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Diário da Região

18/02/2018 - 00h30min / Atualizado 17/02/2018 - 18h39min

SEM ATENDIMENTO

Pacientes sofrem sem remédios nas UBSs

Faltam 15 medicamentos para dores simples até doenças mais graves

Fotos: Tatiana Pires 15/2/2018 Edvaldo Vila Nova e Neuza Gomes Vila Nova saem da UPA Santo Antônio sem os medicamentos
Edvaldo Vila Nova e Neuza Gomes Vila Nova saem da UPA Santo Antônio sem os medicamentos

Passado um mês e meio do início da falta de medicamentos nas Unidades Básicas de Saúde (UBS), o problema é o mesmo e a população rio-pretense reclama de que não há informações sobre a previsão de que o atendimento seja normalizado. Faltam pelo menos 15 substâncias, usadas para tratar desde dores simples até para doenças mais graves como depressão e arritmias.

Quem tem condições financeiras está comprando os remédios indicados pelos médicos da própria rede municipal. É o que o aposentado José Marques, 68 anos, tem feito no último mês. Ele faz uso contínuo de Losartana, medicamento indicado para tratamento de hipertensão e insuficiência cardíaca. "Tenho que comprar, eles (atendentes nas UBSs) até indicam que a gente vá até a farmácia popular, que sai mais em conta. "

Para não ficar sem a Furosemida, que trata da hipertensão e inchaço por distúrbios no coração, o motorista Humberto Campos, 57 anos, afirma que está economizando "tudo que dá, porque estou sem trabalho. Tentei afastamento pelo INSS e não consegui ainda, estou sem dinheiro e precisando comprar porque fiz cirurgia. Como não sabem o dia em que chega, vou ter que me virar de novo".

Já e a dona de casa Ivete Regiane Malaspina, 56 anos, diz estar ansiosa por uma posição da Prefeitura em relação ao prazo para o reabastecimento dos postos. Ela utiliza duas substâncias de uso inalatório para o tratamento de asma: Sulfato de Salbutamol e Dipropionato de Beclometasona, no mínimo duas vezes ao dia. "Estou ficando cada vez mais rouca e tem dia que acordo com falta de ar. Vai fechando o pulmão e não entra ar. Quando passo mais mal tenho que ir na UPA para fazer inalação e tomar injeção. Pior que não tenho como comprar".

Em tratamento para controlar a ansiedade e a hipertensão, além de queixas de dor de estômago, a desempregada Elenita Cardoso de Azevedo disse que está pensando em comprar o medicamento para o transtorno psiquiátrico, que ela considera essencial. "Não tem Losartana, não tem Omeprazol, não tem Valeriana. Volta e meia falta o Valeriana, que é o que eu mais preciso. Tem fase que eu estou melhor, mas tem fase que não dá . Vou passando sem, por enquanto, mas como não tem previsão de chegar, acho que pelo menos ele vou comprar. Vou agora na farmácia ver quanto custa".

O casal Edvaldo, 73 anos, e Neuza Gomes Vila Novas, 65 anos, foi até a UBS do bairro Santo Antônio buscar medicamentos e saíram com as mãos vazias. "Aqui está faltando de tudo. Onde já se viu não ter nem dipirona, um remédio para a dor? Como que faz? Fica com dor? Se não tem dinheiro para comprar remédio por que que fez festa de Carnaval?", diz indignada a aposentada. O marido completa dizendo que já percorreu outros dois postinhos e não conseguiu os remédios que precisam. "Não tem nada em lugar nenhum. O povo que sofre. Pior é que já faz tempo que está em falta e ninguém sabe quando vai ter".

Ailton Antonio Santiago, 60 anos, aposentado, que foi até a UBS Jaguaré para buscar os remédios para o pai, João Lopes Santiago, de 88 anos, está preocupado com o estado de saúde do idoso, que entre outras doenças sofre de pressão alta, problemas cardíacos e faz tratamento para a próstata. "O meu pai é um senhor de idade e chega nessa fase da vida e não tem o medicamento que é um direito dele? Um absurdo. É um desrespeito. Não dão explicação nenhuma. Quando pergunto só ficam querendo me dispensar. Semana passada uma funcionária disse que foi porque trocou de governo, mas já faz tempo que o prefeito assumiu. Isso não é desculpa".

Atraso

A Secretaria de Saúde informou que os medicamentos foram adquiridos e que a falta dos produtos se deve a atrasos dos fornecedores. "Depois que eles recebem a nota de empenho têm 10 dias para a entrega e quando esse prazo não é cumprido, a Secretaria segue os trâmites, notificando as empresas para o cumprimento do contrato", afirmou Carmen Ligia Marques, farmacêutica da secretaria.

O Diário enviou uma lista de 15 medicamentos que estavam faltando e a Secretaria de Saúde informou que seis substâncias (Dipirona, Sinvastatina, Omeprazol, Alopurinol - 300mg e 100mg -, Sertralina e Sulfato de Salbutamol) estão disponíveis em toda rede, embora na porta das Unidades de Saúde houvesse pessoas se queixando da falta.

Outros, a pasta informa que estão disponíveis gratuitamente no Aqui Tem Farmácia Popular. Para os demais, a explicação foi de que houve atraso na entrega e que foram tomadas as medidas cabíveis ou que estavam em processo de aquisição.

 

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