'Gasolina formulada' confunde motoristaÍcone de fechar Fechar
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Gasolina na bomba do posto é tudo igual? Há quem diga que não, há quem garanta que sim. Nesta confusão de informações, é o motorista quem fica sem saber o que pensar às voltas com a notícia de que tem estabelecimentos vendendo "gasolina fomulada", um veneno para o motor.

De acordo com o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Estado de São Paulo (Sincopetro) de Rio Preto, Roberto Uehara, a gasolina formulada é encontrada principalmente nos postos de bandeira branca. "Em média, o preço do litro é R$ 0,30 a R$ 0,40 menor", afirmou. Ele explica que o produto tem performance inferior e prejudica o rendimento e aumenta o desgaste do motor e outras peças.

Toda gasolina é obtida a partir da destilação do petróleo. Aquecido em diferentes etapas, o óleo bruto se transforma em gás, gasolina, naftas, querosene e outros produtos. A gasolina obtida neste processo, nas refinarias da Petrobras, é conhecida como "gasolina refinada".

Mas outras empresas produzem a gasolina a partir de naftas, mais baratas, e agrega a estas frações, ou "correntes", de hidrocarbonetos (compostos químicos constituídos apenas por átomos de carbono e hidrogênio) de modo a que o composto apresente as especificações definidas pela Agência Nacional do Petróleo (ANP) para a gasolina.

O resultado é um combustível com as mesmas características de performance que aquela destilada, embora com um custo menor de produção.

Segundo a Petrobras, a confusão que ocorre no mercado entre combustíveis refinados e formulados deve-se possivelmente a definição de formuladores que consta na Resolução ANP nº 5/2012 que define a "formulação de combustíveis" como a "produção de combustível líquido, exclusivamente por mistura mecânica de correntes (frações) de hidrocarbonetos líquidos". Assim, os chamados formuladores produzem gasolina por mistura de correntes que eles adquirem de produtores e que o mercado vem denominando de "gasolina formulada".

A ANP afirma que toda gasolina produzida no Brasil e no mundo é formulada, até porque no País há adição de etanol, e considera o produto obtido a partir da adição de hidrocarbonetos normal.

Para a agência, o importante é que toda gasolina, qualquer que seja o método de produção, atenda as especificações estabelecidas por ela. "Se estiver, é considerada boa. Se não estiver, quem comercializá-la, ou distribuí-la estará sujeito a interdição e multa", afirma nota.

"Com o objetivo de alcançar os atuais padrões de qualidade, o processo produtivo da gasolina se caracteriza pela mistura de frações de hidrocarbonetos obtidas por diferentes processos nas refinarias", afirma aquela Agência. "Esse processo de misturar as diferentes correntes de hidrocarbonetos, com o objetivo de enquadrar a qualidade da gasolina nos atuais padrões determinados pela ANP, se resume em 'formular' o produto. Desta maneira, não há que se falar em gasolina formulada ou comum. Atualmente, toda a gasolina produzida no Brasil e no mundo destinada ao consumidor final é formulada, seja na refinaria ou nos agentes autorizados a esta atividade."

É legal, mas...

A chamada "gasolina formulada" não é considerada ilegal desde que atende às especificações da ANP. A afirmação, no entanto, encontra resistência entre especialistas.

É o caso do mecânico Emerson Aro explica que há muita controvérsia sobre o combustível formulado e que, em geral, os danos nos veículos estão relacionados às borrachas. "Nos carros que têm reservatório de partida a frio, costuma derreter mangueiras e anel de borracha", diz. O custo varia de R$ 20 a R$ 100. Há quem aponte falhas no motor em função desse tipo de combustível.

O professor de mecânica automotiva do Senac, Welcio Vitor Bastos, explica que, quando o motor não consegue fazer a queima da gasolina, ela pode contaminar o óleo lubrificante. "Dessa forma, pode danificar a parte mecânica do motor por falta de lubrificação."

Como os postos não identificam qual o tipo de gasolina é fornecida, especialistas aconselham ao consumidor que passe a acompanhar o rendimento do carro a cada abastecimento para ver como se comporta. Se o veículo apresentar perda de desempenho após o abastecimento ou tiver dificuldade para firmar o funcionamento após a ignição, é sinal que a gasolina utilizada pode estar com problemas. Neste caso, é melhor trocar de fornecedor. Em alguns casos, pode ser necessário procurar um mecânico de confiança para ajustes no motor.

Arnaldo Vieira, diretor do Procon Rio Preto, diz que não recebeu nenhuma reclamação por conta desse tipo de gasolina. "Se chegar uma denúncia em que o consumidor foi lesado de alguma forma vamos pedir uma fiscalização da Fundação Procon e do Inmetro para conferir a qualidade desse combustível."

(colaborou Isabela Menezes)