Diário da Região

08/02/2018 - 23h41min / Atualizado 08/02/2018 - 23h41min

Artigo

Presente dos gregos

A filosofia foi um presente. Portanto, aceite-a, não devolva e nunca a troque por nada

É senso comum, que a antiga civilização grega tenha deixado um legado cultural extraordinário para toda a humanidade. Especialmente, aquilo que foi realizado por muitos cidadãos gregos ao longo de quatrocentos anos, período este que é descrito nos livros como o "milagre grego". Foi neste intervalo de tempo, relativamente pequeno para a história, que os gregos inventaram a política, a filosofia e grande parte do se conhece sobre aritmética e geometria. Além, é claro, de boa parte dos padrões que foram incorporados às obras de arte que encantam e influenciam artistas, arquitetos e outros profissionais do mundo todo, até hoje.

Historiadores e cientistas de várias áreas do conhecimento, que estudaram ou ainda se dedicam às pesquisas que buscam compreender os motivos que contribuíram para a prosperidade vivenciada pela civilização grega, parecem compartilhar de um mesmo pensamento: os gregos somente conseguiram tantas realizações porque eram muito criativos. A forma de educação recebida por um jovem grego estimulava, antes de mais nada, a criatividade. No modelo grego de educação, incluía-se conhecer, profundamente, Homero, a literatura em geral e a escrita, que, juntamente com a música e a ginástica, constituíam a maior parte do currículo.

Desta maneira, acreditavam ser possível formar o "homem completo", cuja educação abrangente asseguraria a ele um lugar de destaque na polis. Outro aspecto interessante é que os gregos afirmavam que somente os escravos é que deveriam ser treinados para desenvolver habilidades específicas. Este aspecto implica em um questionamento obrigatório: quantas pessoas, que se submetem ao atual modelo educacional brasileiro, estão sendo preparadas para a "escravidão"?

Bem, voltando à Grécia, estima-se que lá tenha surgido, por volta do século VI a.C., o pensamento filosófico. Isto porque, foram de gregos, que viveram neste século (e que, mais tarde, passaram a ser chamados de filósofos pré-socráticos), as primeiras reflexões que buscavam explicar, de forma natural, os fenômenos da natureza.

Dentre os pré-socráticos, Heráclito de Éfeso, foi um dos que desenvolveu ideias muito intrigantes. Uma delas, foi a da unidade entre os opostos. Ele argumentava que o caminho para subir uma montanha era exatamente o mesmo que o da descida. Portanto, um mesmo e um único caminho poderia conduzir a direções opostas. A partir desta ideia, o filósofo afirmava que na convergência divergente da unidade do universo e na divergência convergente da diversidade de suas partes, a totalidade dos seres formava "a harmonia mais bela". Por fim, para Heráclito, nada era permanente e, ainda, a mudança era a lei da vida e do universo.

Não há como olhar para a filosofia, pré ou pós-socrática, sem enxergá-la como um presente que foi dado para a humanidade. Uma oportunidade para que o homem pudesse compreender melhor a razão de sua pequenez e de sua fragilidade e, ao mesmo tempo, que pudesse compreender como utilizar plenamente a inteligência e a capacidade que tem para tornar, a sua própria existência e a da totalidade dos seres que usufruem da mesma unidade do universo, uma experiência mais bela.

A filosofia foi um presente. Portanto, aceite-a, não devolva e nunca a troque por nada...

Ademar Pereira dos Reis Filho, Doutor pelo IGCE - Unesp de Rio Claro; diretor da Fatec de São José do Rio Preto.

 

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