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Diário da Região

25/02/2018 - 00h30min / Atualizado 24/02/2018 - 20h59min

Artigo

Pátria educadora?

A evasão escolar começa a se manifestar, de forma preocupante, nos ensinos fundamental e médio

Recentemente, foram publicados dados sobre um dos graves problemas que vêm se intensificando, nos últimos anos, nas instituições de ensino superior públicas e privadas: a evasão. Na verdade, de acordo com o Ministério da Educação e com o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), a evasão escolar começa a se manifestar, de forma preocupante, nos ensinos fundamental e médio.

No caso do fundamental, a taxa de evasão na nona série, entre 2014 e 2015, foi de 7,7%. No mesmo período, a soma das taxas de evasão registradas, da primeira a terceira série do ensino médio, chegou a 30,9%. Em outras palavras, cerca de um terço dos alunos que ingressam no ensino médio, não o concluem. É preciso lembrar que quanto menor for a quantidade de alunos com o ensino médio completo, menor demanda haverá para cursos de graduação.

Com relação ao ensino superior, o cenário é ainda mais preocupante. Para se ter uma ideia, do total de alunos que ingressaram em uma faculdade, em 2010, a taxa de abandono acumulada em cinco anos foi de 49%. E um detalhe, nas instituições privadas, cujos cursos são pagos, 30% dos alunos desistem já no segundo ano. Nas públicas, mesmo oferecendo cursos gratuitos, a taxa de desistência, nesta mesma etapa, é de 19%.

Os motivos da desistência, identificados pelo Censo Escolar, não se restringem, apenas, a impossibilidade de pagamento. Vão, desde do despreparo para acompanhar as aulas (isto pode significar que há algo errado com os ensinos fundamental e médio), até a falta de identificação com o curso escolhido (o que pode significar que os jovens brasileiros demonstram insegurança ao escolher uma carreira).

A evasão, é claro, acaba afetando negativamente a taxa de concluintes. Em muitos dos cursos oferecidos em Universidades públicas, menos do que 20% dos alunos que se matriculam no primeiro ano conseguem se formar. Além disto, parte dos alunos que permanecem estão demorando mais tempo para concluir os estudos.

Bem, o desfecho decorrente da baixa quantidade de concluintes no ensino superior é previsível e quase uma tragédia anunciada: menos concluintes implica em uma disponibilidade cada vez menor de profissionais qualificados para o mercado de trabalho, de cientistas para os centros de pesquisa, que fomentam e viabilizam as inovações tecnológicas, e de professores para as instituições de ensino. Professores estes, que estariam verdadeiramente aptos a transferir os conhecimentos indispensáveis para formar cidadãos capazes de transformar e desenvolver este país.

Em um dos textos que tratam de políticas e planejamento educacional, elaborado pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura - Unesco, fica explicitado o fato de que são as políticas e planos sólidos e coerentes, a base para a construção de sistemas de educação sustentáveis, sistemas estes que permitem que objetivos de desenvolvimento educacional sejam alcançados e contribuem efetivamente para a aprendizagem ao longo da vida. Os dados sobre a evasão revelam que a política educacional concebida para a pátria, que se diz educadora, tem feito com que o atual sistema educacional, ao invés de sustentável, como preconiza a Unesco, seja, no máximo, autodestrutivo. Infelizmente.

Ademar Pereira dos Reis Filho, Doutor pelo IGCE - Unesp de Rio Claro-SP. Diretor da Fatec de São José do Rio Preto.

 

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