X

Diário da Região

06/02/2018 - 22h41min / Atualizado 06/02/2018 - 22h41min

Na saúde e na doença

E nem o Alzheimer da mulher abala a relação do casal

Fevereiro é o mês de conscientização sobre a doença, que atinge idosos

Beatriz e Aparecido: ela foi diagnosticada com Alzheimer no ano passado e, como o marido também é idoso, precisou ir para uma clínica. Ele, porém, faz visitas
diárias e leva mimos
Beatriz e Aparecido: ela foi diagnosticada com Alzheimer no ano passado e, como o marido também é idoso, precisou ir para uma clínica. Ele, porém, faz visitas diárias e leva mimos

"Um marido igual esse não existe. Não tenho queixa nenhuma do Cido, o que ele pode fazer ele faz. Lógico que eu amo ele. Vem todo dia me ver, traz laranja, banana, chocolate, guaraná." A fala é de Beatriz Silveira de Araújo, de 77 anos, diagnosticada no segundo semestre do ano passado com Doença de Alzheimer.

Fevereiro leva a cor roxa por ser de conscientização sobre o mal. Aparecido Luiz Campanha, 81 anos, não tem condições de cuidar da mulher, Bia, que também tem diabetes, mas vai visitá-la todos os dias na casa de repouso. As filhas moram longe. "Ela conhece todo mundo, mas fala uma coisa, dali a dez minutos ela esquece." Em nenhum momento Cido pensou em não cuidar da esposa e cumpre o juramento que fez diante do padre, há 56 anos. "Casei com ela com amor", afirma.

De acordo com o neurologista Fábio de Nazaré, do Hospital de Base, o Alzheimer é uma doença que depende da idade. A cada ano depois dos 80, sobe em 10% a chance de desenvolver o mal degenerativo e sem cura. "À medida que a gente vai se desenvolvendo nosso cérebro vai se aprimorando, aumenta nossa capacidade de memória, entendimento das coisas, falar, lembrar, juízo crítico. Ele se desenvolve de maneira plena", explica o médico. Em algum momento, o cérebro deixa de funcionar de maneira adequada. O problema começa na área da memória, mas vai se expandindo, causando problemas de organização espacial, reconhecimento e compreensão.

O fator genético tem peso. A chance de ter a doença aumenta se algum parente de primeiro grau tiver sofrido. Não deixar o cérebro "enferrujar" é uma das formas de evitar a forma mais severa. Quanto mais exercícios para a mente, mais o cérebro vai conseguir compreender e guardar informações. Vão ocorrer mais sinapses - área de contato entre as células cerebrais (neurônios), onde os impulsos nervosos são transformados em químicos.

"Imagine uma cidade com muitas ruas. Se eu tiver várias sendo fechadas, tenho caminhos alternativos para trafegar sem ficar parado", exemplifica o neurologista. O cérebro de uma pessoa que busca informações tem mais opções para que elas trafeguem. "Se essa pessoa desenvolve Alzheimer, vai conseguir, por meio dessa capacidade adaptativa do fluxo de informação, mascarar os sinais da doença ou não apresentar as formas mais graves." Outra forma de minimizar os efeitos é levar uma vida controlada: evitar álcool e cigarro, alimentar-se bem e fazer atividades físicas.

Mudança de rotina

A merendeira Solange Francelino, 55 anos, cuida da mãe, Doralice Roque Francelino, de 81, há 13 anos. A alimentação da idosa é equilibrada, rica em frutas, legumes e verduras. "Tivemos de comprar cadeira de banho e de roda, colchão mais alto, tirar tapete da sala. Tem que ter cuidado igual um bebê, tem que dar banho, toma leite e suco na mamadeira", conta. Doralice não levanta mais sozinha. A doença progrediu lentamente. "Pouco a pouco ela foi ficando esquecida. Fala algumas palavras só, fica mais quieta. Ela sorri, dá risada, assiste televisão, nós mostramos desenho, álbum de fotografia", conta a filha.

