Diário da Região

27/02/2018 - 22h13min / Atualizado 27/02/2018 - 22h13min

'FÁBRICAS' DE AEDES

Número de áreas transformadas em lixões se espalha por Rio Preto

Em meio à recente marca histórica de "explosão" do índice Breteau, que mede o nível de infestação de larvas do transmissor da dengue

Isabela Menezes Terreno que virou lixão na rua Américo Frasseto, Jardim Antunes
Terreno que virou lixão na rua Américo Frasseto, Jardim Antunes

Mesmo com 15 pontos de apoio espalhados por Rio Preto, ainda tem gente que insiste em descartar lixo em terrenos baldios, transformando esses lugares em lixões clandestinos. A reportagem contabilizou 14 áreas onde o lixo é descartado de forma irregular. Em alguns deles, o Ponto de Apoio fica a poucos metros do local.

A ofensiva do poder público, que inclui uma ação de emergencial de limpeza chamada de "Faxina Urbana" e autuação em caso de flagrante, não tem coibido os sujões - 1,3 mil moradores foram multados por despejar resíduos em local proibido apenas no ano passado.

Os resíduos encontrados pela reportagem são os mais diversos, mas com um aspecto em comum: são potenciais criadouros do Aedes aegypti. O arsenal de sujeira inclui lixo doméstico, restos de construção, plásticos, pneus, papelão, madeira e móveis velhos.

A proliferação destes "lixódromos" ocorre em meio à constatação de que o índice Breteau, que afere o nível de infestação de larvas do Aedes nas casas no mês de janeiro em Rio Preto, foi o mais alto da série histórica, em 6,7. A marca representa situação de risco de surtos das doenças transmitidas pelo mosquito, como dengue, zika e chikungunya.

Situação alarmante, diante do nível de poluição espalhada pela cidade. Apenas no Jardim Santo Antônio, há três pontos de descarte irregular de lixo, um deles a poucos metros do Ponto de Apoio "oficial".

No Bosque da Felicidade, na rua Bechara Hage, o problema é o mesmo. As pessoas ignoram o Ponto de Apoio e jogam lixo - pneus, privada, lixo doméstico, galhos e entulho - no terreno que fica a 50 metros dali. Moradora do bairro há vinte anos, Maria Luíza Ribeiro Bertasso disse que o problema é antigo. Ela se queixa do mau cheiro e dos insetos.

"A prefeitura vem limpar de vez em quando, mas no mesmo dia as pessoas voltam a jogar lixo no local. O mau cheiro é insuportável por conta do descarte de animais mortos, restos de comidas e outros. É uma nojeira" disse.

Limpa aqui, suja ali

A Prefeitura informou que o mutirão da limpeza já recolheu aproximadamente 7 mil toneladas de lixo e entulho desde 3 de janeiro. Só na última sexta-feira, dia 23, as equipes da faxina urbana trabalharam nos bairros Sant'Anna e Santa Clara e retiraram dali 480 toneladas de lixo doméstico, materiais orgânicos como animais mortos além de entulhos, restos de construções, móveis e eletrodomésticos velhos. Foram retirados desse local 35 caminhões carregados de lixo. O problema é que poucas horas após essa limpeza o local voltou a ser alvo de descarte irregular.

As multas para os sujões variam de R$ 500 a R$ 4,3 mil. As denúncias devem ser feitas por meio da Guarda Civil Municipal, pelo número 153.

Segundo o secretário de Serviços Gerais, Ulisses Ramalho, disse que a "faxina" está contando com apoio de fiscais e da Guarda Civil Municipal, incumbida de fazer rondas periódicas para apanhar os sujões.

Essas pessoas estão sendo localizadas e serão notificadas. A prefeitura pede a ajuda da população nessa fiscalização, ligando para a Guarda (número 153).

Lixão ao lado de ponto de apoio revolta moradores

Mara Sousa 26/2/2018 Lixão ao lado do ponto de apoio do João Paulo atrai até ratazana
Lixão ao lado do ponto de apoio do João Paulo atrai até ratazana

Imagine um lixão a céu aberto em seu bairro. É assim que os moradores do João Paulo II, em Rio Preto, identificam o terreno ao lado do ponto de apoio perto de casa. O lixo é formado por restos de alimentos, animais mortos, colchões, madeira, entulho e pneus. O cheiro forte do material orgânico tem deixado vizinhos preocupados com a proliferação de insetos e até roedores.

"O povo joga carniça, lixo, galinha, gato e até cachorro morto", diz Bernadete Santos Tiburcio, de 73 anos, que é vizinha do "lixão". Ela conta que sempre encontra baratas, e até escorpiões em casa. "Já cheguei a matar três escorpiões, achamos um dentro de casa e dois no quintal. Você joga veneno hoje, passa dois dias, tem novamente barata, pernilongo, não tem jeito."

As "visitas" indesejáveis reservam surpresas. "Um dia desses meu cachorro começou a latir, fui ver e tinha uma ratazana dentro de casa. Antes do lixo não tinha esses bichos", completa.

Devanir Girotto, de 65 anos, mora em frente ao local e também sofre com o problema. Ele conta que há três anos o ponto de apoio se estendeu para o terreno ao lado. "Até três anos atrás os meninos brincavam aí, corriam, jogavam bola e até fazíamos churrasco embaixo das árvores. Quando o ponto de apoio se estendeu ao lado para jogar galhos de árvores, o pessoal começou também a jogar lixo", conta.

Os moradores dizem que a prefeitura, quando realiza a limpeza, recolhe apenas os galhos. "O pessoal nunca veio recolher de fato o lixo, só recolhem os restos de árvores", afirma Devanir.

Outra preocupação são os incêndios no ponto de apoio, cena que se tornou comum no próprio João Paulo II e nos demais pontos. Há uma semana, por exemplo, o Corpo de Bombeiros tiveram de conter focos no Santo Antônio."Essa fumaça prejudica a gente, principalmente quem tem problema respiratório."

Resposta

Por meio de nota, a Secretaria de Serviços Gerais informa que encaminhará uma equipe ao local para verificar a situação e resolver o problema.

Informou ainda que tem realizado a limpeza dos pontos de apoio periodicamente. "Quando chove não se pode fazer o recolhimento do lixo para que não haja prejuízo na medição, uma vez que o lixo molhado pesa muito e o peso excede a quantidade contratada pela Prefeitura", completa.

(Colaborou Rone Carvalho)

 

Aviso: Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do Diário da Região. É vetada a inserção de comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros. O Diário da Região poderá retirar, sem prévia notificação, comentários postados que não respeitem os critérios impostos neste aviso ou que estejam fora do tema proposto.

Di´rio Im&ocute;veis

Di´rio Motors

Esqueci minha senha
Informe o e-mail utilizado por você para recuperar sua senha no Diário da Região.

Já sou assinante

Para continuar lendo esta matéria,
faça seu login de acesso:

É assinante mas ainda não possui senha? Clique Aqui!
É assinante mais quer redefinir sua senha? Clique Aqui!

Assine o Diário da Região Digital

Para continuar lendo, faça uma assinatura do Diário da Região e tenha acesso completo ao conteúdo.

Assine agora

Pacote Digital por apenas R$ 16,90 por mês.
OUTROS PACOTES


ou ligue para os telefones: (17) 2139 2010 / 2139 2020

Cadastro Grátis
Diário da Região
Clique no botão ao lado e agilize seu cadastro importando seus dados básicos do facebook
Sexo
Defina seus dados de acesso