Diário da Região

19/02/2018 - 22h09min / Atualizado 19/02/2018 - 22h09min

VIDA NOVA

Jovem é o sexto transplantado de pulmão no hospital de Base

Aos 17 anos, adolescente de Matão, portador de fibrose cística, é o sexto paciente a passar por transplante de pulmão no Hospital de Base. Já anda e come sozinho e pode sair da UTI até o final da semana

Álbum de Família Mateus Henrique de Godoi,
17 anos, esperou pelo
procedimento por um
ano e quatro meses
Mateus Henrique de Godoi, 17 anos, esperou pelo procedimento por um ano e quatro meses

Mateus Henrique de Godoi, de 17 anos, agora pode dormir à noite. Nesta segunda-feira, 19, ele começou a andar de novo e comer sozinho, após passar por um transplante duplo de pulmão na quinta-feira, 15 - o sexto procedimento realizado pelo Hospital de Base de Rio Preto. O adolescente é morador de Matão e tinha fibrose cística.

A doença é genética e crônica, que afeta pulmões e sistema digestivo. O organismo produz mais muco do que o normal, o que leva ao acúmulo de bactérias e germes nas vias respiratórias, podendo causar inchaço, inflamações e infecções como pneumonia e bronquite, danificando os pulmões.

Foi um ano e quatro meses de espera. No dia 1º de fevereiro, o tão esperado telefonema chegou. Era o Hospital de Base convocando Mateus para o transplante. Como acontece muitas vezes, no entanto, o órgão que seria dele não estava como o ideal, o procedimento foi adiado e ele voltou para a fila. A partir daí, não dormiu mais à noite. "Ele tinha medo de que tocasse o telefone e ninguém escutasse e ele fosse perder o pulmão. Dormia durante o dia. Toda vez que tocava o telefone ficava desesperado", conta a professora Cínthia Rigueiro Calera, de 37 anos, irmã de Mateus.

Mateus é o caçula de sete irmãos e filho de coração do restaurador de carros antigos Cláudio e da dona de casa Margareth, de 59 e 60 anos. A doença foi diagnosticada quando ele tinha quatro anos e desde então a luta passou a ser diária. "Fisioterapia, inalações, remédios. De dois anos para cá ele foi piorando, teve que colocar aparelho de oxigênio em casa, quando saía tinha que levar o cilindro. Uma parte do pulmão estava necrosada", relata Cínthia.

 

Clique na imagem para ampliar  (Foto: Belisário/Editor de Arte)

Mateus concluiu o terceiro ano do ensino médio e quer fazer faculdade, o que vai acontecer depois da recuperação. Debilitado, não conseguiu prestar o Enem e optou por não participar da festa de formatura de sua turma - não sabia se estaria bem o suficiente nem se seria chamado para a cirurgia na mesma época.

Na quinta-feira passada, ele chegou ao hospital pela manhã e aguardou os pulmões, que vieram do Rio de Janeiro. "Superou todas as expectativas. Os médicos estão maravilhados com o decorrer da cirurgia e também com a recuperação dele. Hoje (segunda-feira) ele já caminhou, começou a comer sozinho sem a sonda, foi até a sacada do hospital com a fisioterapeuta. A recuperação dele está sendo muito boa", celebra a irmã.

Mateus é o sexto paciente do Hospital de Base a passar pelo transplante de pulmão. Henrique Nietmann, coordenador do programa, afirma que o paciente saiu do respirador no sábado, 17, e que até o final de semana sairá da UTI se tudo estiver bem.

"Normalmente a média de internação dos pacientes que fazem transplante de pulmão é de duas a três semanas, até a gente adequar a dose das medicações e conseguir tirar os drenos. São de 14 a 21 dias", fala. O acompanhamento deverá ser feito por toda a vida, inclusive com a administração de imunossupressores, medicamentos usados para que o organismo não rejeite o órgão.

A família de Mateus está feliz e sente que um peso foi tirado das costas dos pais e dos irmãos por saber que a vida do adolescente vai melhorar muito. Cínthya conta que ele é carinhoso, carismático e faz amigos com facilidade. "Vai ter uma vida de um menino de 18 anos. A gente está muito grato a tudo, grato a Deus, ao hospital, à equipe médica, ao doador. Porque se não é a família do doador a gente ainda estaria na fila", afirma.

As expectativas, classifica a professora, são as melhores. "Ele tem uma vontade de viver muito grande, uma alegria. Ele ter uma qualidade de vida melhor é o nosso desejo", sonha.

Outros três estão bem

Mateus Henrique de Godoi é o sexto paciente a passar pelo transplante de pulmão no Hospital de Base, o único do interior do Brasil a fazer esse tipo de cirurgia. Os outros três centros ativos do País estão em São Paulo, Porto Alegre e Salvador.

De acordo com Henrique Nietmann, coordenador do serviço, existem no HB quatro pacientes na fila de espera e pelo menos seis em avaliação para transplante. O tempo de espera varia, mas a média é que dure de um ano e meio a dois anos.

"A ideia nesse ano é pelo menos dobrar a produção, ou seja, fazer seis transplantes e dentro de cinco anos fazer uma média de 30 transplantes por ano", estima o médico. "É a coroação de um trabalho, de um esforço muito grande com uma equipe muito grande. Vários médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, psicólogos", considera.

Dos seis transplantados, três, além de Mateus, estão bem. Antonio Pelaio Dias, de 54 anos, passou pela cirurgia em agosto de 2016, sendo o primeiro a fazer o transplante de pulmão no HB. Maria Terezinha Peres Lisboa de Souza, 55 anos, fez a cirurgia em agosto do ano passado e mora com a família em Marinópolis, região de Jales. O transplante de Ivana dos Santos Escabin, de Rio Preto, também teve sucesso.

O segundo e o terceiro transplantados faleceram. José Carlos Ambrósio e Antonio Benedito de Lima morreram, respectivamente, aos 41 e 59 anos. (MG)

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