Diário da Região

12/02/2018 - 18h01min / Atualizado 12/02/2018 - 18h01min

Cinema politizado

Festival de Berlim será aberto por uma animação pela 1ª vez

Aberto pela primeira vez por uma animação, Festival de Berlim dedica um generoso espaço para a diversidade de etnias e gênero na programação deste ano

Divulgação Isle of Dogs (Ilha de Cães) é a primeira animação a inaugurar uma edição do Festival de Berlim
Isle of Dogs (Ilha de Cães) é a primeira animação a inaugurar uma edição do Festival de Berlim

Com expressiva participação de filmes brasileiros distribuídos em diferentes seções, a 68ª edição do Festival de Berlim começa na quinta, 15, e engaja o evento de cinema com fama de mais politizado do mundo na luta das mulheres.

Se há dois anos usou a plataforma do festival para discutir a questão dos refugiados, o diretor do evento, Dieter Kosslick, abre agora a Berlinale para o movimento #MeToo, promovendo um seminário e diversos painéis para abordar o assédio e a violência contra as mulheres.

Numa atitude inédita, a Berlinale está criando a 'safe counselling corner' para que as mulheres possam conversar livremente sobre suas experiências. E, sim, a diversidade de gênero, etnia, idade, sexualidade e religião continua a ser a pedra de toque sobre a qual se constrói a seleção de Berlim.

Neste ano, diretores e diretoras de mais de 80 países estarão mostrando seus novos trabalhos, incluindo nomes consagrados como Gus Van Sant, Lav Diaz e Christian Petzold na competição.

E tudo começa na quinta, com a apresentação de Isle of Dogs (Ilha de Cães). Será a segunda vez que, num período relativamente curto - quatro anos -, caberá ao norte-americano Wes Anderson a tarefa de inaugurar a Berlinale. Em 2014, ele o fez com Grand Hotel Budapeste, e no ano seguinte, seu filme ganhou quase todos os prêmios técnico-artísticos no Oscar.

Será o quarto filme de Anderson no festival, e Dieter Kosslick anuncia que difere de todos os anteriores. "Não é só por ser uma animação, a primeira a inaugurar o festival. É uma honra contar com seu charme (de Wes Anderson) para enriquecer uma Berlinale que, esperamos, estará à altura das exigências do momento."

Isle of Dogs é uma animação feita em 'stop motion'. Passa-se num Japão distópico, em que os cães foram segregados numa ilha por causa de uma epidemia. À ilha, chega um garoto em busca de seu cão. Une-se a um grupo heterogêneo - que inclui cães de raça e vira-latas - para procurá-lo.

Embora representado por diversos filmes, o Brasil só concorre um tanto lateralmente ao Urso de Ouro de 2018.

O único brasileiro da competição, em coprodução com o Paraguai, o Uruguai, a Alemanha e a Noruega, é Las Herederas, com direção de Marcelo Matinessi. O brasileiro José Padilha volta a Berlim para comemorar os dez anos do Urso que conquistou por Tropa de Elite, mas desta vez o filme é anglo-americano, 7 Dias em Entebbe, e passa fora de concurso.

Algumas coisas que você precisa saber. O júri será presidido pelo alemão Tom Tykwer, a quem se devem filmes como Corra, Lola, Corra e O Perfume. Com ele estarão, entre outros, a atriz Cécile de France e o músico e ator Ryuichi Sakamoto. Willem Dafoe receberá um Urso de Ouro especial pela carreira.

Além de Padilha, há outro filme em apresentação especial que já chega à Berlinale cercado de expectativa. Steven Soderbergh exibe, também fora de concurso, numa das maiores telas do mundo, o thriller que fez com iPhone, Unsane.

Novas tecnologias e novos suportes estão sempre em pauta quando o assunto é o futuro do cinema. Pode ser simplesmente curiosidade do repórter, mas, entre os 19 concorrentes deste ano, está Eva, thriller psicológico com Isabelle Huppert e Gaspard Ulliel, que Benoît Jacquot adaptou do livro de James Hadley Chase.

Jacquot talvez esteja indo diretamente à fonte do original, mas se trata de uma grande ousadia, de Isabelle e dele, pois Eva, em 1962, já havia sido filmado por Joseph Losey, com Jeanne Moreau. Embora remontada pelos produtores, a versão do grande Losey é considerada a obra-prima do diretor norte-americano.

 

Diretor José Padilha lança seu novo filme

Divulgação Rosamund Pike e Daniel Brühl estão no novo filme de Padilha
Rosamund Pike e Daniel Brühl estão no novo filme de Padilha

Sempre interessado em questões de segurança, José Padilha celebra na Berlinale os dez anos de seu Urso de Ouro por Tropa de Elite apresentando, fora de concurso, seu novo filme.

Tem sido uma década prodigiosa para Padilha, que se converteu em um diretor de carreira internacional. Seu RoboCop não obteve muita repercussão, mas a série sobre Pablo Escobar ganhou elogios da crítica e fez sucesso de público. Ele mostra agora 7 Dias em Entebbe.

Em meados de 1976, terroristas desviaram um jato de passageiros para o aeroporto de Entebbe, em Uganda. O governo local não apenas apoiou os sequestradores - o presidente/ditador Idi Amin Dada solidarizou-se com eles. Em 4 de julho, uma missão israelense de contraterrorismo conseguiu ocupar militarmente o aeroporto e libertar os reféns. A chamada Operação Entebbe virou paradigma e é considerada por especialistas a mais perfeita e complexa operação de resgate de todos os tempos.

Decorridos mais de 40 anos, e em meio à ascensão da direita em todo o mundo, à retórica militarista de Donald Trump e à paranoia devido a novos ataques do terror, etc, Padilha volta a Entebbe para retomar sua eterna discussão sobre a segurança.

O diretor já tem pronta, com previsão de estreia em março, a primeira temporada de uma série sobre a Lava Jato na Netflix, O Mecanismo. Ou seja, 7 Dias em Entebbe e O Mecanismo prometem muita polêmica.

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