Diário da Região

14/02/2018 - 00h30min / Atualizado 14/02/2018 - 00h30min

Artigo

O terceiro Estado

Um elefante desgovernado, que consome muito e produz pouco, administrado por políticos ávidos por privilégios

O tempo passa, mas a política brasileira pouco muda. Entra governo e sai governo e os escândalos continuam: são os conchavos políticos entre partidos que só querem se dar bem; são as infindáveis denúncias de corrupção que envolvem valores assustadores e já não surpreendem mais ninguém; são as promessas eleitorais nunca cumpridas, e por aí vai.

Enquanto isso, a situação do povo não melhora em nada; em certos casos, até piora. Num primeiro momento, parecia que a "Operação Lava Jato" passaria este País a limpo; agora já não há tanta certeza, assim. Para essa mudança, em outros países foi necessário realizar movimentos sangrentos.

Por exemplo, em 1789, quando estourou a Revolução Francesa, a população da França estava dividida em três classes sociais: o 1º Estado, composto pelo alto clero; o 2º Estado, pela nobreza; e o 3º Estado, integrado pelo povo em geral, que não tinha direitos, mas apenas obrigações, como a de pagar pesados impostos para sustentar o 1º e 2º Estados.

Naquela época, entrou em cena o abade Sieyès, um hábil político, que lançou um famoso panfleto com as seguintes questões: "1ª) O que é o Terceiro Estado? - Tudo. 2ª) O que ele tem sido até agora na ordem política? - Nada. 3ª) O que ele quer? Tornar-se alguma coisa". São perguntas que ainda podem ser feitas no Brasil de hoje, haja vista a condições em que se encontram milhões de brasileiros do "3º Estado" - na verdade, o povo.

Goethe (1749-1832), na maior obra da língua alemã, o "Fausto", nos apresenta uma curiosa alegoria de um reino imerso em mentiras, corrupção e injustiça social, com as finanças públicas falidas, e que mesmo assim decide realizar um monumental desfile de carnaval.

Desde já, vê-se que há pontos em comum com o Brasil - carnaval, corrupção, finanças falidas, irresponsabilidade fiscal, etc. No desfile, o Estado aparece na figura de um elefante, numa espécie de abre-alas ou comissão de frente, para utilizar uma imagem que nos é familiar. Sobre o pescoço do animal, está sentada a Prudência; mais atrás, no lombo, segue a Vitória, triunfante, com as asas abertas.

Ao lado do elefante, caminham dois seres acorrentados, que representam o Medo e a Esperança. No rico imaginário de Goethe, a Prudência se regozija em manter presos aqueles que julga serem os maiores inimigos da inteligência ativa (o Medo e a Esperança). Alheio a tudo, o desfile prossegue.

Descontados os exageros, é isso mesmo que acontece no Brasil de hoje: um Estado que é um verdadeiro elefante desgoverna do, que consome muito e produz pouco, administrado por uma classe política ávida por privilégios e que pouco ou nada faz para melhorar a qualidade de vida de seu povo, cuja maioria sobrevive no 3º Estado.

Na nossa história não entram nem a Prudência e nem a Vitória, mas reinam o Medo e a Esperança.

João Francisco Neto, Advogado, doutor em Direito Econômico e Financeiro (USP); Monte Aprazível-SP.

 

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