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CARNAVAL 2018

Tatuapé é bicampeã do carnaval paulistano

A escola, que levou para avenida uma homenagem ao Maranhão, com carros colossais e fantasias ricas em detalhes, também teve como marca o fato de não ter conseguido patrocínio


    • São José do Rio Preto
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A Acadêmicos do Tatuapé é bicampeã do carnaval paulistano com nota máxima em todos os quesitos. A Mocidade Alegre ficou com o vice-campeonato. A escola, que levou para avenida uma homenagem ao Maranhão, com carros colossais e fantasias ricas em detalhes, também teve como marca o fato de não ter conseguido patrocínio. Para brilhar, apostou no reaproveitamento de penas, pedras e outros materiais para poupar cerca de R$ 800 mil este ano.

"Estou muito contente. Nós fizemos o melhor espetáculo e o segredo é o nosso povo", disse o presidente da Acadêmicos do Tatuapé Eduardo dos Santos.

Os integrantes da escola que acompanharam a apuração ficaram quietos até a leitura da última nota, quando soltaram o grito de "bicampeão". Santos explicou o silêncio dos parceiros.

"A gente sabia que ia ser um carnaval muito disputado. A gente ouviu nota a nota com esperança. Todo mundo estava apreensivo e muita gente estava empatada. Qualquer nota poderia interferir no resultado."

Antes do desfile, Santos havia relatado que mais de 90% das fantasias são recuperadas depois do carnaval. Para explicar o espírito por trás da ação, ele citou um samba-enredo da Salgueiro de 1986: "Tem que se tirar da cabeça aquilo que não se tem no bolso!"

As escolas Unidos do Peruche e Independente Tricolor foram rebaixadas para o Grupo de Acesso.

Desfile

A bicampeã abusou dos adereços de fauna e flora e até arriscou uma batida estilo reggae, estilo musical que nasceu na Jamaica e é muito ouvido no Maranhão, chamado no samba-enredo de "terra da encantaria". A escola deixou o sambódromo, na madrugada do sábado, já como forte candidata ao título. O carnavalesco Wagner Santos, que estreou na Tatuapé com vitória, desenvolveu um tema que conhece bem, já que é maranhense.

A vice-campeã Mocidade Alegre fez uma homenagem à cantora Alcione, de 70 anos, com um enredo marcado pelo clássico "Não deixa o samba morrer", gravado pela Marrom em 1975. Até a apuração da última categoria de notas, a escola ficou com o mesmo número de pontos das escolas Mocidade Alegre, Mancha verde e Tom Maior. O resultado foi decidido por critérios de desempate.

No desfile da Mocidade, foi Alcione quem puxou seu próprio samba no começo do desfile ao lado dos intérpretes Tiganá e Ito Melodia, ainda no chão do Anhembi, e depois subiu no último carro da escola para ser homenageada como o enredo "A voz marrom que não deixa o samba morrer". O investimento em grandes alegorias já apareceu no abre-alas da escola, formado por três carros que ressaltaram as belezas naturais do Estado do Nordeste e a influência dos franceses, que fundaram a capital São Luís no século 17.

Vice-presidente da Mocidade Alegre e mestre de bateria, Mestre Sombra disse que o segundo lugar representou a superação da escola. "No ano passado, não participamos nem do desfile das campeãs. Mostramos o nosso potencial e, no ano que vem, tem mais."

Uma das rebaixadas, a Independente Tricolor foi penalizada em 1,2 ponto por ter utilizado uma empilhadeira para movimentar um de seus carros que teve problema no desfile. "A gente tem de ver a justificativa. Fomos punidos duas vezes pelo mesmo erro. O equipamento é colocado à disposição das escolas. Mas vamos cair de pé para voltar e fazer um bom carnaval", disse Dêmis Roberto, diretor-geral de harmonia da escola. 

Com um tom crítico, a Beija-Flor encerrou os desfiles das escolas de samba do Grupo Especial no início desta terça-feira, 13. Além empolgar o público nas arquibancadas e frisas do sambódromo, quando as últimas alas deixavam a passarela a pista foi invadida e uma multidão foi atrás da azul e branco de Nilópolis, da Baixada Fluminense.

A Beija-Flor defendeu o enredo Monstro é aquele que não sabe amar, os filhos abandonados da pátria que os pariu, criado pelo coreógrafo da comissão de frente Marcelo Misailidis, baseado no livro de terror Frankenstein, de autoria de Mary Shelley.

Além de trazer a cantora Pabllo Vittar na frente, no meio da alegoria uma cabeça enorme de Frankenstein, se desfazia em fatias onde se lia embaixo palavras como racismo, feminicídio, ódio, discriminação, preconceito e xenofobia.

A apuração que vai definir a escola campeã do Carnaval carioca deste ano é na tarde desta quarta-feira na Marquês da Sapucaí