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Diário da Região

19/02/2018 - 17h33min / Atualizado 19/02/2018 - 17h51min

É A VIDA

O adeus ao Pequeno Príncipe Diego

Morador de Mirassolândia que faleceu neste final de semana era cheio de semelhanças com o personagem do livro

Magda Pinheiro Diego lutou contra a doença com otimismo
Diego lutou contra a doença com otimismo

Diego Raphael dos Santos Castro, de cinco anos, era mesmo como o Pequeno Príncipe, da história do francês Antoine de Saint-Exupéry. Mesmo de tão pouca idade, viveu muita coisa. Presenciou (e, no caso do Pequeno Príncipe morador de Mirassolândia), viveu muitas coisas que não compreende. O menino da ficção não consegue entender as pessoas que vivem em função do seu trabalho, sempre tão envoltas pelo ego.

O nosso Pequeno Príncipe não devia compreender a razão de, por enquanto, precisar tanto dos médicos e de não poder sair para andar de bicicleta sempre que quisesse devido aos tubos que muitas vezes habitavam seu corpo. E as semelhanças não paravam por aí. Mesmo tão novinhos, os dois, em meio aos problemas, mantinham o otimismo e conseguiam ensinar muito a quem estava à sua volta. O menino do livro ensinava o aviador que, muitos acreditam, é o próprio Exupéry. Diego ensinava a família, principalmente os pais Laiz e Raphael, a terem força e nunca desistirem de lutar.

Neste final de semana, assim como o Pequeno Príncipe da ficção, Diego foi para casa. No livro, é a picada de uma cobra peçonhenta que envia o pequeno para seu lar. Na vida real, mais cruel e dolorida, foi uma leucemia linfoide aguda que impediu o menino de esperar mais um pouco pelo transplante de medula que poderia tê-lo salvado. 

A luta foi grande, durou muito tempo. Várias mensagens de apoio aos pais circularam pelas redes sociais. Como já foi dito em situações similares, onde Diego está agora não existe mais dor, sofrimento, agulha, medo ou incertezas. Deve ter encontrado no céu os colegas Heitor, Raphaella, Beatriz. Foram todos príncipes e princesas de um mundo para o qual eles talvez fossem bons demais. 

Que ele e os pais possam se encontrar de novo, quando for da vontade de Deus, do universo - cada um chama do que deseja. Que onde estiver encontre sua paz. Para quem fica, resta a dor e a batalha para encontrar forças em meio a tanto sofrimento. Que aqueles que amaram Diego saibam encontrar seu conforto na certeza de que ele está em um lugar melhor, brincando de bola, bicicleta e amarelinha. Descanse em paz, Pequeno Príncipe.

História

Magda Pinheiro Diego recebe o carinho dos pais, Raphael e Laiz
Diego recebe o carinho dos pais, Raphael e Laiz (Foto: Magda Pinheiro)

O Pequeno Príncipe do Noroeste nasceu em novembro de 2012. Em junho de 2015, foi diagnosticado com leucemia linfoide aguda. A leucemia é o tipo de câncer mais comum entre as crianças. Muitas vezes de origem genética, na maioria dos casos aparece sem nenhuma doença prévia. A medula começa a produzir células doentes em vez de saudáveis. Os leucócitos (células brancas, responsáveis pela defesa do organismo) passam a existir em doses altíssimas, mas o nível de plaquetas cai e o paciente apresenta anemia.

Foram três meses até chegar no diagnóstico. “A gente procurou vários médicos, fez vários exames e não dava nada. Começou com uma dorzinha na perna, vários caroços pelo corpo, mancha roxa, a perninha e o pezinho começaram a inchar, ele parou de andar nesses três meses. Trocamos de médico e hospital e aí chegamos no diagnóstico de leucemia”, contou a mãe de Diego, Laiz Charlott dos Santos Sanches, de 25 anos.

A equipe médica havia conseguido zerar a leucemia no organismo de Diego e ele estava passando por uma sessão de quimioterapia a cada 21 dias para manutenção do quadro. A última teria acontecido em 28 de outubro de 2017. Em maio do ano passado, no entanto, os sintomas do tumor voltaram. Com eles, veio de novo a doença.

“Os médicos decidiram que não tinha outro jeito, só o transplante”, relatou a mãe. Para passar pelo procedimento, é preciso matar todas as células doentes com quimioterapia. A família passava uma semana em casa e outra no Hospital da Criança e Maternidade (HCM). Em outubro, no entanto, o menino passou a ter bastante intercorrências, precisando ser internado na UTI. Desde dezembro, Diego não saiu do hospital. No começo de janeiro, os médicos constataram que a leucemia havia retornado mais uma vez.

Para a mãe, Diego representa “tudo”. Mesmo com as dificuldades – em certo período, bastante inchado, mal conseguia abrir os olhos –, ele mantinha o bom humor. “O pouco que você conversa ele está sempre rindo, sempre tentando te animar. Por mais que às vezes a gente está meio para baixo ele sempre deixa a gente animado ajudando, dando força", contou, antes da morte do filho.

O mundo do pequeno era cheio de brincadeiras: tablet, videogame, livros de pintar, bicicleta, moto, bola e amarelinha. “Ele me ensinou a ter força, lutar sempre, sem desistir, independente do que os outros falam”, completou Laiz. 

Grande família

Pelo tratamento muitas vezes ser longo, as famílias das crianças acabam se conhecendo e criando vínculos. Uma compartilha as campanhas da outra e manifestam solidariedade quando há alguma perda. “A gente acompanha cada um. Cada vitória de outra criança é nossa vitória junto e cada perda de cada criança a gente chora junto com cada mãe. É uma grande família, uma ajudando e apoiando a outra", afirmou Laiz. 

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