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Diário da Região

07/02/2018 - 22h35min / Atualizado 07/02/2018 - 22h35min

ACABOU O REMÉDIO

Falta até dipirona nas UBSs de Rio Preto

Pelo menos 15 medicamentos estão indisponíveis nos postinhos

Mara Sousa 7/2/2018 Neuza Cândida não
conseguiu vários
remédios para a mãe
Neuza Cândida não conseguiu vários remédios para a mãe

A falta de medicamentos nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) castiga a população em Rio Preto. O Diário apurou com pacientes que pelo menos 15 substâncias, usadas para tratar desde dores simples até depressão, estão em falta nas farmácias dos postinhos.

O problema foi constatado nas unidades do Jardim Americano, do Jaguaré, do Parque Industrial, do Santo Antônio e do São Francisco. Além de prejudicar o tratamento, a defasagem impacta na qualidade de vida.

A doceira Alessandra Ferreira Gomes, 29 anos, levou uma menina de 11 anos que veio da Bolívia para passar na UBS do Santo Antônio, acompanhada da avó da criança. A pequena tinha dores nos dentes e o profissional receitou amoxicilina e dipirona, mas o último estava em falta. "Acho que dipirona é o básico na saúde. Eu vou comprar."

Júnior Marcato, desempregado de 28 anos, foi à mesma unidade pegar remédio para a mãe, que sofre de dores na coluna, e também não encontrou a dipirona. "Ela está com muita dor", afirma. A orientação que recebeu foi para ir até a UBS do Solo Sagrado. "Comprar não vou porque não tenho dinheiro, então tem que ter lá. Dá revolta, porque sempre falta algum remédio", lamenta.

A faxineira Lúcia Rita, de 59 anos, saiu sem três remédios: dipirona, sinvastatina e um que ela não lembra o nome, mas que toma junto com o de tratar a hipertensão. O inalapril, que toma para controlar a pressão alta, faltou por meses. "Minhas meninas se juntaram e compraram. Meu marido tem diabetes, ficou uma semana sem tomar o remédio da pressão", conta. Vai ter de comprar o que ficou faltando. "É um dinheiro que vai fazer falta, porque ganho pouco, só o salário mínimo. É difícil, você vem e não tem."

No Jaguaré a situação não é diferente. Antônio Valter Ferreira, aposentado de 72 anos, não conseguiu pegar o medicamento para arritmia. "A menina falou que demora uns 20 dias ou um mês para chegar", afirma. Também precisaria comprar o ibuprofeno, que não tinha no postinho.

Neuza Cândida, 52 anos, cuida da mãe, Isabel Anselma, de 74. A idosa está acamada e sofre de esquizofrenia, hipertensão e tem os nervos atrofiados. Para as duas, falta uma série de insumos, como furosemida, clonazepam, nifedipina, losartan e valeriana. "Eu cuido da minha mãe sozinha. O sentimento é de se virar nos 30 e comprar. Vai fazer falta o dinheiro. Além disso, compro fraldas."

Faltas constantes

Geovanne Furtado Souza, presidente do Conselho Municipal de Saúde, afirmou que o órgão vem recebendo várias reclamações sobre falta de medicações. Segundo ele, a ausência dessas substâncias de uso contínuo, como as que combatem a hipertensão, podem refletir no tratamento. "Tem que usar continuamente, não é para ficar parando. Nos pacientes que têm hipertensão não tratada a pressão vai subir e eles podem ter derrame, acidente vascular cerebral, infarto."

Outro fator apontado por Souza é que a situação pode refletir em gastos desnecessários para o poder público. Se o paciente poderia tratar uma febre em casa, por exemplo, sem dipirona ele terá de ir à UPA. Um homem que faz tratamento para a hiperplasia da próstata pode ter uma retenção urinária, que seria evitada com a medicação. "Custa mais caro para o sistema."

 

Recurso reduzido, diz Saúde

Não é a primeira vez neste ano que o Diário mostra a falta de medicações em Rio Preto. O secretário-interino de Saúde, André Baitello, afirmou que a situação deverá ser regularizada ainda em fevereiro. "A explicação é que a gente teve no ano passado uma redução dos recursos", afirma.

Como a compra foi feita ainda em 2017, justifica Baitello, o déficit ocorreu. Segundo o secretário, parte das aquisições já foi feita e a compra da outra parte está sendo discutida.

Baitello alega que a Secretaria de Saúde está com o orçamento restrito, e não descarta a possibilidade de adquirir menor quantidade dos medicamentos. "Comprar um pouco menos, pelo menos por enquanto. A gente está enxugando na questão de motorista, alguns contratos estamos renegociando. Vamos ter nesse início um número menor de compras", falou.

Segundo o médico, há possibilidade, a longo prazo, de que a Saúde pare de ofertar medicamentos que podem ser encontrados gratuitamente nas unidades do Aqui Tem Farmácia Popular, como as substâncias que controlam a hipertensão e diabetes.

Um médico ligado à Saúde defendeu que os remédios são básicos e que deveria haver planejamento para comprá-los, pois os pacientes não podem ficar sem.

O promotor de Justiça Sérgio Clementino afirmou que a questão precisa ser analisada, mas que o Ministério Público pode entrar no caso para obrigar a Prefeitura a disponibilizar os medicamentos que são de sua responsabilidade. (MG)

Lista de faltas

  • Ácido acetilsalicílico - analgésico, antitérmico e anti-inflamatório.
  • Alopurinol - reduz a formação de ácido úrico, o que ocorre com mais facilidade em pessoas que têm gota.
  • Cinarizina - para tratar distúrbios circulatórios cerebrais, distúrbios circulatórios periféricos e distúrbios do equilíbrio.
  • Clonazepam - trata distúrbios epiléticos, transtornos de ansiedade, do humor, síndromes psicóticas e das pernas inquietas, vertigem e distúrbios do equilíbrio e síndrome da boca ardente.
  • Cloridrato de sertralina - Tratamento de depressão.
  • Dipirona - Antitérmico e analgésico.
  • Furosemida - trata hipertensão arterial, inchaço por distúrbios no coração, fígado e rins e inchaço devido a queimaduras.
  • Ibuprofeno - Analgésico, antitérmico e anti-inflamatório.
  • Losartana potássica - Usada para tratar hipertensão e insuficiência cardíaca.
  • Mesilato de doxazosina - trata hipertensão arterial e hiperplasia da próstata.
  • Nifedipina - trata doenças arteriais, crises hipertensivas e hipertensão.
  • Omeprazol - problemas do sistema digestivo.
  • Sulfato ferroso - Serve para tratamento de anemia.
  • Sinvastatina - minimiza os riscos de doenças cardiovasculares.
  • Valeriana - trata distúrbios do sono.

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