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Diário da Região

23/02/2018 - 22h56min / Atualizado 23/02/2018 - 23h00min

CLASSIFICAÇÃO DE RISCO

Fitch reduz nota de crédito dada ao Brasil

Mercado 'ignora' rebaixamento e bolsa fecha pregão com um novo recorde

Reprodução Frustração da reforma da Previdência, rombo nas contas públicas e indefinição dos candidatos à presidência levaram ao rebaixamento
Frustração da reforma da Previdência, rombo nas contas públicas e indefinição dos candidatos à presidência levaram ao rebaixamento

Sem reforma da Previdência, com um enorme buraco nas contas públicas e uma grande indefinição em relação aos candidatos à presidência na eleição de outubro, o Brasil voltou a ter sua nota rebaixada por uma agência de classificação de risco. Depois de a Standard & Poor's já ter feito esse movimento no início de janeiro, nesta sexta-feira, 23, foi a vez de a Fitch reduzir a nota brasileira, de BB para BB-. Com isso, o País ficou três níveis abaixo do chamado "grau de investimento" - uma espécie de selo que mostra que um país tem risco baixo de dar calote em sua dívida.

De acordo com a Fitch, o fim da possibilidade de votação da reforma previdenciária, com a intervenção federal no Rio - o que impede, de acordo com a legislação, a tramitação de propostas de emenda à Constituição -, representou um "importante revés", minando a confiança de médio prazo nas finanças públicas e no compromisso político do governo em perseguir o ajuste fiscal.

O relatório da agência também cita que, com a dificuldade de votar a reforma da Previdência agora, o projeto ficou mesmo para depois da eleição, e há grandes incertezas sobre a capacidade do próximo governo de garantir a aprovação da reforma em tempo hábil.

Apesar do sinal negativo dado pela Fitch, o mercado financeiro recebeu o anúncio sem sustos. A B3, Bolsa de Valores de São Paulo, registrou a oitava sessão seguida de alta, de 0,7%, fechando com um novo recorde: 87.293 pontos. Com isso, o índice acumula no ano uma alta de 14,26%. O câmbio, por sua vez, o dólar voltou a cair, terminando o dia cotado a R$ 3,2403, com baixa de 0,27%

A explicação para essa reação é de que o rebaixamento já era amplamente esperado, uma vez que as grandes agências de rating já haviam sinalizado que mudariam a nota em caso de fracasso da reforma da Previdência. Agora, espera-se, para breve, o mesmo movimento por parte da agência Moody's.

Para o economista Gustavo Loyola, ex-presidente do Banco Central e sócio da consultoria Tendências, o rebaixamento foi um "reconhecimento" ao Brasil pela falta de iniciativa de atacar os problemas fiscais. E, segundo ele, o caminho de volta para recuperar o grau de investimento se torna cada vez mais difícil

"A cada ano que você adia a reforma previdenciária, mais difícil se torna (a reconquista do grau de investimento)", disse. "O governo não tem espaço para aumentar imposto, então como é que você equilibra sem uma reforma? E essa crise fiscal não está focada no governo federal - ela é generalizada."

Para analistas do mercado financeiro, depois desses rebaixamentos, novos movimentos no rating brasileiro vão aguardar o resultado das eleições. A partir daí, espera-se que haverá maior clareza sobre o caminho que o País vai tomar para conter o aumento da dívida pública.

Meirelles não vê surpresas

O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, afirmou que o rebaixamento da nota de crédito pela agência de classificação de risco Fitch já era esperada, na medida em que acompanha movimento similar feito em janeiro por outra agência, a S&P Global Ratings. Segundo ele, o downgrade se deu principalmente em razão da não aprovação da reforma da Previdência e de outras medidas do ajuste fiscal. Para ele, assim que essas medidas forem aprovadas pelo Legislativo, as notas de crédito anteriores voltarão e poderão até mesmo melhorar no futuro.

Meirelles afirmou que a Fitch sinalizou "claramente" que assim que medidas do ajuste fiscal forem aprovadas, "teremos uma volta normal não só ao rating anterior, mas, tudo indo na direção certa, inclusive, uma melhora do rating no futuro".

Entre as medidas que precisam ser aprovadas, ele citou os projetos de reoneração da folha de pagamento, o aumento da contribuição previdenciária de servidores públicos e a tributação de fundos exclusivos, além da reforma da Previdência

Para o economista-chefe do banco Fator, José Francisco de Lima Gonçalves, as agências de rating entendem que a capacidade de o presidente Michel Temer liderar uma agenda de ajuste estrutural das contas públicas chegou ao limite. (AE)

Cenário eleitoral preocupa

No relatório em que anuncia o rebaixamento do rating do Brasil, de BB para BB-, a agência de classificação de risco Fitch Ratings ressalta que as eleições para presidente devem adicionar mais incerteza ao cenário político, destacando que um dos motivos é a falta de uma candidatura competitiva que seja favorável ao mercado financeiro

"Embora o ciclo eleitoral ainda esteja no início, a falta de apoio substantivo a um candidato favorável ao mercado, a natureza fragmentada do cenário eleitoral, a redução da confiança nas instituições e as investigações em curso de Lava Jato significam que os riscos relacionados ao ciclo eleitoral não podem ser desconsiderados", listou a agência.

A agência disse que não aposta que a eleição termine com a vitória de um candidato populista e favorável a mais intervencionismo estatal, mas reforçou que a incerteza política vai persistir, com a força e o ritmo do ajuste econômico e fiscal podendo variar a depender do candidato vencedor e do apoio que ele terá no Congresso.

"Uma forte liderança política com governabilidade seria importante para avançar nas reformas, para apoiar a confiança", defende a Fitch. (AE)

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