Diário da Região

23/02/2018 - 23h37min / Atualizado 23/02/2018 - 23h37min

LAVA JATO

Odebrecht bancou área para Instituto Lula

Polícia Federal encontrou remessa da empreiteira a ex-dono do terreno

Reprodução O empreiteiro Marcelo Odebrecht, que fez a declaração durante delação premiada, também apresentou 21 trocas de e-mails sobre pagamentos
O empreiteiro Marcelo Odebrecht, que fez a declaração durante delação premiada, também apresentou 21 trocas de e-mails sobre pagamentos

A perícia do sistema de propina da Odebrecht identificou os pagamentos da empreiteira, no Brasil e no exterior, para a compra do terreno do Instituto Lula. Os documentos comprovam as declarações do empresário Marcelo Odebrecht que, em delação premiada, afirmou ter combinado com o ex-presidente do Instituto Paulo Okamotto e o pecuarista José Carlos Bumlai, amigo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a compra do terreno.

Nesta semana, a defesa de Marcelo Odebrecht apresentou ao juiz Sérgio Moro 21 trocas de e-mails que mostram como a empreiteira organizou os pagamentos. Num dos e-mails, o ex-diretor da Odebrecht Realizações Imobiliárias Paulo Melo pede que executivos do setor de propinas programem três pagamentos de R$ 1,057 milhão. São os mesmos valores que aparecem na planilha Italiano relacionados à linha "Prédio IL". De acordo com as investigações da Lava Jato, "italiano" é o ex-ministro petista Antonio Palocci, que já confessou em depoimento ter gerenciado propinas ligadas ao PT.

A perícia encontrou, na contabilidade do sistema "Drousys", usado pela Odebrecht para controlar as remessas ilegais, pagamentos para o condinome "Belluga". De acordo com as investigações, os repasses para "Belluga" tinham como destinatário contas ligadas a DAG Construtora, empresa usada pelo empreiteira baiana para comprar o terreno do Instituto. A perícia afirma que os pagamentos tiveram como beneficiários as offshores Beluga Holdings LTD, Jaumont Services Limited e a DAG Construtora. A perícia ainda aponta a DAG Construtora, o engenheiro Glaucos da Costamarques e o escritório Teixeira, Martins Advogados como 'beneficiários físicos' dos repasses atrelados ao codinome 'Beluga'.

A PF diz que há indícios de que parte dos repasses feitos a DAG teriam tido como destino final o empresário Glaucos Costamarques. O valor total retirado da conta de propina sob o codinome seria de R$ 1,034 milhão e Glaucos da Costamarques teria recebido R$ 800 mil por meio da DAG.

Costamarques é dono do imóvel alugado pelo ex-presidente Lula em São Bernardo do Campo. A locação é investigada na mesma ação em que foi anexada a perícia. De acordo com o Ministério Público Federal, que denunciou Lula e Glauco da Costamarques pela prática do crime de lavagem de dinheiro, o apartamento foi adquirido para o ex-presidente e sua real propriedade foi dissimulada por meio de um contrato de aluguel. O imóvel, avaliado em R$ 504 mil, constituía parte do montante de R$ 800 mil provenientes da Odebrecht.

A defesa de Lula afirma que a cobertura usada pelo ex-presidente é alugada de Glaucos Costamarques. Glaucos, no entanto, disse em depoimento que nunca recebeu aluguel. O Instituto Lula nunca usou o prédio comprado pela Odebrecht em nome da DAG e, em depoimento, Lula afirmou que chegou a visitar o imóvel, mas considerou a localização inadequada e, por isso, não aceitou.

 

Empresário teria pago advogado de petista

A ex-mulher do presidente da Federação do Comércio do Estado do Rio de Janeiro (Fecomércio-RJ), Orlando Diniz, preso na Operação Jabuti, desdobramento da Lava Jato, nesta sexta-feira, 23, relatou ao Ministério Público Federal, no Rio, que o advogado Roberto Teixeira, compadre do ex-presidente Lula, pediu R$ 1 milhão em espécie, em 2012, para defender o dirigente. O Ministério Público Federal aponta que o escritório Teixeira, Martins e Advogados recebeu um total de R$ 68.260.743,05 da Fecomércio.

Diniz é presidente da Fecomércio fluminense desde junho de 2004 e dos conselhos do Sesc e do Senac, ambos do Rio, desde 1998. Em dezembro do ano passado, o dirigente foi afastado da presidência do Sesc/Senac por determinação do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Desde 2010, Orlando Diniz é questionado na Justiça por supostas irregularidades à frente das entidades.

Danielle Paraiso de Andrade, ex-mulher de Orlando Diniz, foi diretora jurídica e diretora de governança do Senac e prestou depoimento ao investigadores. A ex-mulher de Orlando Diniz relatou que em 2011 houve um pedido de intervenção do Sesc nacional e também abertura de procedimento no Tribunal de Contas da União.

Enriquecimento de 100%

O Ministério Público Federal, no Rio, aponta que Diniz aumentou seu patrimônio em 1.000% durante o governo Sérgio Cabral (MDB), no Estado. O emedebista comandou o executivo fluminense entre 2007 e abril de 2014.

"Orlando Diniz teve no primeiro ano de mandato de Sérgio Cabral, em 2007, bens e direito declarados num total de R$ 497.860,45, mas no último ano do segundo mandato, em 2014, seu patrimônio saltou para R$ 5.354.820,70, portanto um aumento de mais de 1.000%, o que é de se espantar mesmo considerando as dívidas declaradas. Nos anos seguintes, já findo o mandato do ex-governador, o investigado declarou decréscimo patrimonial", apontou a força-tarefa da Lava Jato.

 

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