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Diário da Região

21/02/2018 - 00h30min / Atualizado 20/02/2018 - 22h46min

IGUI

O super-herói de quatro patas

Atropelado, o cãozinho Igui estava prestes a ser sacrificado, mas foi resgatado e encontrou um novo lar junto com a bióloga Danila, que dá muito amor e carinho para o companheiro

Mara Sousa 17/2/2018 Danila Keuchguerian com o cachorrinho Igui:
sem o movimento das patas traseiras,
ele usa uma cadeira de rodas adaptada
Danila Keuchguerian com o cachorrinho Igui: sem o movimento das patas traseiras, ele usa uma cadeira de rodas adaptada

O vira-lata Igui poderia, como muitos outros, ter passado anos em um abrigo e morrido sem encontrar um lar. Atropelado em 2017, ninguém sabe quem era seu dono. Encontrado na sarjeta, onde ficou por dois dias, foi levado a uma clínica veterinária em que permaneceu mais três. O profissional disse que não havia jeito, a única opção era o sacrifício. Como a pessoa não tinha recursos para pagar a eutanásia particular, foi encaminhada ao Centro de Controle de Zoonoses com um laudo para eutanásia. Igui estava para ser morto quando uma protetora resolveu resgatá-lo. Era 3 de julho de 2017.

Ela o levou para o hospital veterinário da Unirp, onde ficou constatada uma fratura compressiva na coluna que o fez perder os movimentos das patinhas traseiras. Além disso, também estava desidratado. Lá recebeu os cuidados, fez os exames necessários e ganhou uma cadeira de rodas, adaptada por um dos enfermeiros do hospital. Seu caso foi anunciado nas redes sociais e o cãozinho foi adotado pela bióloga Danila Keuchguerian, que, consciente sobre a importância da adoção responsável, o buscou no hospital há cerca de seis meses.

Vídeos foram compartilhados na internet com o cachorro vestido de herói. O "Super Igui", que deve ter cerca de três anos, foi fazer parte de uma família de cães e gatos já cuidada pela amante dos animais. Por causa do atropelamento, o pequeno perdeu o movimento das patas traseiras e anda com ajuda de uma espécie de cadeira de rodas canina. Danila conta que muitos não quiseram o bicho porque ele era vira-lata; outros, porque tinha uma deficiência. "Eu digo com toda certeza do mundo: o Igui não dá trabalho. A história dele é mais linda do que se imagina. Apesar de tanto sofrimento, o Igui, através da misericórdia divina, conheceu o verdadeiro sentido das palavras amor e respeito."

Nas redes sociais, as pessoas deram muitas desculpas para não ficar com ele. "Fui observando. Não aparecia nunca uma pessoa que se dispusesse a tratar do animal. Igui é um animal que vive comigo e sempre vai viver, até o último dia da vida dele", garante a tutora.

No novo lar, ele encontrou lençol, travesseiro, carinho, banho, remédio, fraldas e alguém que o ajuda a fazer xixi e cocô - por causa da paralisia na parte inferior do corpo não consegue fazer sozinho, por isso precisa de estímulo. "Caso contrário ele começa a absorver o que não é bom, as toxinas. A pessoa que fizer esse estímulo tem que ter paciência, é no tempo dele. O Igui é dependente de mim e sempre será. Hoje recebe doses diárias do carinho e cuidados que tanto precisa. É motivo de felicidade na minha vida, e acredito que eu também seja motivo de felicidade na vida dele", pondera Danila.

Depois de chegar à nova casa, Igui passou por uma castração. "Agora ele está super bem, lindo. Ele é um bebê para mim, uma criança. Está deitado no bercinho dele. Merece isso. Já sofreu muito", considera a dona, que pensa nas horas ruins vividas pelo companheiro. "Eu imagino a angústia do animal atropelado dois dias na sarjeta", fala.

Dani conta que nem se preocupou muito em saber a história de vida do bichinho, mas sim sua situação no momento. "Como sofreu esse menino! Mas hoje, ainda bem, tem uma família. Eu trouxe o Igui comigo já sabendo que a situação dele é permanente, que usaria fralda para o resto da vida, teria que tomar medicação, que existem assaduras, que é necessário o uso de pomadas."

Como às vezes elimina urina e fezes sem perceber, por causa da paralisia, precisa constantemente usar fraldas de bebê tamanho M - que podem ser doadas. A dona também utiliza gaze para fazer uma espécie de meia para evitar lesões nas patinhas, causadas pelo movimento de arrastar que faz no chão quando está sem a cadeira de rodas. "Pomada cicatrizante eu sempre tenho. Tenho uma farmacinha veterinária", preocupa-se a bióloga.

Compaixão canina

A tutora madruga para cuidar de sua família de cães e gatos. "Meus outros cães, quando viram o Igui chegar, ficaram quietos e foram se aproximando devagar para conhecê-lo. Nunca nenhum outro cão sequer latiu para o Igui. Acredito que exista compaixão. Eles respeitam a deficiência do Igui. Isso é uma grande prova de que os animais não têm maldade! São puros. São anjos", acredita.

Eles foram resgatados e tirados da rua, onde foram vítimas do descaso, da fome e dos maus-tratos. São cães de raça e vira-latas. Igui não é o único que precisa de cuidados, pois há bichos que foram atropelados, abandonados, com deficiência visual. "Não vejo como problema. O Igui não é um problema, um obstáculo, uma pedra no sapato. Eu escolhi ter o Igui, ele me traz muita alegria."

A falta de movimento nas patas não é motivo para o cãozinho deixar de fazer festa. "Ele joga o corpinho como que querendo pular em mim a hora que me vê chegar, tem um sorriso no rosto, é um barato. É um animal muito ciumento, quer carinho, quer ficar no colo, é um amor", derrete-se.

De acordo com ela, o pequeno é saudável e, apesar da paralisia, tem muita vontade e alegria de viver. "Esse menino é um grande exemplo para nós humanos", acredita. Apesar das limitações, dependência e necessidades, o bicho é muito feliz. "E expressa um sorriso enorme todas as manhãs em retribuição aos cuidados e amor que recebe. Isso sim é o verdadeiro sentido do que chamamos gratidão."

Adoção responsável

A bióloga pensa que as pessoas mistificam a responsabilidade de cuidar de um animal, mas acha que basta ter vontade. "Para mim são filhos porque é uma grande satisfação. A adoção é uma coisa muito legal. Faço porque quero fazer, ninguém me obriga e não quero me promover com isso."

A tutora critica o posicionamento de algumas pessoas que querem apenas cães de raça, saudáveis e pequeninos. "A hora que o animal começa a dar problema, abandona. Infelizmente, o ser humano faz isso com bastante tranquilidade."

A bióloga é apaixonada pelos bichos desde criança e a presença dos seres de quatro patas lhe traz alegria. "Todos os dias, durante o trabalho, sinto saudades deles e não vejo a hora de voltar para casa. Me sinto feliz com eles e percebo que eles também se sentem aqui comigo."

Apesar de estar satisfeita com as adoções que fez, Danila ressalta que este deve ser um ato muito bem pensado. "É uma vida e necessita cuidados e dedicação. O adotante deve analisar a sua condição física, financeira e emocional antes de adotar um animal. Deve-se ter consciência e muita responsabilidade. Um animal pode viver muitos anos e, mesmo estando bem de saúde, depende do tutor para tudo", lembra.

Danila finaliza reforçando que adotar é muito bom e sinônimo de amor incondicional. "O Igui e todos os outros animais que adotei são meus filhos. E filhos a gente cuida e protege por toda vida."

 

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