Diário da Região

18/02/2018 - 00h30min / Atualizado 18/02/2018 - 00h30min

Artigo

Eleições e milagres

É estranho usar a esquerda e a direita para denominar ideologias de classe política ambidestra

Nunca se falou tanto sobre a esquerda e a direita, no Brasil, como nos últimos dois ou três anos. Nem mesmo quando a temida possibilidade da "conversão comunista em massa" serviu de mote para que algumas decisões (ou imposições) políticas fossem tomadas, decisões estas que acabaram cerceando a então rarefeita democracia que se respirava, por aqui, no início dos anos 1960. Até porque, seria muito difícil distinguir a ditadura que se instalou no país, naquele período, daqueles governos, supostamente comunistas, que foram (im)plantados em algumas nações.

É estranho usar a esquerda e a direita para denominar posicionamentos e ideologias em um país cuja classe política é, em sua grande maioria, ambidestra. Basta olhar para a quantidade de partidos políticos existentes e para a maneira descompromissada e, porque não dizer, descarada que os filiados trocam, sistematicamente, de legendas partidárias.

Isto soa, no mínimo, confuso, uma vez que mudar de partido implica, ou deveria implicar em mudar,por completo, toda uma ideologia política. Mas é preciso lembrar que a ideologia política que molda a essência e a existência de um partido e o pensamento de um cidadão, resulta de uma lenta e complexa construção, visto que é influenciada por princípios éticos, ideias, doutrinas, aspectos culturais, e tantos outros fatores que se fazem presentes nos diversos grupos sociais com os quais o partido e o cidadão interagem. Não se muda uma ideologia ao assinar uma ficha de desfiliação partidária e outra, de filiação.

Quando isto ocorre de maneira efêmera, tratada meramente como uma questão de conveniência eleitoral, significa que nem o partido, nem os políticos a ele filiados estão, de fato, dispostos a defender e lutar por algo que realmente é de interesse comum de um conjunto significativo de membros da sociedade. E aí, não faz nenhum sentido dar atenção para os acalorados discursos presentes no pseudoconfronto de políticos da esquerda com os da direita, assistido pelos inservíveis simpatizantes do centro, pois, todos eles expressam e defendem interesses e convicções de cunho pessoal e não verdadeiramente ideologias.

Por esta razão, estes políticos não têm legitimidade alguma, ou seja, a sociedade não deve se dividir por causa deles. Muito pelo contrário, a sociedade precisa se unir para se livrar de todos eles.

Falando em se livrar de partidos e de políticos sem ideologia e, como foi dito, sem nenhuma legitimidade, neste ano haverá eleições. Em anos de eleição ocorrem muitos milagres: o desemprego e a taxa de juros diminuem, a inflação cai, programas assistencialistas são intensificados, etc. Mas, as eleições passam...

É sempre oportuno e útil lembrar os eleitores, mesmo aqueles que há muito perderam o alento, que o voto, quando bem usado, pode ser um poderoso instrumento de expurgo. Tão poderoso que é capaz de livrar a sociedade de tudo aquilo que é imoral e pernicioso, mas que, no entanto, é vendido para os eleitores como "algo necessário para tornar o país governável".

Para mudar este país não é preciso que haja divisão. Bastapraticar aquilo que Guimarães Rosa, sabiamente,escreveu: "eu só preciso de pés livres, de mãos dadas, e de olhos bem abertos".

Ademar Pereira dos Reis Filho, Doutor pelo IGCE - Unesp de Rio Claro-SP; Diretor da Fatec de São José do Rio Preto.

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