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Diário da Região

23/02/2018 - 10h09min / Atualizado 23/02/2018 - 19h06min

CORDEL E PERCUSSÃO

Grupo Cordel do Fogo Encantado está de volta

Sua discografia completa, com os três discos, enfim entra nas plataformas de música digital, e tem disco novo programado para abril

Divulgação Novo disco de inéditas do grupo pernambucano sai em abril
Novo disco de inéditas do grupo pernambucano sai em abril

José Paes de Lira, o Lirinha, rumou para o Recife, Pernambuco, assim que recebeu a notícia da morte de Naná Vasconcelos, aos 71 anos, naquela manhã de março de 2016. Seguiu para o sepultamento do mestre da percussão brasileira, onde encontrou Clayton Barros (violão e voz), Emerson Calado (percussão e voz), Nego Henrique (percussão e voz) e Rafa Almeida (percussão e voz).

Ali estava o Cordel do Fogo Encantado, banda nascida de uma performance teatral, revolucionária ao inserir a poesia e a tradição do cordel - como são chamadas as histórias contadas pelo interior do estado de Pernambuco -, com uma poderosa percussão colocada na linha de frente das canções.

"Quando sai da banda, o Naná ficou muito sentido", conta Lirinha, sobre o momento no qual seguiu carreira solo, em 2010, e o Cordel do Fogo Encantado chegou ao fim - ou hiato. A voz do músico de Arcoverde, cidade do sertão pernambucano, a 250 km da capital, engasta ao deixar de ser uma lembrança e se tornar som.

"Ele achava que não deveríamos parar por conta da contribuição que dávamos ao elemento percussivo da música. Ele tinha uma visão política disso, com o fato de a percussão reverberar o terceiro mundo, a África e a América Latina, e que nós a colocávamos em destaque, tirado do que chamamos de música de cozinha. Com a gente, ela era protagonista."

Ao lado dos antigos companheiros de banda, a lamentar a partida do percussionista que produziu o primeiro disco da banda, chamado Cordel do Fogo Encantado, de 2001, Lirinha sentiu o embrião do retorno do grupo. "A gente deveria fazer um show em homenagem a Naná", disse ele aos outros. "Acho que esse momento foi o primeiro passo para a nossa volta", explica o vocalista.

A partir desta sexta-feira, 23, o Cordel do Fogo Encantado está de volta. Sua discografia completa, com os três discos (o primeiro, já citado, O Palhaço do Circo Sem Futuro, de 2002, e Transfiguração, de 2006), enfim entra nas plataformas de música digital (nos serviços de streaming, como Spotify, Deezer, e na loja iTunes). Desde janeiro do ano passado, a banda se reúne no Recife para elaboração de um novo álbum de inéditas, agora já em fase de finalização.

Com o título de Viagem ao Coração do Sol, o quarto álbum do Cordel do Fogo Encantado foi gravado efetivamente no estúdio El Rocha, em São Paulo, e em Fortaleza, no Totem, de Yuri Kalil, que também é responsável pela mixagem do álbum. O disco chega em 6 de abril. E a partir da segunda quinzena do mesmo mês, a banda inicia a turnê e os shows do novo trabalho.

Todo o processo foi mantido em segredo pelos integrantes da banda - as notícias que saíram até então partiam de especulações e entrevistas com conhecidos do grupo. Agora, é para valer. "Queria, muito, poder dar essa notícia (da volta) para o Naná", encerra Lirinha.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

 

Segredo até mesmo para a família

Lirinha confessa estar aliviado com o fim do mistério. Sim, o Cordel do Fogo Encantado está definitivamente de volta. Há mais de um ano, ele e o restante do quinteto guardam o retorno da banda em segredo, por mais difícil que fosse. No grupo de família de WhatsApp, por exemplo, o vocalista, poeta e declamador evitou dar detalhes sobre uma possível reunião. Na semana passada, conversou com os irmãos e explicou o motivo de tanto sigilo. "Meus pais estavam sabendo, mas nunca cheguei a me aprofundar demais no assunto", conta.

Nas gravações do disco, o quarto do grupo, Viagem ao Coração do Sol, no estúdio El Rocha, localizado entre os bairros de Perdizes e Pinheiros, em São Paulo, era comum que os cinco integrantes do Cordel do Fogo Encantado se dividisse em grupos nas saídas para o almoço, na tentativa de evitar o início de um burburinho, caso fossem reconhecidos na rua. E, quando acontecia, os músicos despistavam, diziam que trabalhavam na trilha sonora de um filme, como fizeram em Deus É Brasileiro, de Cacá Diegues, e Largou as Botas e Mergulhou no Céu, de Bruno Graziano, Cauê Gruber, Paulo Junior e Raoni Gruber. A música para o último, aliás, foi a única "reunião" da banda nos oito anos em que esteve em estado de inanição - as aspas se justificam porque Lirinha gravou a voz em São Paulo enquanto o restante do grupo registrou a música no Recife.

"Cheguei a ter receio de que esse sigilo fosse interpretado como uma arrogância", revela Lirinha. "Mas esse silêncio foi importantíssimo para o que vamos apresentar agora. Havia muita energia do mercado, dos fãs, para que a gente voltasse. Existia um assédio em nossa volta, para que fizéssemos shows especiais, tocássemos em festivais. Com isso, a gente conseguiu se concentrar naquilo que, para mim, é o mais importante: na criação de novas músicas que dialogassem com o presente", conclui.

Segundo conta Lirinha, não havia sentido, para eles, retomar o Cordel do Fogo Encantado ancorado num sentimento de nostalgia, de olhar para trás, para o passado. O grupo surgido no final dos anos 1990, como um espetáculo cênico-musical, foi fundamental ao trazer um encontro contemporâneo, na época, do sertão e do urbano, graças à poesia e à literatura ora declamada, ora cantada por Lirinha, ao violão calejado de Clayton Barros e ao poder de transe criado com a união da percussão executada por Emerson Calado, Nego Henrique e Rafa Almeida. "Era preciso focarmos nas novas composições e na organização da nossa discografia nos meios digitais. Estava tudo muito bagunçado", conta Lirinha.

Ao longo dos oito anos nos quais a banda foi colocada em um casulo, cada um dos integrantes partiu para projetos particulares. Lirinha, por exemplo, lançou dois discos solos se aproximando mais do formato da canção; Clayton criou a banda Os Sertões, com a qual mostrou seus estudos no avanço da sua técnica muito própria no álbum A Idade dos Metais; Rafael tocou com o pianista Vitor Araújo; Nego Henrique criou projetos sociais e canta em iorubá com Karynna Spinelli; e Emerson estreou a banda Nume.

As reuniões para organizar o catálogo musical do grupo saltaram para as tardes passadas em um estúdio, no Recife, para a criação das novas músicas. Do disco iniciado em 2010, restaram "três ou quatro bases", conta Lirinha. E assim, num dia de semana qualquer, o Cordel do Fogo Encantado dividia um mesmo cômodo, com instrumentos a postos. "Tinha medo de não conseguir cantar", diz o vocalista. "Estávamos mais velhos, mais experientes, mas estava tudo ali", conclui, orgulhoso.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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