Diário da Região

11/02/2018 - 00h30min / Atualizado 10/02/2018 - 17h06min

ITO DO CAVACO

Entre instrumentos, pinturas e santos

Um dos personagens da história do carnaval rio-pretense, Ito do Cavaco é um artista de muitos talentos, que vão para além da música

Fotos: Mara Sousa 8/2/2018 O rio-pretense Ito do Cavaco entre as suas paixões na oficina que mantém nos fundos de casa: música, pintura, escultura e lutheria
O rio-pretense Ito do Cavaco entre as suas paixões na oficina que mantém nos fundos de casa: música, pintura, escultura e lutheria

"Se você falar Ito Costa, ninguém vai saber quem é", diz ao ser questionado sobre seu sobrenome. A relação do rio-pretense Ito Costa com a música - em especial o samba e suas vertentes - é tão intensa que o instrumento que ele toca há mais de três décadas integrou-se ao seu nome.

Ito do Cavaco é um dos nomes que faz parte da história do carnaval de Rio Preto, de um tempo em que havia inúmeras escolas de samba, que reuniam um número bastante expressivo de integrantes. "Se juntar todas as escolas que estão aí hoje não dá o número de gente que tinha numa escola de antigamente", diz ele, que, aos 67 anos, continua embalando eventos carnavalescos e fazendo da música o seu principal ofício. "Hoje, estou evitando escola de samba, mas continuo tocando."

Mas a música não é a única faceta desse sujeito cujo jeito tranquilo de falar não expressa a inquietação criativa que carrega consigo. "Eu não consigo ficar parado de bobeira. Sempre estou fazendo alguma coisa. E foi assim minha vida toda. Já trabalhei de mecânico, ajudante de pedreiro, tintureiro...", enumera o músico, que também é "metido a luthier". Na oficina que tem em um cômodo no fundo da casa, faz e conserta instrumentos como banjo, bandolim e cavaquinho.

A arte de Ito do Cavaco também não se restringe à música. Muitos amigos nem sabem, mas ele também pinta quadros e desenha caricaturas. "O meu forte é o óleo sobre tela. Caricatura ainda precisa melhorar um pouco", conta ele, que começou a desenhar ainda criança, quando era aluno do Serviço Social São Judas Tadeu. "Como eu tinha um traço bom, o Padre Ângelo me colocava para desenhar o rosto dos santos. Eu tinha uns 12 anos naquela época", relembra.

A pintura sempre foi um hobby para Ito, que tem na música a sua grande arte. Mas ele tem vontade de fazer uma exposição de quadros em Rio Preto - e isso poderá acontecer ainda este ano. "Quero começar a pintar uns quadros novos para fazer essa exposição", confidencia ele, que também faz imagens de santos em gesso, do molde à finalização.

Família musical

O gosto de Ito pela música vem de família. Quando criança, vivia cercado por familiares e seus instrumentos musicais. Aos 14 anos, começou a tocar violão. O cavaquinho só veio mesmo aos 36 anos. Aprendeu com um dos tios, o Jota Sanfoneiro, que, anos mais tarde, ele descobriu que ensinou os primeiros passos da sanfona para Rubens Antônio da Silva, o maestro Caçulinha do programa Domingão do Faustão.

"Fui escalado para um show que o Faustão iria apresentar em Rio Preto, tocando ao lado do Caçulinha. Depois do show, ele me falou que já tinha vindo a Rio Preto, atrás do Jota Sanfoneiro. Eu disse: 'Ele é meu tio'. 'Nossa, foi ele que me ensinou as primeiras notas na sanfona'."

Além das escolas de samba, o rio-pretense também tocava nos bailes. "Na bateira, eu tocava tamborim. Nos bailes, fazia percussão." Era uma época em que o sertanejo não predominava na cena musical rio-pretense. "O que tinha muito era jazz, blues. Rio Preto ficou conhecida por ser uma cidade de grandes músicos e jogadores de futebol. O sertanejo só despontou mesmo quando o Cascatinha se mudou para cá após a morte de Inhana. Eu ia muito tocar na casa dele. Depois, o Vieira e o Vieirinha vieram pra cá também."

E ele garante que Rio Preto mantém sua vocação para bons músicos. "Tem muita gente boa nessa nova geração, e é muito bom tocar ao lado deles", diz. Para ele, a música é algo único, é "uma coisa que a idade não prejudica". "Música não tem idade, não tem cor, não tem gênero."

Novo quarteto de chorinho

Quem quiser conferir Ito do Cavaco em ação é só marcar presença nas noites de quarta-feira do Farofa Butiquim, que é palco das apresentações do novo grupo de chorinho criado por ele: o quarteto Reverência ao Choro.

"O grupo foi criado há pouco tempo. Estamos indo para a terceira apresentação. A gente havia pedido para usar um cantinho do bar para ensaiar, mas as pessoas foram juntando e acabou virando apresentação mesmo."

Além dele, o quarteto é formado por Chico Riva (violão de sete cordas), Vinicius Baldissera (bandolim) e Ricardo Salvador (pandeiro). O Farofa fica na rua Paulo Setúbal, 393.

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