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Diário da Região

22/02/2018 - 10h37min / Atualizado 22/02/2018 - 10h37min

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Danilo Moralles sente as dores e alegrias da vida noturna

"Vivo muito na noite", explica o artista de 33 anos que estreia com o álbum Voodoo Prazer

Sillas Henrique/Divulgação Danilo Moralles passeia pela noite no disco Voodoo Prazer
Danilo Moralles passeia pela noite no disco Voodoo Prazer

Quando escrevia O Canto, a música com a responsabilidade de abrir o disco Voodoo Prazer, Danilo Moralles era capaz de enxergar o sol a surgir pela janela. Os primeiros raios a subir pelas paredes da sala e o canto dos pássaros dão fim à escuridão e ao silêncio, enquanto as lembranças da noite em claro, em festas fervilhantes, ainda são flashbacks vivos na mente.

É o início da narrativa de uma (ou muitas!) noites retratadas no álbum de estreia do artista de 33 anos. Mas ele começa pelo fim, pela tão esperada calmaria. É o momento de reflexão, antes de colocar a cabeça no travesseiro e percorrer as memórias - antes de elas se perderem pelos sonhos e pela possível ressaca na manhã seguinte.

"Vivo muito na noite", explica Moralles, "seja a trabalho ou nas festas. Estou sempre lá. Muitas das letras desse disco vêm desse lugar, do ambiente noturno, ainda mais as faixas mais intensas do disco."

A ideia de disco habitava, sempre, um ambiente astral demais. Voodoo Prazer, afinal, é resultado de um acaso. Fruto do encontro com o DJ Zé Pedro, fundador do descolado selo Joia Moderna, a quem Moralles enviou, sem mais nem menos, algumas versões de canções suas, ainda cruas, e de Blues, uma canção doloridíssima que abre o clássico disco da Célia, de 1971, de Joyce e Capinan. Logo recebeu o retorno de Zé Pedro: "Não acredito que você conhece essa música". Marcaram uma reunião e Voodoo Prazer passou a ser erguido.

Moralles, aqui, se coloca a questionar os exageros desses amores vampíricos. No título, escancara a busca pelo prazer, sentimento que também corrói e fere. Sobre as bases criadas por Marcos A.S. produtor, arranjador e responsável pela mixagem do trabalho, a voz do cantor confere quentura ao que poderia ser etéreo. Tem canto agudo, de falsete, a rechear versos ásperos de quem compõe com fervura. Soa real - como um amanhecer torto, depois de uma noite daquelas - até mesmo quando as canções não são dele, como Sujeito de Sorte, de Belchior, que ganha clipe nesta sexta-feira, 23.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

 

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