Diário da Região

11/02/2018 - 00h30min / Atualizado 11/02/2018 - 00h30min

Artigo

Ciência e fé

Parecia que no século 21 a ciência proporcionaria a transparência necessária à emancipação do homem

O filósofo Gaston Bachelard (1884-1962) dizia que o espírito/saber científico não progride de modo linear e contínuo, mas passa por rupturas metodológicas (cortes epistemológicos).

Assim ele punha em evidência três períodos: o pré-científico que vai até o século 18 (Galileu, Copérnico, Descartes), o científico que se prolonga até o início do século 20 (Newton, Mendel, Darwin) e por fim o "novo espírito científico", que tem como ponto de partida a teoria da relatividade de Einstein, formulada em 1905.

A evolução do espírito científico caminharia "aos saltos", em abstrações e complexidades crescentes em oposição às "naturezas simples" das primeiras rupturas. Podemos afirmar que o século 20 foi aquele em que a ciência mais avançou nessa evolução. Novos paradigmas surgiram no campo da medicina (penicilina e transplantes), física (relatividade e mecânica quântica), biotecnologia (genoma humano e clonagem), para ficar apenas em alguns exemplos.

E foi durante esse período fértil para a ciência que se cogitou, por várias décadas, do declínio das religiões. O homem, de posse das ciências demonstrativas e libertadoras, poderia ir abandonando as explicações e escatologias baseadas nas crenças e na fé. Tudo indicava, por conseguinte, que o século 21 seria aquele em que a ciência daria a transparência necessária para a emancipação do homem de seus medos e suas angústias.

Mas o que nos reservou o século corrente? Uma exasperação das religiões. Bilhões de seres humanos continuam professando o judaísmo, o cristianismo, o islamismo. Outros tantos seguem o budismo, o hinduísmo, o xintoísmo, sem falar dos crentes no ateísmo e nas novas tecnoreligiões como o dataismo e o cientificismo.

Em paralelo a Inteligência Artificial, os ciborgues, os robôs, prosseguem em sua marcha para se desfazerem do corpo humano, vestirem quantas novas "capas" forem necessárias, pois estarão buscando, com seus "cartuxos" onde toda vida cerebral/emocional/psíquica estaria contida, a imortalidade.

Como explicar a persistência crescente da fé neste caleidoscópio de eventos extraordinários da ciência? Blaise Pascal (1623-1662) que foi cientista e teólogo cristão formula uma célebre "aposta" para demonstrar aos incrédulos a existência de Deus e pela fé conhecer a felicidade. Disse ele: apostando na existência de Deus e cumprindo os seus mandamentos aqueles que creem nada têm a perder e tudo a ganhar. Se ganha, ganha tudo (a felicidade eterna); se perde, não perde nada, pois nada existiria além da vida terrena.

Crer em Deus é, portanto, uma atitude bastante razoável; o homem tem todo interesse em "apostar" nas religiões...

José Manoel de Aguiar Barros, Advogado e professor; Rio Preto.

 

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