Diário da Região

02/02/2018 - 11h51min / Atualizado 02/02/2018 - 11h51min

BODAS DE PORCELANA

Carol, a nossa estrela do vôlei

Aos 36 anos, a rio-pretense Carol Gattaz completa 20 anos de carreira, jogando a Superliga em alto nível e satisfeita com o legado que deixará para novas gerações

Orlando Bento / Minas Tênis Clube Rio-pretense Carol Gattaz está na final do Campeonato Sul-Americano de Clubes 2018
Rio-pretense Carol Gattaz está na final do Campeonato Sul-Americano de Clubes 2018

A rio-pretense Carol Gattaz, meio-de-rede do Minas, recebeu homenagens ao longo desta semana pelos 20 anos de carreira. Aos 36 anos, Carol já não tem o vigor da adolescência, quando deixou o conforto da casa dos pais em Rio Preto para morar em um alojamento na cidade de São Caetano do Sul. No entanto, a cada partida pelo Minas na Superliga deste ano, ela demonstra que ainda tem muita lenha para queimar.

Em meio às glórias e tropeços, Carol tem muita história para contar e, em entrevista ao Diário, recordou os primeiros passo, a primeira convocação pela Seleção, a dor pelo corte nas Olimpíadas de Pequim em 2008. Ao revisitar o começo dessa paixão entre Carol e o vôlei, o curioso é que ela poderia ter seguido outro rumo, o basquete. "Antes eu jogava basquete no Automóvel Clube. Como não tinha time feminino na época, não cheguei a disputar campeonatos, somente treinos, porque eu adorava meu técnico naquela época, o Wilson Aparecido Tonelli. Ele me incentivou muito no esporte", recorda a jogadora. "Do basquete recebi um convite do Marquinhos e Fabinho (técnicos do time de vôlei do Automóvel) para participar dos treinos. Acabei me apaixonando. Quando a equipe do Automóvel se federou, jogamos contra equipes de São Paulo, e no primeiro campeonato que disputei recebi convite para jogar nessas equipes."

Tonelli recorda que Carol tinha facilidade para todos os esportes. "A Carol sempre foi uma menina com talento e vontade para todos os esportes. Por isso chegou onde está."

Aos 15 anos, Carol foi para o Osasco e, em seguida, para a Hípica de Campinas. Padeceu distante dos familiares e voltou para jogar mais um ano em Rio Preto. Até que, aos 17, ela recebeu novo convite. Dessa vez do São Caetano e, em 1997, Carol começaria a escrever sua história. E graças ao carinho da mãe, Cidinha Gattaz. "Eu tinha uma grande amiga que jogava pelo São Caetano na época, a líbero Marcela Franklin, também rio-pretense e que foi comigo para Seleção Brasileira Juvenil em 1999, e isso me deu uma coragem a mais pra ficar lá. Mas a grande incentivadora de toda minha carreira foi minha mãe. Ela nunca desistiu de mim, e toda vez que eu ligava chorando pra casa querendo voltar, ela toda carinhosa me dava mais coragem para enfrentar a próxima semana", conta Carol.

Dois anos depois de ter saído de casa, Carol colheu o primeiro grande fruto. Em 1998, ela foi campeã paulista e disputou a sua primeira Superliga. No ano seguinte, foi convocada para defender a Seleção Brasileira juvenil e se firmou como uma das principais jogadoras do São Caetano. As atuações despertaram atenção do Rexona. A carreira decolou e ganhou capítulo especial a partir de 2003, quando o técnico José Roberto Guimarães convocou Carol para defender a seleção adulta. "Foi uma emoção muito grande estar no meio de grandes nomes, como Fernanda Venturini, a Virna, entre outras, e eu uma das mais novas", disse.

Pelo Brasil, Carol sagrou-se campeã Sul-Americana Juvenil (1999), e no time adulto, tetracampeã Sul-Americana (2003/05/07/09), cinco vezes campeão do Grand Prix (2004/05/06/08/09), bicampeã da Copa dos Campeões (05/13), tricampeã do Torneio Montreux (2005/06/09), bicampeã do Final Four (2008/09), bicampeã da Copa Pan-Americana (2006/09). Uma história bonita, mas com um capítulo triste. Carol lamenta o corte na véspera das Olimpíadas de Pequim, em 2008, onde o Brasil faturou o ouro olímpico. Na ocasião, o técnico Zé Roberto convocou Thaísa, Fabi, Walewska e Valeskinha. "Não achei justo, acho que eu merecia ter sido campeã olímpica com a minha geração, porque fiz parte toda dela", lamenta Carol.

Machucada, Carol encontrou seu refúgio no próprio vôlei. "São coisas que temos que superar, e eu consegui, fui para o Rexona e muito bem acolhida por todos. Passei a jogar com mais amor ainda." Como consolo, Carol conquistaria a Superliga 2008/2009 pelo Rexona. "O título que me fez ressurgir", define a rio-pretense, que também sagrou-se campeã da Liga em 2004/2005 com o Finasa/Osasco e em 2010/2011 com a camisa da Unilever.

Tática da mãe para carreira decolar

Se Carol Gattaz chega aos 20 anos de carreira, a mãe Cidinha Gattaz colhe os méritos. Para segurar a filha, com 15 anos, em São Paulo, Cidinha recorreu a uma tática.

"Quando a Carol vinha passear em Rio Preto, pedia para voltar. Eu oferecia um acordo que, se a Carol suportasse só mais uma semaninha, até resolvermos o seu retorno. E foi passando, a Carol começou a superar cada dificuldade", conta Cidinha, emocionada pela carreira da filha. "Desde pequena, a Carol foi muito competitiva, praticava todas as modalidades na escola e ia para Riopretíades. Sabíamos que, independemente do esporte, a Carol iria se dar bem", afirma a mãe.

Aliás, a jogadora é grata ao amor da família. A cada vitória ou derrota, ela sabe que, no final de cada jogo, irá receber uma mensagem no WhatsApp da avó, a dona Zélia Gattaz prestes a completar 90 anos. Neste sábado, a mensagem foi de consolo. Com Carol em quadra, o Minas perdeu por 3 sets a 1, 25/21, 25/13, 19/25 e 25/13, para o Praia Clube na tarde deste sábado, pela sétima rodada do returno da Superliga. O Minas buscava o terceiro lugar, e o Praia segue invicto na liderança.

O Legado

Carol ainda não sabe quando irá encerrar a carreira. Nesse dia deixará as quadras realizada. "É um longo caminho jogar profissional e se manter em alto nível todos esses anos, não é fácil. E eu consegui. Mas acredito é que muitas pessoas me olham e veem que todo esforço foi recompensado. Espero que vejam que eu dei meu melhor, eu pude representar a minha cidade São José do Rio Preto mundo afora e tenho muito orgulho disso. Que possam ver que sonhar é possível, mas correr atrás do sonho é mais importante ainda. Lutem pelos seus ideais, tenha caráter sempre, porque a partir daí que as pessoas vão saber quem você é realmente, e passam a te admirar por isso. Para mim, é um compromisso muito grande pelo que construí a imagem e passo até hoje, mas espero que esse legado seja visto e celebrado por várias gerações", declara Carol.

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