Malvina dos Santos Moraes, de 53 anos, mudou toda a rotina para cuidar da irmã, Dalva Moraes de Lima, de 82, quando esta foi diagnosticada com Alzheimer, há quase uma década. "Fica complicado. Deixa fogão ligado, gás ligado. Ela reconhece a gente, só que acha que o pai e a mãe estão vivos, quer fazer comida para eles. Tem que falar que está tudo bem, entrar no que está vivendo", ensina a dona de casa. Ela diz que a família já espera o diagnóstico quando ele vem, graças aos sintomas que aparecem. Sair de casa com o marido só é possível se a irmã topar ir também. Caso contrário, um dos dois tem que ficar e deixar o passeio. "Se não tiver estrutura é muito difícil. Vai esquecendo, esquece que já foi casada. Tem coisas que acabam de acontecer ela não lembra."

De acordo com o neurologista Fábio, a disfunção da memória recente é o sintoma mais frequente do Alzheimer. "Podem ocorrer outros como apatia, redução da fluência verbal, impossibilidade de realizar movimentos e desorientação espacial. A família deve sempre procurar um médico no caso de algum desses sinais aparecerem.

 

A Doença

  • A doença provocou 109 internações e 48 mortes entre janeiro de 2016 e novembro de 2017 na região
  • A partir dos 80 anos, a cada ano cresce 10% a chance de apresentar a doença.

Sintomas

  • Perda da memória recente, apatia, redução da fluência verbal, impossibilidade de realizar movimentos e desorientação espacial.

O que é?

  • É uma doença degenerativa sem cura que começa afetando a área da memória do cérebro, mas se alastra para outros locais, afetando, por exemplo, a capacidade de se locomover.

Tem cura?

  • Ainda não. Os remédios existentes são para tratar os sintomas.

Tem como evitar?

  • Sim. Levando-se uma vida saudável, com alimentação equilibrada, exercícios físicos e o mais longe possível do cigarro e do álcool.

Mais mortes e internações

De acordo com o Datasus, em 2016 foram internadas 37 pessoas com Alzheimer em hospitais públicos da região e oito delas morreram. Até novembro de 2017, esses números saltaram para 72 internações e 49 mortes, um aumento de 111,7% e 600%, respectivamente.

A geriatra Daiene Santos Buglio Raphe acredita que, além de mais diagnósticos da doença por conta do envelhecimento populacional, muitas pessoas morrem em decorrência de complicações do Alzheimer. "Esses óbitos são em decorrência da fase final. A pessoa internou por uma pneumonia e foi a óbito, porém essa pneumonia foi em decorrência do mal porque o paciente fica com o sistema imunológico dele mais inflamado", exemplifica.

O neurologista Fábio de Nazaré ressalta que não existe ainda nenhum remédio capaz de frear o Alzheimer. Os medicamentos existentes são para tratar os sintomas.

Aviso: Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do Diário da Região. É vetada a inserção de comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros. O Diário da Região poderá retirar, sem prévia notificação, comentários postados que não respeitem os critérios impostos neste aviso ou que estejam fora do tema proposto.

Di´rio Im&ocute;veis

Di´rio Motors

Esqueci minha senha
Informe o e-mail utilizado por você para recuperar sua senha no Diário da Região.

Já sou assinante

Para continuar lendo esta matéria,
faça seu login de acesso:

É assinante mas ainda não possui senha? Clique Aqui!
É assinante mais quer redefinir sua senha? Clique Aqui!

Assine o Diário da Região Digital

Para continuar lendo, faça uma assinatura do Diário da Região e tenha acesso completo ao conteúdo.

Assine agora

Pacote Digital por apenas R$ 16,90 por mês.
OUTROS PACOTES


ou ligue para os telefones: (17) 2139 2010 / 2139 2020

Cadastro Grátis
Diário da Região
Clique no botão ao lado e agilize seu cadastro importando seus dados básicos do facebook
Sexo
Defina seus dados de acesso