinado às despesas correntes das agremiações partidárias, possam também ser usados na campanha deste ano, elevando para mais de R$ 2,5 bilhões a cifra que poderá ser torrada pelos candidatos até outubro. O leitor já deve ter adivinhado que o tal fundo partidário também é bancado pelo governo, isto é, por cada um de nós, pagadores de impostos.

E para desequilibrar um pouco a disputa, o TSE divulgou no início do mês resolução que permite que o candidato se autofinancie até o limite de gastos para o cargo ao qual concorre, que pode chegar a R$ 70 milhões no caso de presidente da República. O menor limite, de deputado estadual, pode bater em R$ 1 milhão. O único senão é que as doações não podem ultrapassar 10% dos rendimentos brutos auferidos pelo doador no ano anterior à eleição. Ou seja, quanto mais rico, melhor.

De qualquer forma, o que mais interessa ao cidadão-eleitor-contribuinte é fechar a torneira do dinheiro público que irriga as campanhas, o que, como mostra a criação do fundo eleitoral, os políticos não têm a menor intenção de fazer. A única linguagem que eles conseguem entender, ainda assim com alguma dificuldade, é a da pressão. Talvez esteja na hora de voltar às ruas em defesa de uma reforma política de verdade para que os partidos passem a se sustentar sem vampirizar o Estado.