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Histórias sobre a cultura negra no Brasil e no mundo contadas pelo jornalista e militante negro Marco Antonio dos Santos
Vem aí o Pantera Negra
domingo, 04/02/18, às 11:02, por
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Quando eu era criança, adorava ler historias em quadrinho do personagem Pantera Negra. Explico o fascínio da seguinte forma: enquanto Superman, Batman e o Homem Aranha eram heróis brancos, o Pantera era o único negro. Suas historias era publicada nas revistas Heróis da TV ou no Superaventuras Marvel.

Tempos atrás, eu enviei um email para meu amigo Marcus Vinicius Bonfim, professor da Universidade Católica de Santos, que é apaixonado por HQs comentando sobre a possibilidade de rodarem um filme sobre o Pantera Negra. Não demorou ele me mandou um material que sem duvida alguma, matou minha saudade. Mesmo porque o herói não é mais editado nas muitas mudanças de historia nos gibis.

Segundo as informações fornecidas por Marcus Vinicius o Pantera Negra foi criado em 1966 por Stan Lee (mesmo criador de X-Men e Homem Aranha) e Jack Kirby. O ano explica a inspiração: os Panteras Negras – ONG afro-americana radical de combate ao racismo que ainda está em funcionamento. Existe ainda a referência aos ícones negros, o pastor Martin Luther King e líder mulçumano negro Malcolm X, que foram assassinados nas décadas de 1960.

Outro fator que pode ter influenciado Stan Lee foi à onda de orgulho negro e valorização de símbolos africanos. Apesar disso o desenhista jura que não pensou em nada disso para construir o personagem e suas historias. Difícil acreditar.

A primeira aparição do Pantera Negra foi no numero 52 da revista Quatro Fantásticos –editada nos Estados Unidos. Vestia uma mascara emitindo as feições de uma pantera e seu uniforme era totalmente negro.

Sua identidade secreta era mais interessante: deixando da máscara escondia a identidade de um monarca africano. Bem similar ao multimilionário Bruce Wayne – Batman. Seu nome era Tchalla e governava o reino fictício de Wakanda.

Igual ao assassinato dos pais de Wayne, que serviu de exemplo para se tornar um herói, a morte de seu pai Tchaka, pelas mãos do vilão Garra Sônica, motivou a lutar contra o crime. E quer algo mais: ele se torna uma espécie de Fantasma (O Espírito que Anda), defendendo seu reino.

Para melhor defender o reino, Tchalla estuda em Universidade dos Estados Unidos e se torna um grande cientista. Voltando a sua terra, resolve usar seus conhecimentos para melhorar a vida de seu povo. E começa a comercializar o fictício metal raro vibranium para trazer divisas para o Wakanda. O metal em questão é o mesmo que faz parte do esqueleto do personagem Wolverine, do X-Men. Coisa que só quem lê os gibis vai entender.

Como parte do ritual de coroamento Tchalla recebe uma dose de uma bebida a base de uma erva sagrada africana e ganha força, agilidade e sentidos sobre-humana. Com seus conhecimentos e dinheiro do vibranium transforma Wakanda no país mais avançado do mundo.

Tempos depois o Pantera Negra passa a fazer parte dos Vingadores ao lado do Capitão América, Poderoso Thor e Homem de Ferro.

Mas legal mesmo era ver as historia que se passavam no reino Wakanda, quando ele enfrentava seus rivais locais. A África era retratada de maneira apaixonante. Nada de pessoas tolas e subdesenvolvidas. Todos inteligentes e com uma beleza sensacional. São roteiros bem definidos, que deixa a duvida se não foram escritos por militantes negros, ou mesmo, tenham sido influenciados.

O Pantera Negra, a exemplo de Blade – o Caçador de Vampiro, que virou um sucesso nas telas com o ator negro Wesley Snipe, ganhou sua versão cinematográfica. É bom lembrar que o Blade virou o primeiro filme a tornar rentável a versão nas telas de heróis da Marvel.

Analisando Pantera Negra mostrava nos gibis um soberano africano – isso nos anos 60, quando muitos países africanos ainda eram governados por europeus já é um avanço. Nas escolas ensinavam que nós negros descendíamos de escravos, sem contar a historia da África com seus vários reinos. Só agora com a Lei 10.639, isso começa a ser consertado.

Outro avanço notado nos roteiros do Pantera Negra é que ele é um soberano africano que segue as ideias de James Shikwati, economista queniano, que prega a auto determinação e auto desenvolvimento sustentável das nações africanas sem interferência externa. Basta que se tenham políticos honestos no poder.

E ele derruba mitos como o de Tarzan, que retratava o poder “civilizatório” do homem branco, quando ele, mesmo criado por gorilas, se mostrava intectualmente mais esperto com os chefes africanos. Eu pessoalmente odiava as historias.

Fico aguardando o filme que chega as telas agora em fevereiro. Antes mesmo da estreia muita gente está empolgada. Um exemplo é o rapper Emicida, que escreveu uma música especialmente para o filme.

Quem quer assistir história de heróis negros em quadrinho, podem assistir os seriados Luke Cage e Raio Negro, disponíveis na Netflix. Além de muita ação e boas histórias, a trilha sonora dos dois seriados é fantástica. Sente, aumente o som e curta.

 

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