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Diário da Região

16/02/2018 - 22h18min

O AEDES CONTRA-ATACA

Nós vacilamos e ele voltou forte

Índice de Breteau, que mede a quantidade de larvas na cidade, ficou em 6,7 em janeiro, seis vezes mais do que o ideal. É o pior número da história

Johnny Torres 16/2/2018 Sujeira em imóvel no
bairro cidade Jardim:
o Aedes adora
Sujeira em imóvel no bairro cidade Jardim: o Aedes adora

A quantidade de larvas do Aedes aegypti voltou a explodir em Rio Preto. O Índice de Breteau ficou em 6,7 em janeiro, o que representa risco de surto de dengue, zika e chikungunya. A nova infestação mostra o descuido da população, pois as amostras foram coletadas exclusivamente dentro de residências. Na região, o índice ficou ainda maior, em 9,4.

O ideal seria que o número ficasse em até 1, mas para o período mais chuvoso seria aceitável em até 3 - o que já seria considerado situação de alerta. A cada 100 recipientes verificados por equipes da Vigilância Epidemiológica, 6,7 tinham larvas do mosquito. Este é o maior número desde o início da série histórica, em 2003.

As situações mais graves são verificadas nas áreas de abrangência das Unidades Básicas de Saúde do Cidade Jardim, Gonzaga de Campos, Engenheiro Schmitt, São Francisco, Parque Industrial e Parque da Cidadania. Todos tiveram índice acima de dez. Apenas as áreas do São Deocleciano, Centro e Maria Lúcia tiveram números abaixo de um.

As características dos bairros influenciam. Por exemplo: um local que tem bastante prédios possui tendência a ter menos criadouros que um totalmente horizontal. De acordo com André Baitello, secretário interino de Saúde, a maioria das larvas foram encontradas em vasos de plantas, garrafas pet e ralos. "Os inservíveis são um problema. A população precisa dar um destino adequado."

Índice de Breteau em janeiro de 2018 (por distrito)   (Clique na imagem para ampliar)  (Foto: César Belisário)

Os dados foram divulgados nesta sexta-feira, 16, pela Secretaria de Saúde. A pasta acredita que o índice pluviométrico de dezembro - que foi o maior desde 2013 - somado às altas temperaturas, colaborou para o quadro. A média foi de 24 graus, enquanto 20 graus já seriam favoráveis para a transmissão de doenças. A preocupação agora não é mais tanto com a dengue, mas sim com zika e chikungunya.

Em 2016, foram registrados 16,2 mil casos de dengue, ante 597 no ano seguinte e cinco em janeiro de 2018. Foram 308 pacientes com zika em 2016, 38 no seguinte e 14 até janeiro deste ano. Em 2016 foram registrados seis casos de chikungunya, número que cresceu para 14 em 2017. Neste ano, nenhum caso foi confirmado.

A cada caso sintomático da dengue, estima-se que existam outros cinco assintomáticos. Ou seja, em 2015, quando foram confirmados 21,8 mil casos, na verdade havia 109,1 mil. "Essa baixa incidência da dengue em 2017 está relacionada à imunização adquirida com os surtos epidêmicos em anos anteriores", explica André Baitello. Isso significa que a população deixou de contrair a doença porque já está imune a ela.

Os sorotipos que hoje circulam são o 1 e o 2. A preocupação é que o 3 chegue à cidade - risco que aumenta no período pós-Carnaval, pois muitos munícipes viajaram. O último surto do tipo foi há mais de dez anos e a população está sujeita a uma nova epidemia.

Risco de epidemia

De acordo com Maurício Lacerda Nogueira, professor da Famerp e presidente da Sociedade Brasileira de Virologia, a maior parte da população de Rio Preto está suscetível ao zika e à chikungunya. Em 2017, foram feitos testes na população da Vila Toninho, que servem para dar uma dimensão do que acontece na cidade. De 25% a 30% dos moradores têm anticorpos contra o zika. "Você tem 70% suscetíveis. Dois terços da população nunca tiveram contato", pondera Nogueira.

O especialista reforça que o zika não é uma doença grave - a não ser quando a paciente é gestante. O vírus está associado à microcefalia do bebê, além de outras graves malformações. Nenhuma grávida teve a doença diagnosticada neste ano em Rio Preto.

A situação é mais grave com a chikungunya, que se manifesta de forma mais severa e causou 156 mortes no País em 2016. "Menos de 3% da população têm anticorpo", afirma Nogueira. Ou seja: pelo menos 97% dos rio-pretenses podem contrair a doença. "Chikungunya é uma doença grave, por isso a gente tem um plano de contingência pronto, sabe o que tem que fazer de diversas situações de epidemia", diz o professor, que acredita em epidemia das duas doenças, embora não seja possível prever as proporções.

População deve estar atenta

André Baitello, secretário interino de Saúde, afirma que as ações de combate ao mosquito vão estar concentradas principalmente nos bairros onde o Índice de Breteau é mais alto. Serão feitos mutirões de limpeza e de visitas dos agentes de saúde, além da parceria com instituições empresariais e industriais, para realizar os trabalhos também nas empresas.

Sandra Regina Marcato, dona de casa de 42 anos, faz a sua parte. Moradora do Cidade Jardim, onde a situação está mais preocupante, ela não deixa banheiros parados e tampa os ralos. "Coloquei telinha nas janelas para proteger dos mosquitos. Fico preocupada, porque tenho duas crianças e cuido da minha sobrinha, Manuela", afirma.

A costureira Roselaine da Silva, de 52 anos, mantém os ralos limpos e coloca água sanitária neles. "Garrafa quase não tem, mas as que tem meu marido deixa dentro da caixa, deitadas e cobertas." (MG)

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