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Diário da Região

01/02/2018 - 22h29min / Atualizado 01/02/2018 - 22h29min

Crescimento

Surpresa no chão de fábrica

Produção industrial apresenta crescimento em 19 dos 26 ramos pesquisados no ano passado

Daiana Bento/ Divulgação Com crescimento de 17,2%, a produção de veículos automotores foi destaque no ano passado, segundo o IBGE
Com crescimento de 17,2%, a produção de veículos automotores foi destaque no ano passado, segundo o IBGE

A indústria brasileira surpreendeu na reta final de 2017. O crescimento de 2,8% na produção registrado na passagem de novembro para dezembro, o melhor desempenho desde junho de 2013, veio no topo das expectativas mais otimistas do mercado financeiro.

Quase todos os segmentos registraram avanços, segundo os dados da Pesquisa Industrial Mensal divulgados nesta quinta-feira, 1, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No ano, a alta alcançou 2,5%, impulsionada pelas exportações, por uma conjuntura econômica mais favorável e por estímulos ao consumo.

A expectativa é que o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro de 2017 reflita discretamente o princípio de recuperação da indústria, mas que em 2018 o setor contribua mais para a reação da atividade econômica.

Ao longo de 2017, a indústria recuou apenas duas vezes: em março e agosto. Os dez meses restantes foram de expansão. "Claro que todos esses sinais recentes da indústria têm reflexo positivo no PIB", declarou André Macedo, gerente da Coordenação de Indústria do IBGE.

O pesquisador do IBGE pondera, porém, que as perdas acumuladas nos três anos de retração da produção (-16,7%, de 2014 a 2016) ainda não foram recuperadas. Para retornar ao ápice de 2013, é necessária uma melhora mais contundente do mercado de trabalho", avalia Macedo. "Apesar da melhora na conjuntura econômica, ainda há espaço a ser percorrido pelo mercado de trabalho."

Otimismo

Em 2017, o avanço da confiança empresarial ajudou a impulsionar a fabricação de bens de capital, enquanto o aumento na ocupação, a inflação mais baixa e a queda na taxa de juros incentivaram a produção de bens de consumo duráveis. O aumento nas exportações, no entanto, também teve impacto relevante sobre o bom desempenho de diversos segmentos industriais, como veículos, metalurgia, papel e celulose, extração de minério de ferro e setor de alimentos.

"O processo de recuperação foi ganhando consistência ao longo do ano, o problema é que a magnitude do crescimento de 2017 ficou concentrada em três setores: veículos, extrativo e eletroeletrônicos", explicou Rafael Cagnin, economista-chefe do Iedi.

A fabricação de bens de capital ficou estável na passagem de novembro para dezembro, mas cresceu 6,0% no ano.

Setores

A produção cresceu em 19 dos 26 ramos industriais no ano de 2017 em relação ao resultado de 2016, segundo os dados da Pesquisa Industrial Mensal divulgados nesta quinta-feira pelo IBGE.

"É sempre importante fazer a ressalva da base de comparação fraca na indústria. Embora tenha crescido, a indústria cresce sobre algo que tinha perdido bastante", ponderou André Macedo, gerente na Coordenação de Indústria do IBGE, reconhecendo, porém, que a trajetória atual é de recuperação.

Macedo lembra que a produção só teve resultado negativo em dois meses ao longo de 2017: março (-1,5%) e agosto (-0,3%). Foi registrada expansão em todos os demais. "Dá dimensão de melhora do ano de 2017", ressaltou o pesquisador do IBGE.

A produção de veículos automotores foi o destaque no ano de 2017, com crescimento de 17,2%, seguida pelas indústrias extrativas, que tiveram expansão de 4,6%.

Os demais impactos relevantes partiram de equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (19,6%), metalurgia (4,7%), produtos alimentícios (1,1%), produtos de borracha e de material plástico (4,5%), celulose, papel e produtos de papel (3,3%), máquinas e equipamentos (2,6%) e produtos do fumo (20,4%).

Das sete atividades com queda na produção, a maior contribuição negativa foi de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis, com recuo de 4,1% puxado pelo óleo diesel.

Outras quedas importantes ocorreram em outros equipamentos de transporte (-10,1%), produtos farmoquímicos e farmacêuticos (-5,3%), produtos de minerais não metálicos (-3,1%) e máquinas, aparelhos e materiais elétricos (-3,5%).

 

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