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Diário da Região

05/02/2018 - 22h24min / Atualizado 06/02/2018 - 09h33min

FEBRE AMARELA

Medo provoca onda de ataques contra macacos

Três dos 12 macacos encontrados mortos em Rio Preto neste ano tinham sinais de traumas, indicativo de que podem ter sido agredidos pelo medo da febre amarela - doença que eles não transmitem

Johnny Torres 5/2/2018 Saguis que estão em tratamento no Hospital Veterinário da Unirp
Saguis que estão em tratamento no Hospital Veterinário da Unirp

Dentre os 12 macacos encontrados mortos desde o início do ano até 31 de janeiro em Rio Preto, três tinham sinais de trauma, o que indica que podem ter sido mortos por pessoas. O número corresponde a 25% do total. Eles estavam nas áreas de abrangência das Unidades Básicas de Saúde (UBS) dos bairros Caic, Cidade Jardim e Engenheiro Schmitt. São dois saguis e um macaco-prego. Foi possível coletar material de todos para exames, que serão realizados pelo Instituto Adolfo Lutz - o tempo médio para os resultados saírem é de 30 a 40 dias - para checar se eles tinham febre amarela.

De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, um dos animais tinha lesão somente no crânio. Os outros dois tinham politraumas (como, por exemplo, traumatismo craniano e afundamento da caixa torácica). "Não havia indícios de morte por causas natural ou até mesmo por alguma doença", afirma Abner Henrique Alves, gerente do departamento de vigilância ambiental de Rio Preto. Os resultados preliminares dos exames do macaco que estava em Schmitt deram negativo, aguardando-se contraprova.

Se os animais realmente foram vítimas da violência humana, pode ser devido ao medo que muitas pessoas sentem de que eles transmitam a febre amarela. Esse medo é infundado, pois a doença é transmitida por mosquitos: na forma silvestre, que tem sido encontrada pelo País, os vetores são o Haemagogus e o Sabethes; já na forma urbana, a febre amarela é levada pelo Aedes aegypti. De acordo com o Ministério da Saúde, desde 1942 a manifestação urbana não é encontrada no Brasil.

"O macaco doente não transmite diretamente para o ser humano a febre amarela. Matá-lo pode interferir nas investigações de saúde pública. O óbito dos macacos nos serve como indicador da circulação do vírus", explica Abner. Quando algum primata morre, as autoridades sabem que o vírus está circulando no local, por meio do mosquito, e podem traçar estratégias de combate e prevenção. Abner destaca que os primatas que vivem na região - macacos-prego, bugios e saguis - também são vítimas da doença e morrem por febre amarela.

Clique na imagem para ampliar  (Foto: Reprodução)

No ano passado, 102 macacos foram encontrados mortos em Rio Preto. O Instituto Adolfo Lutz, responsável pelos exames que determinam se a febre amarela foi a causadora da morte, apontou que o vírus foi responsável por apenas uma ocorrência, de um bicho que foi encontrado em Engenheiro Schmitt. De 85, os resultados foram negativos para a doença; de 14 primatas não foi possível coletar material para teste e os resultados de dois exames ainda são aguardados. Em 2017, o Diário noticiou que parte dos primatas estava sendo encontrada com sinais de trauma, inclusive queimadura, sangue em cavidade abdominal e fratura de costela.

De cinco dos 12 animais mortos neste ano não foi possível coletar material para testes, pois eles estavam em avançado estágio de decomposição ou já restava somente a ossada. Eles estavam na área de abrangência das seguintes unidades básicas de saúde: Caic, Jaguaré, São Francisco (2) e em área não identificada.

Abusar, maltratar, ferir ou mutilar animais silvestres ou domésticos, sejam nativos ou exóticos, é crime ambiental previsto na lei federal 9.605, de 1998. A pena é de detenção de três meses a um ano e multa, e aumenta em um sexto a um terço se o bicho morrer.

Macacos machucados

Além dos macacos mortos com sinais de trauma, o Hospital Veterinário da Unirp, em Rio Preto, está tratando de dois animais que foram encontrados machucados no município. "São dois saguis que têm trauma crânio-encefálico", afirma o diretor da instituição, Halim Atique Neto. Segundo ele, não são os primeiros casos que chegam até lá neste ano, trazidos pela Polícia Ambiental ou pelo Corpo de Bombeiros.

Vacina é eficaz no combate

O método mais eficaz de combater a doença é a vacina. Em Rio Preto, a cobertura já superou os 93% da população, segundo dados da Secretaria Municipal da Saúde. Normalmente, são aplicadas de 700 a 800 doses por mês. Em janeiro, este número saltou para 5.557, aumentando 594,6%. Até a tarde desta segunda-feira, 5, haviam sido aplicadas em fevereiro 457 doses. 

De acordo com Abner Henrique Alves, gerente do departamento de vigilância ambiental, as pessoas podem ficar tranquilas - em 2016 e 2017, quando os macacos começaram a aparecer mortos com mais frequência, foram feitas campanhas. "Estamos muito próximos de 100%. Não há risco da cidade ter surto por conta da nossa grande cobertura vacinal."

Quem ainda não está imunizado pode ir a uma UBS e tomar a dose, que é gratuita. Basta apenas uma para estar livre da doença por toda a vida, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS). A proteção só tem início dez dias após a aplicação. Quem não sabe se já tomou a vacina pode procurar o postinho onde já se imunizou contra alguma doença para que a equipe tente localizar o histórico. Caso isso não seja possível, a orientação é tomar a vacina.

Como a dose só é indicada para crianças com mais de nove meses de idade, o ideal é que os pais evitem levar os filhos pequenos às áreas de mata. Se for extremamente necessário, vale a pena utilizar roupas compridas e repelentes para evitar a picada dos mosquitos, que são de hábito diurno.

No Estado de São Paulo, foram confirmados 108 casos de febre amarela e 43 mortes entre julho de 2017 e 30 de janeiro de 2018. (MG)

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