Diário da Região

09/02/2018 - 00h30min / Atualizado 08/02/2018 - 23h10min

INCERTEZA

Transplantado vai à polícia por falta de medicamento

Remédios que evitam a rejeição dos novos órgãos estão em falta de novo na DRS

Johnny Torres 8/2/2018 O estudante Yuri, transplantado de pulmão, vai registrar boletim de ocorrência por não conseguir o remédio
O estudante Yuri, transplantado de pulmão, vai registrar boletim de ocorrência por não conseguir o remédio

A agonia de pacientes transplantados de Rio Preto e região parece não ter fim. Os imunossupressores, que servem para evitar a rejeição do órgão, continuam em falta nos estoques Departamento Regional de Saúde (DRS). Preocupado e cansado de ficar sem resposta, o estudante Yuri Portela Vanzato, 27 anos, chegou até a procurar a polícia nesta quinta-feira, 8.

Pelo menos 1,2 mil pessoas, apenas entre os transplantados de rim e fígado, dependem das substâncias. Desde novembro o Diário vem acompanhando o drama que vivem. Em alguns momentos, o remédio é dispensado de forma fracionada. Em outros, não há nenhum comprimido para as pessoas, criando um clima de incerteza. Elas contam os dias que faltam para terminar as doses que possuem em casa e torcem para chegar mais na farmácia ou para que algum conhecido, que tem uma pequena reserva, distribua algumas.

Yuri recebeu um pulmão em 2016. Para o organismo aceitar o novo órgão, toma dois comprimidos de tacrolimo de cinco miligramas; quatro da versão de um miligrama; dois de micofenolato de sódio de 360 mg e quatro do que tem 180 mg. Nesta quinta, foi buscar os medicamentos e encontrou só um, mesmo tendo conseguido na Justiça o direito de retirar todos os medicamentos na farmácia da DRS.

"Cada vez mais impotente e com medo porque minha vida depende desses remédios. Sem eles, meu corpo rejeita o pulmão transplantado e eu morro", afirma. Para sobreviver, conta com a solidariedade. "Não tenho para mais de um mês. Consegui duas caixas de um dos remédio com outra pessoa que toma e estava sobrando. Quando não é do hospital, é de outro paciente."

Ele procurou a Central de Flagrantes nesta quinta e foi orientado a registrar o boletim de ocorrência no Distrito Policial da avenida Brasilusa - o mais próximo de onde mora.

Rossana Dias, aposentada de 62 anos, conta que a distribuição do micofenolato de sódio está sendo feita de forma fracionada. O tacrolimo ela está conseguindo pegar. Os comprimidos vão durar mais dez dias. "Esse está se mostrando pior que anos anteriores. Um descaso, desrespeito. Vamos aguardar até o dia da morte, lutamos muito até aqui. Sem os imunossupressores não temos chance de sobrevivência", afirma ela, que precisa de dois comprimidos de cada substância por dia e recebeu um rim há nove anos.

Narcizo José Filho, metalúrgico aposentado de 66 anos, também pegou apenas parte dos remédios. A orientação que recebeu é para ligar para a farmácia de alto custo no próximo dia 15 para ver se o restante chegou. "É deprimente. Dia 16 faço 17 anos de transplante, a gente luta. Deus me livre perder o rim por causa de um negócio desse", afirma.

Prejuízos

"A gente dá três medicamentos para os transplantados. Se falta um está com o protocolo manco. Quando o corpo está equilibrado, se tira o remédio ele vai fazer mais uma tentativa de eliminar o órgão," diz o médico diretor do Centro Interdepartamental de Transplantes (Cintrans), do Hospital de Base, Mário Abbud Filho.

Se, pela falta do imunossupressor, ocorrer uma rejeição aguda do órgão e o paciente for depressa para o hospital ainda há esperança. "A gente pode tentar utilizar outros remédios, fazer tratamento, mas ninguém quer ter", fala Abbud. Já quando a pessoa recebeu o órgão há alguns anos o problema pode ser silencioso. O corpo rejeita o órgão e quando se percebe pode ser tarde demais. "Aparece com rejeição crônica e isso não tem tratamento nem aqui nem em lugar nenhum. Quando volta, o prejuízo para o órgão já aconteceu." Nesses casos, o paciente perde o órgão e volta para a fila de espera, além de correr risco de morrer.

 

Jogo de empurra

Em nota, a Secretaria de Estado da Saúde afirmou que o tacrolimo e o micofenolato de sódio são adquiridos e distribuídos aos estados pelo Ministério da Saúde, mas que as entregas feitas pelo governo federal têm sido irregulares em quantidade e frequência. "Embora a legislação estipulasse que a entrega total deveria ocorrer até 20 de dezembro, o órgão federal enviou apenas 56% do total aprovado, o que corresponde a 40% do que seria realmente necessário", argumentou a Saúde.

Também em nota, o Ministério da Saúde afirmou que a entrega de tacrolimo de um e cinco miligramas, bem como de micofenolato de sódio, está regular no estado de São Paulo. "O estado já recebeu todo o quantitativo aprovado de tacrolimo e micofenolato de sódio 180 mg para o atendimento no primeiro trimestre do ano", alegou. (MG)

Aviso: Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do Diário da Região. É vetada a inserção de comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros. O Diário da Região poderá retirar, sem prévia notificação, comentários postados que não respeitem os critérios impostos neste aviso ou que estejam fora do tema proposto.

Di´rio Im&ocute;veis

Di´rio Motors

Esqueci minha senha
Informe o e-mail utilizado por você para recuperar sua senha no Diário da Região.

Já sou assinante

Para continuar lendo esta matéria,
faça seu login de acesso:

É assinante mas ainda não possui senha? Clique Aqui!
É assinante mais quer redefinir sua senha? Clique Aqui!

Assine o Diário da Região Digital

Para continuar lendo, faça uma assinatura do Diário da Região e tenha acesso completo ao conteúdo.

Assine agora

Pacote Digital por apenas R$ 16,90 por mês.
OUTROS PACOTES


ou ligue para os telefones: (17) 2139 2010 / 2139 2020

Cadastro Grátis
Diário da Região
Clique no botão ao lado e agilize seu cadastro importando seus dados básicos do facebook
Sexo
Defina seus dados de acesso